Chester Bennington é sim a voz de uma geração

sexta-feira, julho 21, 2017


Já se passaram 18 anos desde o lançamento de "Hybrid Theory", álbum de estreia do Linkin Park, e de lá para cá pensei e refleti de diferentes formas principalmente no que tange sobre o rock.

O que o define? Na verdade o que define o clássico?

Dezoito anos é uma vida, e por lei, é o começo do desfrutar da maioridade em que as causas e consequências se tornarão com o tempo ligadas diretamente a você.

Sendo mais direto, devemos questionar permanentemente o que gostamos e fazemos, por mais que isso contradiga ferozmente o que tenhamos dito e o que a gente pensa. Então o que define clássico? Chester Bennington é a voz de uma geração? O Linkin Park é rock clássico?

Como disse, dezoito anos é uma vida, gostei de Linkin Park na mesma velocidade que desgostei, e entendi que odiar é bem diferente de não gostar.

Na altura do lançamento de "Hybrid Theory" e "Meteora" tinha lá meus 14, 15 anos, hoje sou quase trintão como a minha geração e grande parte da minha formação musical é devida ao Linkin Park por mais que eu negue ou não veja nenhum atrativo no som atual ou passado da banda. Mas volto a pergunta: o que define o clássico?

Seria o tempo? Seriam os acordes? Seria a quantidade de instrumentos usados e quais eles são? Quando alguém diz "isso é rock clássico" para definir uma banda com um gênero praticamente me causa calafrios. Contudo, admito que essa pergunta não tenha resposta.

Grandes bandas como Deep Purple ou Black Sabbath se perpetuam pelo tempo e talvez o Linkin Park não tenha a mesma capacidade de perpetuar seu som durante todo esse tempo influenciando bandas como o DP e o BS conseguem, entretanto o que faz uma banda se tornar clássica, no meu ponto de vista, é o quanto ela permanece na sua lembrança se tornando a porta de entrada para gostar de um som; eu não teria buscado o Megadeth se não fosse em parte o Linkin Park... Portanto, Chester Bennington é sim uma voz de uma geração, será lembrado como Chris Cornell e o rock não precisa de cartilha para ser seguido.

PS: Mais uma voz de uma geração se vai e mais uma vez por suicídio, o fato de Chester ter se suicidado no dia em que Chris Cornell estaria completando 52 anos, diz muita coisa sobre os tempos modernos de polarização e isolamento.

Creditar a causa a "falta de deus" é tão raso quanto dizer que o dinheiro estar ligado a felicidade, não há receita, e a suposta falta de motivos (frescura) credenciam a existência deles. O problema é sério e a depressão é comprovadamente o mal do século aonde a gente percebe que séries como "13 Reasons Why" acabam prestando um bom papel de esclarecimento, independentemente de sua qualidade narrativa.

Em um mundo cada vez mais interligado, a quantidade quase que infinita de opções desnudam a desilusão e a solidão do ser humano. Creio que mais do que a depressão, o verdadeiro mal do século seja a indiferença, e a dificuldade de auto-crítica com o objetivo de se libertar dos conceitos arraigados, aquela tal "cartilha da vida" que nos diz no que acreditar e como acreditar.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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