Resenha CD: Lacuna Coil - Delirium

A nostalgia é talvez a melhor das sensações, poder revisitar aquele breve momento após superar e presenciar diversos percalços e tropeços, respectivamente, traz um sorriso no rosto que recarrega nossas forças pra enfrentar as mesmas coisas, de novo e de novo.

Tá, não tá parecendo um começo digno de uma resenha musical, mas é mais ou menos isso que se trata essa resenha: nostalgia. E na música, isso é muito forte. Acredite!


O Lacuna Coil é uma das bandas que marcou minha adolescência, especificamente com "Comalies" de 2005. Sabe aquela expressão "ouvir até furar"? É bem isso que acontecia naquela época com esse álbum e vários outros da mesma época, no entanto, o Lacuna Coil percorreu o caminho de diversas outras bandas que atravessaram o atlântico lutando para arrumar seu lugar ao sol no concorrido mercado americano. Mas acho que se me perguntarem, a banda italiana foi "meio que vítima" do movimento que surgiu com o Nightwish explodindo nas paradas e fazendo empresários e gravadoras endoidarem (naturalmente) atrás de alguém que se aproximasse da Tarja Turenen.

Remanescente daquela época, o Lacuna Coil talvez foi a banda que melhor se adaptou ao novo mercado sabendo absorver as influências musicais da época (leia-se Nu-Metal), se afastando um pouco do seu som mais tradicional mas mantendo uma regularidade que faziam seus álbuns apenas "escutáveis", em suma, nada inesquecível. 

Mas eis que chegou 2016 e naquelas famigeradas promessas de volta as raízes, o Lacuna Coil realmente cumpriu essa promessa e conseguiu sair daquele limbo que desde o mediano "Karmacode" de 2006 que a banda não conseguia sair. 

Recheado de bons momentos e por uma Cristina Scabbia mais contida aos refrões, assim dando mais espaço a Andrea Ferro, "Delirium" abandona um pouco a vertente pop que a banda vinha praticando a um temo e tende mais pro lado pesado e moderno do metal, algo que se evidencia pela abertura bombástica com a pesadíssima "House of Shame", que fez muita gente descobrir que Andrea nos guturais não deve nada pra ninguém. E essa é a tendência do álbum.

Com uma primeira parte impecável, prosseguimos com a grudenta faixa-título "Delirium" e voltamos a porrada com Andrea roubando a cena mais uma vez com "Blood, Tears, Dust", respiramos um pouco na belíssima "Downfall" que é digna dos melhores momentos de toda carreira da banda, mas na rápida "Ghost In The Mist" voltei a quebrar meu pescoço.

Em "Delirium" a banda não só adicionou uma agressividade e consistência entre as faixas a muito não vista - não deixando de lado as influências por eles já adquiridas, mas reavendo as influências passadas, conseguiram chamar atenção de quem não dava chance pra banda a muito tempo. Saca sair do "senso comum"? É complicado de explicar, mas se uma resenha sobre um álbum é uma opinião ainda mais pessoal sobre um trabalho de uma banda, dá pra dizer que sim, pra mim "Delirium" é um renascimento. 

Como disse, nostalgia é a melhor das sensações.

Tracklist:

01. “The House of Shame”
02. “Broken Things”
03. “Delirium”
04. “Blood, Tears, Dust”
05. “Downfall”
06. “Take Me Home”
07. “You Love Me ‘Cause I Hate You”
08. “Ghost in the Mist”
09. “My Demons”
10. “Claustrophobia”
11. “Ultima Ratio”

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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