Resenha CD: Megadeth - Dystopia


A verdade é que quem é o dono da bola do Megadeth é Dave Mustaine e se ele não quiser jogar mais com você, é bom tirar seu timinho de campo. Chris Broderick (guitarra) e Shawn Drover (bateria) deixaram a banda em 2014 e para os lugares deles foram recrutados o baterista Chris Adler (Lamb of God) e o nosso compatriota Kiko Loureiro.

E já que estamos falando de verdades, a real é que o Megadeth sempre foi uma banda de altos e baixos. Cara, não me entenda mal pois não falo propriamente de qualidade; mas de uma banda em que se num álbum como "Rust In Peace" colocava o pé no acelerador, em "Countdown For Extinction" tirava o pé do mesmo se aventurando mais na linha do hard em vez do característico thrash. Após os anos 2000 meio que aconteceu o mesmo no caso do primoroso "Endgame", e "Thirteen" e principalmente o insosso "Super Collider" representaram o pé no freio que "Countdown" e "Youthanasia" representaram, me entende? Essa variável na velocidade sem nunca desgrudar demais das suas raízes, notabilizaram o Megadeth (ou a Dave Mustaine Band) como um dos casos raros de bandas que com mudanças de direcionamento não motivaram os narizes torcidos da maioria dos fãs (exceto "Risk", aí é demais) - e bom, fã que é fã, curte a música (vai falar que "Load" do Metallica é ruim?!).

Contudo, parece que Dave Mustaine precisa de mentes ativas ao seu lado pra desenvolver sua criatividade, tipo como se ele ele precisasse daquele aluno mais CDF sentado ao seu lado pra ele começar a fazer a lição também. Apesar do nível altíssimo que entregaram em "Endgame", nunca senti que Broderick e Drover eram justamente esses caras que "cutucassem" Mustaine como deveriam, tirando o Megadeth da sua zona de conforto e é essa a impressão que "Super Collider" evidenciou.

Sendo assim, pareceu junto que os dois seguissem seus caminhos em busca de uma vida mais tranquila ao fugir do insuportável Mustaine. E após aquele breve sentimento de preocupação que toma conta quando um membro sai de uma banda querida, ao ouvir "Dystopia" uma vez após a outra, sinto que Adler e Kiko trouxeram toda o sangue nos olhos que faltava a Mustaine e consequentemente ao Megadeth sendo escolhas acertadíssimas.

Ligado diretamente a "Rust In Peace" mas sem perder a modernidade empregada em "Endgame", em "Dystopia" podemos notar claramente essa mescla em faixas como a de abertura "The Threat Is Real" e na "Bullet The Brain", e tal mérito se deve claro a entrada de Kiko Loureiro que além de dedilhados no violão empregados em diversas músicas (como na "Poisonous Shadows" que foge do ponto comum que conhecemos o Megadeth), simplesmente despeja riffs e solos inspiradíssimos e empolgados, como na própria "Poisonous Shadows", na "Post American World", no single-título "Dystopia" e na instrumental "Conquer or Die".

E falando da outra estreia. Dizem que a bateria é a alma de uma banda de rock e que é a bateria que dita o ritmo que a guitarra deve estar. Se Kiko trouxe a Mustaine novas perspectivas, o que dizer então de Chris Adler? Quem escutou Lamb Of God sabe da capacidade do cara e no fundo até você pode ter se decepcionado um pouco por ele não ter esmurrado mais a bateria, mas a verdade é que o cara enfiou o pé na "Lying In State" e deu toda a velocidade e agressividade que Shawn Drover não proporcionava, casando perfeitamente com a proposta empregada em "Dystopia", Ouça a "Fatal Illusion" e volte aqui para concordar comigo, ok?!

Bom, se a bola é dele, também não resta dúvida que Mustaine sabe escolher os músicos que tocam com ele a dedo. As escolhas que ele fez em "Dystopia" só elevaram o nível da banda, levando o Megadeth a um patamar bem mais agressivo e com tesão do que nos álbuns anteriores, mais firme na bateria e mais insano nas guitarras. E não é nenhum exagero dizer que "Dystopia" é um dos melhores álbuns de 2016, se não da década.

Não é preciso ir muito longe no mundo da internet pra saber que teve gente que torceu o nariz quando Kiko Loureiro foi anunciado como guitarrista do Megadeth, mas em "Dystopia" ele provou que é um guitarrista fodasticamente talentoso e extremamente boa gente, afinal, é só abrir um site de notícias de heavy metal para ver que Kiko conquistou a simpatia e a admiração do durão Dave Mustaine, o que não é para qualquer um.

Que agora essa parceria (e a paciência) entre Kiko e Mustaine dure bastante, pois tem muito a proporcionar aos nossos privilegiados ouvidos que receberão Dave Mustaine e cia em agosto aqui em São Paulo.

Resta dúvida que depois dessa pedrada eu vou?! =)

Tracklist:

1. "The Threat Is Real" 4:22
2. "Dystopia" 5:00
3 ."Fatal Illusion" 4:16
4. "Death from Within" 4:48
5. "Bullet to the Brain" 4:29
6. "Post American World" Mustaine, Kiko Loureiro 4:25
7. "Poisonous Shadows" Mustaine, Loureiro 6:02
8. "Conquer or Die!" (Instrumental) Mustaine, Loureiro 3:33
9. "Lying in State" 3:34
10. "The Emperor" 3:54
11. "Foreign Policy" (Fear cover) 2:28


Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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