Resenha Cinema: Esquadrão Suicida

domingo, agosto 14, 2016


No altamente duvidoso Batman vs Superman tínhamos diversos defeitos, mas como disse na resenha do filme, o seu grande mérito foi suscitar discussões. Não só sobre se o filme foi bom e ruim, mas para aqueles que buscam o algo a mais em qualquer história mesmo que tais motivos ideológicos tenham sido diminuídos no longa.

Sim, não vou ser moralista e dizer que a arte deve ir além do dinheiro, não, ele é fundamental pra pagar nossas contas e as contas da Warner; portanto é natural num estúdio que ainda está buscando sua cara para dar voz a heróis altamente poderosos na telona, que eles façam aprimoramentos afim de que eles busquem um melhor acordo com o público sobre o que vai ser visto. Mas em "Esquadrão Suicida" isso foi além do bom senso. Foi na cara dura que após o "fracasso" (é, menos de US$ 1bi é fracasso hoje em dia) de BvS que a Warner mudou muito do que tinha planejado para o filme e resolveu mudar o seu tom afim de deixar mais palatável ao grande público. Como disse, o dinheiro manda e deve mandar. Mas a principal pergunta é: "A Warner sabe o que está fazendo?". Bom, sabemos que houveram refilmagens, e sabemos dos cortes que o Jared Leto sofreu no filme, portanto é difícil não afirmar que houve uma mudança.

Se atente aos logos.

Pois é, certas coisas a gente pega no pulo.




Era o momento de bater o pé ou seguir outro caminho?

A premissa é simples e se relaciona diretamente com a "ameaça Superman" debatida em BvS. E se ele se virar contra nós, quem irá nos defender? O Chapolin Colorado não se candidata, então quem será? Numa cidade que encoraja uma justiça feita por criminosos - como no rigor da lei o Batman é -, como ela irá se defender contra um mano que a rigor, nem humano é? Para isso Amanda Waller (Viola Davies) simplesmente convoca os piores criminosos da cidade com o intuito de defender ela mesma contra o próximo Superman, afinal, supostamente ele está morto.

A ideia de sacrificar em missões suicidas quem pode ser sacrificado é realmente uma saída. Genial? Nem tanto. Não faz sentido algum você jogar a Arlequina e seu pobre taco de beisebol contra um cara que usa a cueca por cima das calças. Mas enfim.

O projeto Força Tarefa X é botado em prática antes do previsto, já que uma das recrutadas, a arqueóloga June Moore que é possuída pelo espírito da bruxa Magia escapou e libertou o seu irmão planejando retomar o controle da humanidade perdido a milhares de anos. No cenário do ataque à Midway City, Amanda coloca "na pista" a ex-psiquiatra Harley Quinzel ou a doidona Arlequina (Margot Robbie), o ladrão Floyd Layton mais conhecido como Pistoleiro (Will Smith), o "piromaníaco" El Diablo (Chato Santana), o Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e o Capitão Bumerangue (Jai Courtney), todos comandados pelo agente braço direito de Waller, Rick Flag (Joel Kinnamann) para combater a dupla ameaça meta-humana. Lembrando que posteriormente, ainda é adicionada a presença de Katana (Tatsou Yamashiro) ao Esquadrão de Waller para controlar essa galera.

No cinema lembrei diretamente de outra equipe chamada "Guardiões da Galáxia", talvez o filme mais surpreendente de 2014. Ele foi um filme que fora construído exatamente com o mesmo intuito que "Esquadrão Suicida", tendo até várias referências que deram certo sendo copiadas pela rival (como a trilha sonora simpática aos ouvidos), mas com uma diferença crucial em qualquer filme de equipe: o equilíbrio.

