Diferentes valores de justiça não podem ser aplicados como nós bem entendessemos


Costumo dizer aos outros e para mim mesmo que a vida é uma luta constante para estar certo. E ultimamente estar certo tem sido um achievment de conquista desbloqueado, quer dizer, mais um objetivo do que uma consequência, motivado principalmente pelos fenômenos das redes sociais.

No inocente "o que você está pensando" se esconde o verdadeiro questionamento do "o que eu deveria estar realmente pensando?", ou simplesmente do "eu deveria estar realmente pensando isso?". Ele te incita. Perfil em rede social significa autenticidade em um mundo que você sempre está certo, e como isso faz bem ao ego.

Na verdade, ter uma opinião e defendê-la é algo deveras complicado, e nessa batalha pelos likes que potencializam risadas em torno de pequenas frases que revelam muito mais do que queremos dizer, a consequência mais breve é que continuamos a ter ideias, mas nem queremos saber como defendê-las, afinal, tenho meu "bando de amigos/páginas virtuais". Não precisa argumentar, basta ser engraçado e aí figuras como Danilo Gentili aparecem.

Desde que o mundo é mundo e adquirimos o advento da fala, incorporando assim ao meio de linguagem que surgia através de gestos, grunhidos e desenhos, mas qualquer um escorrega quando em uma pequena frase se traveste de seus preconceitos e valida suas atitudes em virtude do bem maior. E nesse ioiô histórico desde o iluminismo em que alternamos monarquias, feudalismos, ditaduras e democracias questionando a justamente a pluralidade que possibilita o próprio pensamento assim que ela "dá errado", a dualidade de ideias permanece até hoje com o comunismo x capitalismo onde constantemente nos questionamos sobre a solução imediata do que fracassou; e apoiado na ideia que nenhum sistema funciona, tentamos pregar aos quatro cantos uma ideia que solucionaria todos os problemas ou endeusando alguém que serviria a este propósito ao invés de tentar aprimorar a si próprio ou o que já existe.

Na luta de classes cada vez mais polarizada, virou verdade o dito que "defender os direitos humanos é defender bandido", mas entre uma avalanche de fatos aterradores com o nossos dinheiro que sempre existiram, é esquecido que tais direitos são os mesmos que impossibilitam a propagação do fascismo - lembre-se que Hitler ascendeu ao poder com a lei da época debaixo do braço.

Falhamos na democracia? Talvez a reflexão tenha que ser feita por aqueles que preferem votar em trocas de favores de políticos marketeiros profissionais, ou em figuras caricatas que são o povo do povo ou em trabalhadores meritocráticos - elegendo no final das contas um "puxador de votos" - seja que nessa brincadeira menos de 7% da Câmara foi eleita pelos cidadãos, um verdadeiro deleite pelo balcão de negócios que se tornou os partidos políticos do empresariado (e tem gente que defende o liberalismo). Fundamentados na conquista de território e em tais financiamentos privados, em suma, ainda praticamos o voto de cabresto elegendo barões do café, mas agora da soja, da bala e da bíblia que são nada mais que tais defensores de ideias e da perdida moralidade que achamos que é justa de verdade.

Esses dias tem se propagado nas redes sociais o caso do jovem de São Bernardo do Campo que teve sua testa tatuada com os dizeres "eu sou ladrão e vacilão" após uma tentativa de assalto de uma bicicleta, e entre amigos virtuais e outros existentes, vejo diversas manifestações de apoio ao ocorrido e repúdio a aqueles que tentam ver o significado disso de uma forma mais humanista. Mas vamos aos fatos, relembrando aos esquecidos o óbvio:

Isto não é um jogo.

Tudo isso serviu para exemplificar que a caça de likes potencializados pela ausência de caracteres que procuram contradizer a revolta que um "textão" se notabilizou, acaba por ser uma bolha ideológica de ideias que no final das contas sustenta políticos intolerantes defensores do cidadão que se auto-intitula de bem, o que quer que o íntimo senso de justiça seja atendido e nada mais. Assim, chegamos até este ponto aonde defende-se que um crime deve sim justificar o outro. Datenas e Sherazades que ensinam que devemos ser educados até o certo ponto em que fere-se o diferente valor de justiça que você tem de mim, desviando-se do "peixe grande" que provoca o temido termo dos preguiçosos amantes da discussão que é: o reflexo social.

Numa sociedade tão injusta que parece ser ainda mais injusta depois de serem revelados esquemas e mais esquemas oligárquicos que transformaram nossa democracia em um mero atendimento de favores, é mais que natural e justificável a revolta de um povo por um sistema que em teoria deveria ser isonômico, contudo, é esse mesmo falho e falido sistema de leis (que são maiores que nós e o próprio sistema) que convivemos que impedem que retornemos às regras bíblicas de Davi e garantem a mesma liberdade que se tem possibilitando a contraditória defesa do que acaba sendo puro egoísmo.

É complicado tentar explicar o óbvio e esquecido, mas é justo a definição de justiça ser medida por cada cidadão? Verdadeiros torturadores e criminosos são aqueles que nem estão no meio dessa discussão. Logo, os condenados acabam sendo eu e você.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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