Era o Peter Parker que nós precisavamos

segunda-feira, julho 10, 2017


Exatamente em 2000, quando o mundo deveria ter acabado, os X-Men sairam nos cinemas em toda sua grandeza. Já se passaram 17 anos desse fato, uma vida millenial em que Bryan Singer deu o pontapé oficial (e não inicial) no gênero de filmes de super-herói (uma taxação limitada por si só) que invadem os cinemas hoje em dia, e desde lá um ponto importante se estabeleceu: os personagens.

O lance da nostalgia é que automaticamente tomamos para nós o que gostamos e ainda mais se esse personagem se identifica com algum aspecto da nossa vida, logo, mexer com a nostalgia é mexer em um vespeiro; ao mesmo tempo que a gente quer que algo seja revisitado, não queremos que isso se altere. Estabelece-se ai um paradoxo. Queremos que o filme seja refeito, mas que não seja. Quem ama e se apega a alguma história, aposta a vida de que se ela for recontada, todos amarão a versão que você ama, no entanto, não funciona assim e é aí que entra o que chamamos de essência.

Todos os cinco filmes anteriores do Homem-Aranha foram lançados em um curto espaço de tempo se você pensar, a trilogia de Sam Raimi foi iniciada em 2002 e de Marc Webb dez anos depois. É 2017 quando "De Volta Ao Lar" reinicia tudo em nossas mentes e se não fosse o fato de a Marvel estar por trás da produção criativa, estaríamos com um pé atrás sobre o longa até aos 45 do segundo tempo já sentados na cadeira do cinema com aquele sentimento:

"Sério que vou ter que ver Tio Ben morrer novamente?"

"Grandes poderes trazem grandes responsabilidades né?"

Mas como eu esperava, "De Volta ao Lar" não é um filme sobre a história do teioso e sim sobre uma história do teioso. Ele não tenta apagar tudo que já rolou nas telas e nem recontar o que a gente já sabe, apenas introduz o Homem-Aranha de novo em nossas vidas e de uma forma conectada a geração atual que vivemos, afinal, já conhecemos aquele Peter Parker que perdeu o Tio Ben. 

Lembro que quando eu comecei a gostar desse mundo heroico o primeiro personagem da qual eu me liguei foi o Homem-Aranha. Muito mais do que o seu poder, via Peter Parker sendo apenas um homem com problemas iguais aos de muita gente e com problemas que tenho até hoje em dia. O desafio diário de colocar grana na porra da casa, lidando com chefe capitalista, dividindo o trabalho com os estudos, com problemas pra falar com a mina que gosta e lidando com gente idiota que ninguém se importa (Flash Thompson). E dentro desse contexto a pergunta que reside é: e se tivéssemos poderes? Com 15 anos, faríamos muita merda. E se o Peter Parker de "De Volta ao Lar" não trabalha, até porque é cedo pra isso e a tia May ainda é gostosa, ele conserva todos os mesmos aspectos que fazem o Peter Parker se o Peter Parker. Ele nos representa.

Peter Parker é um fotógrafo, agora é um youtuber; ele tinha o Tio Ben como bússola moral, agora tem o Tony Stark, aliás, Stark é o seu Osbourne da sua vida atual? Peter tem uma tela de celular na sua frente e é um adolescente impetuoso com poderes, hoje o cientista agora é ligado a tecnologia e vai saber se seu fluído de teia dará frutos a uma startup. 

Se personagens, heróis, tem a função principal de transportar o espectador para a tela dos cinemas pegando características do que chamamos de humanidade para tomarmos ele para nós, Peter Parker é esse personagem e ele conserva aquela mesma essência que da época que seu Tio Ben se foi: a humanidade.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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