Resenha Série: House Of Cards (5ª Temporada)


Assistir a "House of Cards" é quase que uma terapia alavancada por um plot incidental da realidade.

"Isso é tão House of Cards".

Claro que seria muita pretensão minha dizer que a série resolveu tomar os caminhos que tomou inspirada em fatos que estão acontecendo por aqui, mas é acertado dizer que é essa quinta temporada foi inspirada em grande parte na bagunça que o trio parada dura Putin, Trump, qualquer ditador do oriente médio, Temer e etc provocam de inspiração só de existirem na inabilidade que a política por si só é capaz de ter.

Vimos nas temporadas anteriores que a Frank Underwood (Kevin Spacey) manipulou e moldou a democracia para si mesmo, saindo de congressista até presidente, provando acertadamente que qualquer sistema político que tenhamos é fundamentado em apenas um objetivo: poder; e provando por A mais B que a política é como o sistema imobiliário, simplesmente uma questão de "localização". Queira ou não, aceitar essa "tragicomedia contemporânea" acabe doendo menos.

Então como fazer política sem acabar se ajoelhando perante a um sistema? Frank Underwood não sabe e nem quer saber, ele entendeu essa jogada e tramou com as cartas que tinha na mão, sorrateiramente, roubando os montes alheios e superando esse sistema quase que impenetrável. E é interessante perceber que o filha da puta é carismático exatamente por isso.

Como o roteiro e a simbologia são o norte de "House of Cards", foi preocupante ver que Beau Willemon afastou do cargo de showrunner. Porém nessa quinta temporada "House of Cards" manteve sua qualidade, e com o perdão do trocadilho, é com o cargo ocupado pela dupla Melissa James Gibson e Frank Pugliese que a série (principalmente em sua segunda parte) é quem resolveu dar as cartas, deixando de florear o mundo político, de certa forma sem tempo estabelecido, para se tornar o que ele é agora geopoliticamente - uma decisão ótima por sinal.

Talvez sendo a temporada em que o "ame ou odeie" se aplique com mais afinco, já que em contrapartida ao casal Underwood os coadjuvantes que tanto auxiliaram a série em suas outras temporadas tem roteiros um pouco mais apagados e até mal resolvidos (caso claro da diplomata Catherine Durant (Jayne Atkinson) ou mesmo sobre o "sumiço" de Will Conway (Joel Kinnaman) após a conturbada eleição, logo se entende que como o foco foi para os Underwood (e cá entre nós, a série sempre foi deles), acabou sendo até compreensível que isso tenha acontecido; até porque a megalomania de Frank o deixa sempre a dez passos a frente inutilizando os esforços de Will, Tom Hammerschidt (Boris McGiver), Alex Romero (James Martinez) na caçada e de nós, surpreendendo até sua esposa Claire (Robin Wright) - esta que vai deixando claro que está cansada de permanecer como coadjuvante na hora H quando a interinidade "supostamente" cai em seu colo; supostamente, pois como disse, Frank dá as cartas aqui. Mas até quando?

Com uma fotografia e montagem lindas que demonstram o isolamento que os dois sofrem e buscam em um ambiente cada vez mais instável, mostrando uma Casa Branca que fica cada vez mais escura e vazia por causa da paranoia que abala até o relacionamento entre Claire e Thomas Yates (Paul Sparks) e a amizade de Frank com Doug Stamper (Micheal Kelly) - uma razão para este, que fica tão clara a medida em que vemos a sua vida totalmente desmoronada.

A verdade é que quando Frank não estava de brincadeira quando despediu de nós dizendo na quarta temporada dizendo que "nós não nos submetemos ao terror, nós fazemos o terror". Agora esse nós tomou outro sentido com o "minha vez" dito por Claire.

Estabelecendo uma ditadura em plena democracia, a série foca de vez a megalomania de Frank pelo poder. E claramente se inspirando num um mundo cada vez mais imprevisível, os showrunners continuaram a escalada natural de Claire que deixou de ser uma mera primeira dama para uma figura política em ascensão que quebra a parede em certo ponto da trama (nada mais simbológico que isso), nos entregando uma história que consegue ainda ser surpreendente, retomando um fôlego que víamos nas temporadas anteriores e parecendo menos arrastada que a morna quarta temporada que só tomou um rumo de verdade em seus episódios finais.

Resta saber se a briga será tão polarizada que vai parecer um duelo para quem vai ficar com o controle remoto dessa vez, se for assim, que o arco se encerre no sexto ano.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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