Resenha Filme: X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido


A verdade é que X-Men virou uma colcha de retalhos no cinema porque a idiota da Fox não soube ver que tinha uma equipe na mão, portanto não bastava escolher um ou dois personagens para contar mais sobre e abandonar outros sem explicação alguma. Porra, o que aconteceu com o interessantíssimo Noturno no X-Men 2? A cena mais legal do filme é dele, ele tem um passado misterioso e intrigante, e do nada no terceiro filme esqueceram completamente dele sem explicação alguma?! Isso sem contar os filmes solo do carcaju Wolverine que em pouco complementaram a trama, sendo o ponto mais falho no "Imortal" que Xavier e Magneto aparecem. Mas como se o primeiro está tecnicamente morto? Afinal ele conseguiu transferir sua mente para outro corpo realmente como pareceu na cena pós-créditos de "O Confronto Final"? Ninguém explicou. 

Apenas o primeiro e o segundo foram realmente uma sequência, a partir daí, "O Confronto Final" foi uma tentativa frustrada de unir todo mundo e matar outros sem explicar quase nada, e "Primeira Classe" surgiu com a premissa de contar a origem da equipe, mas que não soube exatamente se era um reboot ou uma prequência e se perdeu no limbo entre o mediano e o bom. Só que acho que o grande mérito deste filme é a revelação de James McAvoy e Micheal Fassbender, que além carregarem o filme nas costas encarnando muito bem os espíritos conflituosos de Xavier e Magneto, grças a um roteiro que focou muito mais no conflito de ideias no que na tradicional luta do bem e do mal, conseguiram transmitir muito mais carisma que os atores tradicionais Patrick Stewart e Ian McKellen. 

Ironicamente foi aí que na formação de passado e futuro que X-Men ganhou um brilho maior."Dias de Um Futuro Esquecido" surgiu dessa união entre os dois elencos dando a oportunidade perfeita para Bryan Singer adaptar a história homônima dos mutantes nos quadrinhos. 

Num futuro pós-apocalíptico os mutantes estão quase extintos após serem caçados e mortos pelos robôs Sentinelas construídos por Bolivar Trask (Peter Dinklage) com a objetivo inicial da proteção do homo sapiens em detrimento do homo superior, contudo, Trask foi morto pela Mística (Jennifer Lawrence) e por esse acontecimento o governo americano deu sinal verde para a construção e ação dos Sentinelas na busca pelos mutantes, e com o tempo a dimensão se tornou global, pois aqueles que carregavam o gene mutante e poderiam gerar filhos mutantes também foram erradicados da Terra. Aí já viu a confusão.

Enfim, não é preciso acompanhar muito X-Men para saber que a profecia de Magneto era que os mutantes seriam caçados e extintos por uma máquina senciente, pois então, isso se tornou realidade. Então num cenário em que poucos mutantes que conhecemos ainda sobrevivem, como Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen), Wolverine (Hugh Jackman), Tempestade (Halle Berry), Kitty Pride (Ellen Page) e Homem de Gelo (Shawn Ashmore) a premissa simples surge: voltar no tempo e impedir que toda essa bosta acontecesse.

O objetivo é voltar a 1973 e impedir Mística de assassinar Bolívar Trask e não dar início ao projeto Sentinela. Originalmente nos quadrinhos a encarregada é Kitty que se conecta com a sua versão do passado, mas aqui o escolhido é Wolverine (claro) que é transportado mentalmente por Kitty a sua consciência de 1973 e tem a missão de encontrar a versão jovem de Xavier e de Magneto para impedir que eles vivam num lixo de Terra.

A trama gira entre os dois, no resgate de Magneto que está preso no pentágono após ser acusado de supostamente ter assassinado o presidente Kennedy e entre a versão jovem de Fera (Nicholas Holt) e da Mística: uma frustração enorme de Xavier que desde da aproximação dela com Magneto, nunca mais foi a mesma e é fácil deduzir porquê. 

Mas o destaque absoluto vai pro personagem que ajuda no resgate de Magneto e que é encarregado de ser um dos alívios cômicos da trama: Mercúrio (Evan Peters). Se o mutante irmão da Wanda mereceu ser morto pela chatice e lentidão em "Vingadores: Era de Ultron", aqui ele rouba a cena nas poucas em que ele aparece como sendo um rebelde adolescente que adora desafios. 

Podemos não gostar da sua aparência, mas achei que ela casou bem com a proposta descolada do personagem e sua velocidade foi caracterizada num estilo muito 'quadrinesco', dando um charme e tanto para o personagem. Mas a cena que será lembrada durante muito tempo é da cozinha do Pentágono após o resgate de Magneto. 

Filmada num super-slow em 3600 quadros por segundo, dando a impressão clara da principal característica do personagem de se mover muito rápido e tudo ser muito lento ao seu redor; ao melhor estilo buzina paralisadora do Chapolin com tecnologia, ele protagonizou uma das cenas mais bem construídas e legais de todos os filmes baseados nas HQs até agora. Juro que já vi a cena umas cinco vezes e não enjôo.

Abaixo você vê um vídeo mostrando como a cena foi feita:
No que cabe a atuação do resto do elenco, mais uma vez os carismáticos Micheal Fassbender nos entrega um Magneto ressentido e ameaçador e James McAvoy um Xavier cheio de conflitos; já Wolverine e Jackman, não sabemos mais quem é um e que é outro. Confusa e conflituosa, Mística tem um papel central na trama e pela primeira vez se sobressai sobre os outros mutantes. Seu suposto protagonismo é algo que com certeza será melhor explicado (espero) em "X-Men: Apocalypse".

A qualidade do filme está em ser direto sem muita frescura no que eles devem fazer ou não, tanto no passado como no futuro. E com um senso de urgência que nos faz dar bastante atenção ao filme que aliou bem tudo aquilo que "O Confronto Final" quis fazer de certa forma e não conseguiu, que foi unir dezenas de personagens dando a justa importância que cada um devia ter. Inclusive em seu final que num flash explicou a falta de adamantium no Wolverine.

"Dias de Um Futuro Esquecido" com sua trama atemporal, se sai melhor com o pensamento descolado dos filmes passados da franquia e como um filme que se aproveitou muito bem de atores conhecidos do público, unidos em uma trama bem interessante unindo política, ignorância, medo e preconceito social num roteiro que não desequilibra a ação. E Singer foi muito esperto nesse ponto. Ele não consertou nada na linha temporal dos mutantes, mas olhou para frente, observou bem as qualidades que Brett Ratner trouxe em "Primeira Classe" e fez um filme realmente bom que recuperou a força dos mutantes em atrair a minha devida atenção, dando a liberdade a ele mesmo e a Fox em continuar a história como bem entender.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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