Metallica e Heráclito: Breve história do tempo


Esses dias tava conversando com alguém que me soltou a opinião de que hoje em dia as bandas de rock não tem o mesmo o brilho das do passado.

Bom, é mais velho do que andar para trás a geração atual (minha) falar "que no tempo dela era melhor" e é mais fácil cair nessa máxima do que andar para frente enquanto a velhice chega e repetimos isso cada vez mais. Porém, entendo a nostalgia extrema e constante que torna tudo aquilo que tínhamos e não tínhamos mais saborosos num misto de saudade por a vida ser mais simples com a prepotência de dizer "ah, eu vivia muito bem sem Netflix", como se antes disso a vida era melhor. Isso não nos deixa gostarmos plenamente do que há hoje, sobretudo no mundo da música e no texto falo do rock especificamente (senão a discussão iria se alongar demais).

O brilho das bandas do passado é ofuscante e intenso não só pelo talento delas, mas porque elas foram precursoras da vertente ajudando a simplesmente construir tudo o que eu gosto em relação ao gênero, portanto é uma tarefa ingrata e injusta exigirmos que as bandas atuais revivam esse passado constantemente ou simplesmente sejam cobradas pra serem a salvação do rock, como se esse, precisasse ser salvo. É como alguém falar que a lâmpada de Thomas Edison é melhor, isso e ele são insuperáveis e inigualáveis até o final dos tempos como qualquer invenção que revolucionou ou aprimorou o que não se tinha, algo que o criticado Steve Jobs entendeu muito bem, por exemplo: temos que sempre aprimorar o que temos, e é assim também com o rock e com o nosso pensamento.

Há muita coisa boa e pulsante por aí e nem preciso ir incessantemente atrás do presente para perceber isso, é meio triste que novas bandas como Mastodon, Ghost, Royal Blood e bandas veteranas como Machine Head e Alter Bridge infelizmente sejam ainda pouco reconhecidas aqui no Brasil num jogo de causa e efeito causado justamente pela teimosia de fãs que procuram a "salvação do rock" e pedem o mesmo Iron Maiden e Metallica de sempre, além de cobrá-las a tarefa injusta de que eles permaneçam as mesmas que eram a 20 anos atrás.

Não caro, não tenho nada contra ao passado, tenho pavor a pessoas que só olham para o passado. Não sendo só capazes de apoiar e olhar para o futuro do gênero, mas também de perceber que as bandas que eles amam também não são obrigadas a fazer a mesma música para sempre.

Se não me engano, Heráclito dizia que um barco não é capaz de navegar das mesma forma mais uma vez no mesmo rio. Infelizmente a nostalgia tão boa, se torna nociva quando não nos damos conta da real compreensão dessa frase,

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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