Metallica e Heráclito: Breve história do tempo

segunda-feira, setembro 12, 2016


Esses dias tava conversando com alguém que me soltou a opinião de que hoje em dia as bandas de rock não tem o mesmo o brilho das do passado.

Bom, é mais velho do que andar para trás a geração atual (minha) falar "que no tempo dela era melhor" e é mais fácil cair nessa máxima do que andar para frente enquanto a velhice chega e repetimos isso cada vez mais. Porém, entendo a nostalgia extrema e constante que torna tudo aquilo que tínhamos e não tínhamos mais saborosos num misto de saudade por a vida ser mais simples com a prepotência de dizer "ah, eu vivia muito bem sem Netflix", como se antes disso a vida era melhor. Isso não nos deixa gostarmos plenamente do que há hoje, sobretudo no mundo da música e no texto falo do rock especificamente (senão a discussão iria se alongar demais).

O brilho das bandas do passado é ofuscante e intenso não só pelo talento delas, mas porque elas foram precursoras da vertente ajudando a simplesmente construir tudo o que eu gosto em relação ao gênero, portanto é uma tarefa ingrata e injusta exigirmos que as bandas atuais revivam esse passado constantemente ou simplesmente sejam cobradas pra serem a salvação do rock, como se esse, precisasse ser salvo. É como alguém falar que a lâmpada de Thomas Edison é melhor, isso e ele são insuperáveis e inigualáveis até o final dos tempos como qualquer invenção que revolucionou ou aprimorou o que não se tinha, algo que o criticado Steve Jobs entendeu muito bem, por exemplo: temos que sempre aprimorar o que temos, e é assim também com o rock e com o nosso pensamento.

Há muita coisa boa e pulsante por aí e nem preciso ir incessantemente atrás do presente para perceber isso, é meio triste que novas bandas como Mastodon, Ghost, Royal Blood e bandas veteranas como Machine Head e Alter Bridge infelizmente sejam ainda pouco reconhecidas aqui no Brasil num jogo de causa e efeito causado justamente pela teimosia de fãs que procuram a "salvação do rock" e pedem o mesmo Iron Maiden e Metallica de sempre, além de cobrá-las a tarefa injusta de que eles permaneçam as mesmas que eram a 20 anos atrás.

Não caro, não tenho nada contra ao passado, tenho pavor a pessoas que só olham para o passado. Não sendo só capazes de apoiar e olhar para o futuro do gênero, mas também de perceber que as bandas que eles amam também não são obrigadas a fazer a mesma música para sempre.

Se não me engano, Heráclito dizia que um barco não é capaz de navegar das mesma forma mais uma vez no mesmo rio. Infelizmente a nostalgia tão boa, se torna nociva quando não nos damos conta da real compreensão dessa frase,

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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