Resenha Filme: Gran Torino


Walter Kowalski (Clint Eastwood) é um veterano de guerra (da Coreia) de origem polonesa que justamente está nesse meio de vizinhos eu não falam inglês, de pessoas sem educação, e de uma neta de piercing no umbigo que não é capaz de entender que seu Gran Torino de 1972 é não só um carro, mas um símbolo.

Walt representa tudo aquilo que o anacronismo representa, aquela armadilha conhecida de cair no meio comum de culpar a geração passada por todos os fracassos bradando de que "no meu tempo era melhor". Walt não entende os tempos atuais, por exemplo, não vê utilidade de ir as Igrejas atuais de padres jovens que "não sabem nada da vida", dos filhos que demonstram que sua casa é um meio de negocio e entende que tradições devem sim serem respeitadas; seu cachorro e ele rosnam para o que não gostam e Walt escolheu ser solitário por opção por causa disso se tornando também preconceituoso e materialista por consequência. Nada lhe agrada. Mas ele não é só durão. Por trás da pose, da imponência caracteristica através do olhar e da atitude de soldado veterano, há também um coração amanteigado que é capaz de ver a justiça e a bondade na frente de seu nariz, só que talvez por sua família se enquadrar justamente nesse parâmetro que ele adotou, esta também é excluída. Neste caso, a solidão e a saudade da esposa falecida transformam uma pessoa em puro amargor.

Por uma série de fatos (incluindo um roubo protagonizado pelo tímido Thao), Walt acaba aproximando dos Hmong e estes pela atitude de Walt contra a gangue que os ameaçava acabam se aproximando ainda mais dele, em outras palavras, o endeusando em gratidão. Walt claro, fica incomodado, mas a convivência forçada também acaba o aproximando, muito graças a Hmong Sue que vê na antipatia daquele velho algo engraçado que não afasta as pessoas, mas apenas como um traço de sua personalidade. Esse engano vai fazendo Walt perceber aos poucos como as tradições são importantes para aquele povo, e que mesmo após tudo o que passaram e o que passam, insistem em manter isso apesar de estarem em um país diferente sendo ameaçados quase que diariamente pela gangue mexicana do bairro.

Na relação de pai e filho (muito do que vimos em "Menina de Ouro"), Walt vai ensinando a Thao os valores que ele tinha vivido, do trabalho e do amor, E nesse amontoado de clichês do último filme de Clint em que ele participou como ator, é em "Gran Torino" que Clint praticamente revisita todas as suas facetas na longa carreira ao mesmo tempo em que a simbologia do final sempre está ali presente. Resumindo, "Gran Torino" acaba sendo um filme que representa tudo aquilo em que ele acredita.

Walt com seus valores inabaláveis, ensinou e aprendeu a conviver e a respeitar as diferenças; na verdade, Walt aprendeu a se importar e viu em seu final de vida aqueles que mesmo sendo tão diferentes, acabam entendendo melhor os valores em que ele tanto acreditava. Por isso ele deu seu valioso Gran Torino 72 a Thao, mesmo não tendo um único laço de sangue, pois esse entende melhor do que qualquer pessoa da sua família que legado e tradição devem continuar, por mais que as pessoas tenham que se adaptar aos novos tempos.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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