Resenha Cinema: Rogue One - Uma História Star Wars


Quando a Disney comprou a LucasFilm ficou evidente que a única e maior franquia da produtora seria explorada o máximo possível. Como somos catastrofistas e reis e rainhas do drama, algo que se atreve a mexer com a nossa nostalgia e principalmente com uma franquia tão sagrada entre os nerds de plantão seria naturalmente encarado como uma afronta, com a frase tipicamente bradada, com espada e escudo na mão: "Mickey aqui não! É golpe!". Não pera.

Exageros a parte, a compra da Pixar pela mesma Disney anos atrás provou tudo e mais um pouco sobre a Disney não ser burra com suas propriedades, entendendo perfeitamente que a liberdade de criação nunca deveria ser invadida simplesmente deixando lá seu dinheiro render como uma poupança bem lucrativa (vide Marvel). E tem sido assim. Portanto, o anunciado spin off não me preocupou em nenhum momento; e dado a quantidade imensa de material em cima dessa franquia, eu sabia que a expansão de Star Wars seria muito bem aproveitada e bem sucedida. História não falta, e "Rogue One" é o primeiro movimento dessa empreitada, tentando interligar apenas um dos vácuos que o cânone deixou.

Para começar é bom dizer aonde nos situamos. "Rogue One" é simplesmente aquele rodapé do quarto episódio "Uma Nova Esperança" (tá ligado aquelas letrinhas que passam no início do filme?) e portanto se situa na época de uma declarada Guerra Civil. Após os eventos do episódio III que contou sobre um Anakin sucumbido pelo lado negro, encontramos uma situação em que os Jedis estão virtualmente extintos juntamente com a queda da República. Logo, o Império agora governa a Galáxia com mãos de ferro e os agora Rebeldes tem como única e maior esperança o roubo dos planos de construção da Estrela da Morte. E é isso.

"Rogue One" não é nenhuma continuação e nem introduz algum mínimo aspecto para o vindouro episódio IX. E talvez esse seja o seu maior mérito, por não ser literalmente uma expansão de universo.

Gareth Edwards se limitou em apenas contar uma boa história de Star Wars de fã para fã; sobre o que aconteceu e sobre o porquê aquilo aconteceu. Fazendo um filme sem um mísero sabre de luz (exceto na hora que entra Darth Vader, porque ele pode tudo) funcionar como um digno Star Wars; Gareth abriu um leque maior de possibilidades de roteiro e encaixou o filme perfeitamente na sua proposta de "cola" ao explicar como os planos chegaram até Leia Organa e como, por exemplo, Luke Skywalker (o Rogue One de seu tempo) acertou aquele maldito buraco não por um golpe de sorte em cima de um erro de engenharia. Pois é, e eu xingando aqueles engenheiros a minha vida inteira...

"Rogue One" acaba se tornando mais divertido se você tiver assistido a todos os outros filmes e o fim naquela porta se liga perfeitamente a "Uma Nova Esperança". Você vai se esbaldar nas frases, nos personagens, e em diversos easter-eggs espalhados que fizeram meus olhos brilharem e momentos em que soltei um hell yeah bem dado. O famoso e nutritivo leite azul apareceu cara!

Com efeitos visuais perfeitos e sendo o Star Wars que foi mais longe na imaginação ao apresentar planetas simplesmente lindos, o defeito maior tenha sido a protagonista. Obviamente "Rogue One" é um filme com a missão bem clara de sair de um ponto A até um ponto B, sem continuação, sem mais, até sem até a música tradicional de abertura. "Rogue One" não se mistura, logo, Jyn Erso (Felicity Jones) e todos os outros personagens já tinham a sua missão como o verdadeiro esquadrão suicida. Nenhum deles faz parte do cânone e todos estariam condenados a um fim, contudo, a Jyn como protagonista não se mostra em nenhum momento carismática o suficiente para nos envolvermos diretamente com sua história e talvez nesse sentido o filme tenha sido pobre, até o supostamente secundário Cassian (Diego Luna) um desenvolvimento maior. Mas felizmente esse é o menor dos problemas. Funcionando bem sozinho como o Star Wars mais cru e visceral, "Rogue One" vai pro pau, como o melhor filme de guerra intergalactica que você pode assistir hoje.

Disseram que esse é o melhor Star Wars, mas discordo veementemente. Sem os outros filmes, este não funcionaria. Recomendo que você assista a uma, duas vezes. Sendo fã, você irá aplaudir em todas as oportunidades.

Como diria Érico Borgo do Omelete: "Eu quero fã e quero service!"

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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