Resenha Série: Flash (3ª Temporada)

sexta-feira, maio 26, 2017


A terceira temporada de Flash é baseada em causas e consequências (nome do episódio 3x21 da série).

A "burrada" chamada "Flashpoint" que Barry Allen (Grant Gustin) criou por causa do chororô do final da segunda temporada após Zoom ter matado seu pai (John Wesley Shipp), tentando dar um sentido à sua própria existência ao usar de seu poder pra voltar no tempo reencontrando seu pai recém-assassinado e sua mãe que o Flash Reverso tirou como se nada tivesse acontecido, ensinou a ele um significado de família que essa emoção o cegou. Bom, nas nossas mentes, pois a motivação mais forte pra ele voltar a realidade da qual ele fugiu era a de que ele percebeu (mentira, o Flash Reverso esclareceu isso) de que a morte da sua mãe era o ponto chave pra ele ter se tornado o que ele é, o que em virtude da sua decisão, obviamente memórias deste tempo foram se apagando; e naquele sentimento de perda daquilo que tinha, foi lá o Barry pedir ao Flash Reverso daquela época (ele não tinha sido apagado?) para matar sua mãe e cumprir a sua "missão".

Cheia de furos, essa terceira temporada foi aquela em que o Flash lidou com as consequências em que o clichê de ele "crescer como herói" desafiando seu ódio provocado pela dor que permaneceu, porém das piores formas possíveis.

Na abertura mais tradicional da série, Barry se auto-intitula como "o homem mais rápido da Terra", bom, nenhuma série gerou mais memes que esta e com razão. Numa trama que se assemelha às duas anteriores no ponto de que sempre há um homem mais rápido que ele, o lance é que o próprio Barry criou Savitar ao ter criado "um presente alternativo", isto é, o Flashpoint. Resumindo, o Barry fez merda e vai ter que consertar isso.

Retornando a seu tempo, coisas que surgiram no Flashpoint em que ele criou acabaram permanecendo fazendo a gente lembrar do saudoso Doc e seu desespero ao ver Marty McFly carregar aquela malfadado almanaque que transformou Biff em um ricaço. "Qualquer alteração causa consequências catastróficas no tempo"; o maior alerta de Doc passa a fazer sentido quando a merda que Barry fez por causa de seu próprio ego acaba vindo à tona, tanto no irmão agora morto de Cisco (Carlos Valdes) e no fato de Caitlin Snow (Danielle Panabaker) ter virado a Nevasca de fato, mas principalmente no que se criou com toda essa confusão: evil Aécio Neves e Savitar.

Mas numa temporada em que a sub-trama se arrasta sob a premissa de que Iris (Candice Patton) irá morrer pelas mãos de Savitar em 2024 e o Flash terá que evitar que seu amor caia nessa predestinação. a trama simplesmente é empurrada com a barriga por mais de quinze episódios com todos simplesmente parados ali na Star Labs aguardando que este dia chegue tentando alterar pequenos fatos pra que ele não ocorra desta forma, porém, chegando a uma solução rasa e simplista, não só pelo tratamento dado com a revelação de quem é o Savitar mas como da descartabilidade de certos personagens e a resolução deles, simplesmente criando engenhocas e relembrando outras pra salvar a pele de Iris - isto numa temporada em que Cisco/Vibro virou uma solução overpower de tudo que ocorria e com uma solução que fez a gente perceber que os metas que Savitar sussurrava nos ouvidos eram simplesmente peões no jogo dos dois.

Talvez numa temporada de dez episódios em que essa arrastada trama em que as melhores partes eram aquelas em que se esquecia-se disso, como no encontro musical de Barry e Kara que só existiu pra forçar um crossover entre as séries e angariar audiência (episódio até divertido), personagens como Cisco, Nevasca e o próprio Savitar perderam sua profundidade (este último especialmente em seu plano B totalmente desastrado) e até o Flash, que derrotou Savitar fazendo algo que ele poderia ter feito a dez episódios atrás. E não existe pior sentimento que esse numa série aonde percebemos que ela alongou muito mais do que deveria.

Um lado bom é que essa confusão temporal supostamente acabou numa temporada de morna pra fria.

Um lado ruim é o cliffhanger que se criou para a quarta temporada com Barry indo para a prisão por seus atos até me fazendo vislumbrar os engravatados empolgados alardeando de que "essa temporada do Flash será a maior de todas", me fazendo ter saudades da divertida saga entre o Barry e o Flash Reverso/Eobard Thawne.

Bom, a Força da Aceleração não perdoa, porque quando a gente critica é porque sabe que a série pode ser muito mais do que está entregando.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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