Por um Coringa mais digno do que aquele que "Esquadrão Suicida" mostrou


O Coringa, o Jóker, o Paiaço é um personagem interessantíssimo. Por ser a personificação das inúmeras facetas do mal, ele se torna um vilão extremamente complexo de se interpretar justamente por isso, ao mesmo tempo que, no entanto, ele é confortável também pelo mesmo motivo. E talvez a alegoria mais perfeita do que estou pontuando, é marcada pela total insanidade do personagem que pede para ter sua face arrancada pelo Mestre dos Bonecos na sua estreia na série Novos 52, com um plano ainda mais doentio, arrancar a face de cada um dos membros da Bat-Família.

Dificilmente a interpretação de Heather Ledger e a caracterização feita por Christopher Nolan em "The Dark Knight" inspirada quase que puramente na HQ "A Piada Mortal", será superada nas próximas leituras do vilão no cinema, isso é fato, tal qual cada Coringa teve um motivo para ser lembrado. Ali víamos a pura maldade, sem passado e sem culpa, abraçando o caos enquanto bebia do cálice da anarquia.

Mas quando "Esquadrão Suicida" apareceu e foi anunciado que Jared Leto iria interpretar o palhaço do crime a expectativa subiu a níveis estratosféricos, claro, finalmente foi dada a oportunidade pra um puta ator carregar o fardo do Coringa. Após Heather Ledger ter imortalizado o personagem (salvo as piadas) se rendendo à loucura dele, significou de fato que a bola iria pra frente e mesmo com as críticas o pessoal se acostumou com o Coringa que via.

E talvez a minha decepção mais forte com o filme tenha sido justamente a de que não houve nenhum tempo hábil para avaliarmos o talento de Leto, que procurou se reinventar para fazer um dos papeis mais desafiador da carreira de qualquer ator. Claro, entre a desvalorização natural de seu raso roteiro e cortes que o próprio ator admitiu existirem, ficou difícil de avaliar o que vimos. É como disse na resenha do filme, ficou um gosto de quero mais como se a água caísse no chope, pois o obsessivo Coringa de Jared Leto e David Ayer tem tudo pra demarcar seu espaço na história dos atores que interpretaram o palhaço se bem trabalhado, claro.

De primeira há de se estranhar num Coringa de cabelos loiros e que é fundamentado numa mistura da frieza de HAL 9000 até a psicopatia de Hannibal Lecter, fortemente caracterizados na aparência que vimos no game Arkham Asylum, Mas "The Laughing Man", com a livre interpretação que o Coringa merece, é tudo aquilo que você gostaria de ver.

É como disse, o mal tem várias faces.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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