Empatia

Resolvi começar esse texto com uma imagem ilustrativa verdadeiramente criativa e singela. Sem escudo, sem luto, sem tristeza e desolação de quem ainda chora; mas sim com as cores, com os traços tortos, com a aplicação de um mero trocadilho sincero rendendo-se às homenagens.

Hoje aprendemos mais uma vez o que é empatia.

Chapecó está a mais de 800 quilômetros de São Paulo, mas a empatia deixa a cidade aqui perto. Entre comentários desrespeitosos de gente que não perde a piada mesmo que oportunista e sem graça alguma nas latrinas intelectuais que são chamadas de caixa de comentários da G1 ou mesmo no Facebook lotado de gente que adora ir contra a comoção, aprendemos mais uma vez que numa tragédia a empatia é algo muito maior e que a verdadeira empatia não é desmerecer gravidade dos fatos.

Com essas tragédias como vemos o ser humano pode ser cruel também. Que prega que sofremos por condicionamento dizendo “ah, e quantos morrem diariamente e ninguém liga?", como se houvesse classificação entre seres humanos. E é quando a verdade acaba se revelando na exaltação pela diminuição da comoção da tragédia dizendo que ela ocorre diariamente, aos poucos. 

Concordo, a tragédia é a violência desmedida existir, sim. Um pai que chora, os negros que morrem diariamente... há boeings representando diariamente os caixões carregados. Mas a tragédia choca, machuca; é como a paixão e o amor, há diferenças que não anulam um e outro. É diferente o choque de lamentar-se pelas mortes diárias de sonhos interrompidos dessa forma. 

As pessoas adoram minimizar o que não acontece com elas e pregar de que apenas elas fazem o "moralmente certo" quando na verdade, estas é que nem estão nem aí com ninguém. Contudo, é nesses desastres, nas tragédias de sonhos interrompidos que poderiam acontecer com cada de nós é que percebemos a capacidade de mobilização das pessoas em torno de uma solidariedade e demonstra o quanto os povos são realmente cercados de compaixão no mundo inteiro. A verdadeira empatia é sentir o que o outro está sentindo - e como foi comovente a homenagem da torcida no jogo do Liverpool hoje num silencio sepulcral. 

Passei o dia comovido hoje, porque percebia que a Chapecoense era mais que um time e a gente via a simpatia de longe. Era uma cidade toda envolvida e abraçada em torno de um esporte que muitas vezes pode parecer besta, irrelevante e se mostra por diversas vezes mais que um jogo. 

Empatia é isso, é nos importarmos com sonhos interrompidos, lamentar pela tragédia de ver um time de futebol, uma cidade e por consequência, uma paixão ser arrasada. É o mundo inteiro se importar, são colegas de profissão lamentarem, jornalista e jogadores, e ajudarem a reconstruir um caminho de ascensão que vinha sendo tão bem sucedido. Tragédias como essas escancaram a nossa empatia, ensinam lições, provocam reflexões e revelam como somos capazes de sentir algo melhor, muito melhor. É clichê, mas a vida vale muito pouco. 

Com o tempo a Chapecoense se reerguerá e vencerá de novo assim como cada um de nós se estivéssemos marcados pela tragédia como cada um dos que ainda sobrevivem. Mas a maior empatia que poderia surgir, é que com essa comoção, a Chape se tornou não somente um time. 

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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