Em diversos momentos no filme me perguntei o que tal personagem estava fazendo ali naquele momento, algo que não aconteceu em nenhum momento em "Guardiões da Galáxia" que tinha em Star Lord o seu comandante, mas que deu também o protagonismo necessário a cada um dos membros em momentos diferentes do filme e sem se descuidar da história. Já em "Esquadrão Suicida" temos vários exemplos da falta de sincronia que se teve entre os personagens, apesar de eles em si estarem numa vibe ótima durante o filme. Como a Katana que é aquela típica japonesa mortal que tem... uma Katana e de tão misteriosamente legal, fica desnecessária sua existência, o Croc que a gente só percebe que está ali quando abre a boca, o Capitão Bumerangue que, autenticamente como um ladrão vagabundo e sacana, foge quando tem a oportunidade mas misteriosamente acaba voltando do nada no final e sem explicação, e o grande Amarra (Adam Beach) que após três falas morre para servir tão e como somente prova do quanto Waller e Flag não estão de brincadeira - mas na boa, da onde esse cara saiu? Qual sua habilidade ao certo? Todos esses personagens que citei sofrem do mesmo mal de serem apenas coadjuvantes de luxo, muitos mal são apresentados, outros são inúteis mesmo, outros aparecem somente no final como um Bruce Banner libertando seu monstro dentro de si quando a coisa aperta, sim El Diablo, estou falando de você.

Então apesar de ser um Esquadrão, logo, uma equipe, esse filme acaba sendo essencialmente da Arlequina e do Pistoleiro. A Arlequina é a personificação do "foda-se". Não precisa de muito para se simpatizar com ela (talvez a duração do tamanho do short), para ela todo esse lance de Esquadrão é uma piada mas uma boa chance pra ver seu pudinzinho, aliás ela é a principal ligação com o Coringa e neles temos o lado amoroso do filme - visão que é completamente errada, já que a relação dela com o Coringa sempre foi abusiva e não romântica,..

Aliás vamos falar do Coringa. Achei que o Coringa de Jared Leto ficou ótimo como um Coringa verdadeiramente psicótico e doentio, mas tão horrivelmente subaproveitado que todas as vezes que ele aparece incomoda. Como disse, talvez o principal motivo da Arlequina estar ali, além da sua bunda, é sua ligação com o Coringa e todos os momentos em que esse aparece é para resgatar a Arlequina e só para isso. Sim, o Coringa fica entediado, mas parece que alguém que somente quer o caos, se preocupar tão e somente com isso é bem pouco para ele. E imagino que se o Esquadrão Suicida foi formado para combater missões supostamente suicidas, como na cidade que tem o Coringa à solta não acontece mais nada além do plano de dominação mundial da bruxa cosplay da Samara? Soa até como propaganda enganosa, já que a cara dele está em destaque nos principais pôsteres como se ele fosse membro do Esquadrão sendo que ele nem sabe que isso existe.

Já o Pistoleiro interpretado pelo Will Smith é a cara e o focinho de Will Smith, que além de ser um ótimo ator, de tão carismático nos faz comprar a ideia de qualquer filme que o cara faça. Encarregado por ser o guia moral do filme definindo o que é certo e errado ao lutar por quem se quer proteger (no caso a filha dele para quem ele quer mostrar que não é tão ruim assim), o Pistoleiro é aquele cara que faz todos entenderem (até a Arlequina) que todos ali tem algo em comum. Oia, eis o momento Martha no balcão do bar! Onde mais poderia ser?

A colcha de retalhos que fazem a participação do Coringa, do Batman (Ben Affleck) e do Flash (Ezra Miller) ficarem como se fossem pontas soltas e naturalmente destacáveis é frustrante, pois esse seu desespero para introduzir certos personagens repete o erro visto em BvS, deixou o segundo filme da DC após o anúncio do "universo compartilhado" com um potencial sabor agridoce, mas que ao contrário de BvS, não deu asas á discussão alguma do que o filme pode ou poderia ter sido. Quer dizer, "Esquadrão Suicida" em todos os momentos se define com um filme de entretenimento pipoca, um belo filme nada com a missão de jogar aos ventos mentais de todo mundo o universo que a DC planeja, mas ao ter um roteiro confuso que apresenta os personagens mais de uma vez, em nenhum momento ele tem a capacidade de ousar em ir além disso apesar de seu potencial.

Por ser óbvio demais procurando soluções simples durante todo o roteiro (até parece que a trilha sonora deu essa dica pra nós ao tacar "Sympathy For The Devil" na aparição de Amanda Waller), "Esquadrão Suicida" existe para trazer o espírito dos quadrinhos à telona, como se a DC procurasse terrenos mais calmos ao fazer um belo filme nada pra desligar o cérebro e assistir numa tarde descompromissada afim de ver a bunda da Arlequina. Nada mais. Felizmente ou infelizmente? Bom, bem ou mal, é um enorme avanço dado ao amor e ódio que viu-se em BvS...

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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