Resenha Série: Desventuras em Série (1ª Temporada)


"Desventuras em Série" é uma série de treze livros escritas por Lemony Snicket, pseudônimo de Daniel Handler, que teve seu primeiro livro "Mau Começo" lançado em 1999 e teve um filme de 2004 protagonizado por Jim Carrey na pele do maléfico Conde Olaf cobrindo os três primeiros livros da série.

Se você assistiu ao filme já sabe o que aconteceu, se não, vou explicar. Os irmãos Baudelaire, formados por Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e a bebê Sunny (Presley Smith) viram órfãos após um incêndio na casa em que viviam e são informados que seus pais estão mortos pelo guardião do testamento de seus pais. Seu testamento diz que com a morte dos pais eles teriam que ser designados para a casa do parente mais próximo da família e que tomariam posse da fortuna somente quando Violet fosse maior de idade; e na história, suas rotinas desafortunadas consistem em pular de casa vivendo com excêntricos e peculiares tutores e o primeiro e mais ameaçador deles é o tão malvado quanto ridículo Conde Olaf, um ator convencido e fracassado que quer a guarda dos Baudelaire com o intuito de se apoderar da fortuna que ficou no nome de Violet. Com seu plano descoberto, desde então a vida dos Baudelaire tem sido resumida em fugir dele e dos disfarces ridículos do Olaf e procurar respostas do que aconteceu realmente com seus pais.

Pessoalmente eu gosto bastante do filme e muitas das qualidades dele se assemelham com a série, tanto a fotografia escurecida como muito do clima divertido (apesar de este por ser para um público diferente acabar tendo um discutível final feliz, o que não poderia ter acontecido se realmente pensavam nele como uma franquia), e nesta primeira temporada (que contará com três e irá cobrir todos os treze livros) dirigida por Barry Sonnenfeld e com a fotografia do francês Bernard Couture, todo esse clima cinzento permanece (o que se deve muito pelo diretor ter dirigido também os dois filmes d'A Família Addams), mas agora assumindo uma faceta mais bem mais sombria, misteriosa e até violenta, principalmente residida na irretocável atuação de Conde Olaf por Neil Patrick Harris, o que até evidenciou pra aquele que, como eu, não leu nenhum dos livros de que a série está bem fiel ao material original e que certos livros se adequam melhor ao ritmo mais lento de uma série do que de um filme.

E por ser assim tão fiel, a série acaba trazendo as diversas criticas sociais que Daniel Handler deixou clara em seus livros, como o fato de as crianças serem as livres pensadoras e sempre perceberem os disfarces do Conde Olaf, enquanto os adultos constantemente se rendem aos meios comuns da autoridade (como o sr. Poe), medo (a tutora Josephine), pressão social (a juiza Strauss) e ambição (o próprio Olaf) ao invés de pensarem por si mesmos e no bem estar dos semelhantes; tanto que a certo ponto após a morte de seu tutor tio Monty, o trio acabou deixando claro que "devem cuidar de si próprios".

Na minha opinião, mais até do que o jogo de gato e rato de Conde Olaf com o trio Baudelaire, aquele que ganha destaque e é fundamental para o andamento agradável da história, trazendo aquela sensação constante de que temos de estar lendo os livros de Handler, é seu pseudônimo Lemony Snicket encarnado por Patrick Warburton responsável por quebrar a quarta parede, alertando sempre do conteúdo desagradável que não deveríamos estar assistindo, dando alertas sobre o infortúnio dos Baudelaire ou jogando frases impactantes como: "não é porque você não entende que não faz sentido.".

Sendo um livro escrito para adolescentes e com traços tão reconhecíveis para o público adulto (contando com referências do tipo de o sr. Poe sofrer de uma tosse severa como Edgar Allan Poe), "Desventuras em Série" se transformou em uma série muito gostosa (e desagradável) de se assistir sendo perfeita para aquelas maratonas que a gente sempre gosta de fazer. E a Netflix sabe disso. Obrigado de novo.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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