R.I.P Chris Cornell

quinta-feira, maio 18, 2017


Infelizmente de tempos em tempos pipoca a morte de alguém, e entre esses tempos na latrina que é a caixa de comentários de qualquer site de notícias daqui do Brasil pipoca o "convite" para pessoas destilarem seu preconceito, ou porque não conhecem e são incapazes de ficarem quietos ou porque são os representantes da família brasileira e portanto, da moral.

Foi confirmado a causa da morte repentina de Chris Cornell aos 52 anos de idade: suicídio. E não é preciso procurar muito para ler comentários do tipo de drogado e de "falta de deus no coração". Queria saber o que define a pessoa que diz que os outros tem "essa falta de deus". Seria a explicação básica e mais simples? Ou eles buscam demonstrar a superioridade por terem um guia moral que os fazem se julgarem automaticamente corretos, ou isso denuncia a incapacidade de estabelecer essa moral por si mesmo como ser racional que se é? Creio que a verdade é que como seres humanos todos somos falhos e estamos tão vulneráveis a tristeza como a alegria.

Mas tentando sair desse âmbito da religião, é lamentável que as pessoas não tenham o mínimo de empatia e respeito em troca de esteriótipos baratos e lamentáveis que em nada servem para se estabelecer minimamente como opinião.

Chris Cornell se tornou o expoente de uma geração do começo dos anos 90 e a maior voz delas. Indo do grave ao agudo sem dificuldade alguma, pudemos testemunhar isso no Soundgarden e constantemente se renovou. Se antes era a sua música era mais ligada ao heavy metal de um Black Sabbath no Soundgarden, flertou fortemente com o melódico e o pop no Audioslave com os integrantes restantes do Rage Against The Machine e hoje em dia fazia shows apenas com um banquinho e um violão nos apresentando sua voz potente e nada mais com a delícia de um folk; ainda retornando a um Soundgarden que tinha shows agendados e um álbum para vir futuramente e músicas da carreira solo tanto para "Cassino Royale" da série de James Bond quanto para o "Vingadores". 

Um triste fim de um homem talentoso e conhecedor de boa música. E posso falar como alguém que não correrá atrás de sua discografia após a sua evidenciada morte, mas como alguém que conhecia seu trabalho - principalmente do Soundgarden e do saudoso Temple of the Dog, ironicamente formado com Eddie Vedder para homenagear um amigo falecido dele na época.

Antes de qualquer julgamento que as pessoas adoram fazer, é bom que se diga: ninguém é capaz de entender as voltas que temos nas nossas cabeças e as peças que elas nos pregam independentemente do que se tem na vida, aliás tudo na vida pode ser subjetivo.

Sim, essa vida pode ser muito bem feita de aparências, como ele aparentava estar feliz e satisfeito durante seu último show e como confidenciaram pessoas próximas antes de termos esse triste desfecho.

Esse triste acontecimento é mais uma das lições que a vida nos dá sobre como ter empatia. 

Fiquem atentos com a depressão.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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