Empatia

terça-feira, novembro 29, 2016

Resolvi começar esse texto com uma imagem ilustrativa verdadeiramente criativa e singela. Sem escudo, sem luto, sem tristeza e desolação de quem ainda chora; mas sim com as cores, com os traços tortos, com a aplicação de um mero trocadilho sincero rendendo-se às homenagens.

Hoje aprendemos mais uma vez o que é empatia.

Chapecó está a mais de 800 quilômetros de São Paulo, mas a empatia deixa a cidade aqui perto. Entre comentários desrespeitosos de gente que não perde a piada mesmo que oportunista e sem graça alguma nas latrinas intelectuais que são chamadas de caixa de comentários da G1 ou mesmo no Facebook lotado de gente que adora ir contra a comoção, aprendemos mais uma vez que numa tragédia a empatia é algo muito maior e que a verdadeira empatia não é desmerecer gravidade dos fatos.

Com essas tragédias como vemos o ser humano pode ser cruel também. Que prega que sofremos por condicionamento dizendo “ah, e quantos morrem diariamente e ninguém liga?", como se houvesse classificação entre seres humanos. E é quando a verdade acaba se revelando na exaltação pela diminuição da comoção da tragédia dizendo que ela ocorre diariamente, aos poucos. 

Concordo, a tragédia é a violência desmedida existir, sim. Um pai que chora, os negros que morrem diariamente... há boeings representando diariamente os caixões carregados. Mas a tragédia choca, machuca; é como a paixão e o amor, há diferenças que não anulam um e outro. É diferente o choque de lamentar-se pelas mortes diárias de sonhos interrompidos dessa forma. 

As pessoas adoram minimizar o que não acontece com elas e pregar de que apenas elas fazem o "moralmente certo" quando na verdade, estas é que nem estão nem aí com ninguém. Contudo, é nesses desastres, nas tragédias de sonhos interrompidos que poderiam acontecer com cada de nós é que percebemos a capacidade de mobilização das pessoas em torno de uma solidariedade e demonstra o quanto os povos são realmente cercados de compaixão no mundo inteiro. A verdadeira empatia é sentir o que o outro está sentindo - e como foi comovente a homenagem da torcida no jogo do Liverpool hoje num silencio sepulcral. 

Passei o dia comovido hoje, porque percebia que a Chapecoense era mais que um time e a gente via a simpatia de longe. Era uma cidade toda envolvida e abraçada em torno de um esporte que muitas vezes pode parecer besta, irrelevante e se mostra por diversas vezes mais que um jogo. 

Empatia é isso, é nos importarmos com sonhos interrompidos, lamentar pela tragédia de ver um time de futebol, uma cidade e por consequência, uma paixão ser arrasada. É o mundo inteiro se importar, são colegas de profissão lamentarem, jornalista e jogadores, e ajudarem a reconstruir um caminho de ascensão que vinha sendo tão bem sucedido. Tragédias como essas escancaram a nossa empatia, ensinam lições, provocam reflexões e revelam como somos capazes de sentir algo melhor, muito melhor. É clichê, mas a vida vale muito pouco. 

Com o tempo a Chapecoense se reerguerá e vencerá de novo assim como cada um de nós se estivéssemos marcados pela tragédia como cada um dos que ainda sobrevivem. Mas a maior empatia que poderia surgir, é que com essa comoção, a Chape se tornou não somente um time. 

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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