Politicamente, temos uma crise moral entre nós


A morte da primeira-dama Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula molusco, ganhou e ainda ganha as manchetes por ter sido uma pessoa pública importante e por isso é noticiada. Só que não demora cinco minutos pra encontrarmos um comentário do tipo "ah, dos pobres mortos da periferia ninguém fala né?". Além de esse comentário soar insensível e que se parece a se dispor a "qualificar problemas" tomando pra si como próprios (como o caso da tragédia da Chapecoense), se revela num falso ativismo, já que é só nesses momentos raivosos em que a timeline se inunda com a mesma notícia ou no próprio ódio de ver o Lula na tela que isso surge na cabeça. Ponto. 

Ontem e hoje especialmente, os desdobramentos do acontecido tem ganhado as manchetes, infelizmente, não só dos encontros de políticos adversários ou da própria morte dela, mas da insensibilidade de parte do povo em não perceber que num momento de dor todos somos humanos e ao reconhecer que o abraço de Lula e FHC tenha sido realmente uma lição ao partidarismo e nacionalismo exacerbado que tomou conta das ruas ultimamente, me fazendo ter cada vez mais aversão ao ver que o que deve ser realmente defendido distancia do que é ético - por exemplo, não vejo nada por Temer dar a um dos seus caciques citados 41 vezes na delação da Odebrecht o status de ministro para ter foro privilegiado, como Dilma tentou dar a Lula lá atrás.

Entre médicos que sugeriram desligar os aparelhos da paciente até aqueles que, pasmem, comemoraram a morte de Marisa puramente por divergência política comentando que "o Lula merece o que está acontecendo" e perturbaram o silêncio de outros pacientes vaiando e xingando o golpista Temer, cabe uma ressalva: não vivemos só uma crise representativa, educacional, carcerária ou econômica, mas uma crise moral de grande parte do povo que não sabe mais distinguir a diferença entre vida e morte, e entre opinião e insensibilidade; uma atitude que deveria ser natural e independente sobre o que esse ou aquele tenha feito mas é esquecida em favor do próprio umbigo que elege o menos pior. 

Com as demonstrações de intolerância Trumpianas, como com os refugiados que são julgados como terroristas em sua totalidade, com imigrantes que vêm ao país porque são vagabundos que "tem preguiça de trabalhar na sua terra natal" (como ouvi hoje) ou com a falta de respeito em simplesmente ignorar o que acontece ao redor (sem contar os pretos, pobres e bandidos), talvez esses é que, como Marisa Letícia, morrem cerebralmente, mas ainda vivos.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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