Resenha Cinema: Homem-Aranha - De Volta ao Lar

segunda-feira, julho 10, 2017


Já sabemos quem é Peter Parker, e apoiado nessa ideia a Marvel o introduziu a Guerra Civil e a este "De Volta ao Lar"; subtítulo que é uma referência do lugar aonde nunca deveria ter saído.

Começando exatamente em Berlim aonde ele deu o ar de sua graça, o filme acaba recontando a entrada triunfal de Parker de outro ponto de vista. E é muito engraçado. Aliás é com esse bom humor, leve e simples, que o filme se apoia; de um adolescente lidando com a sua vida, ao mesmo tempo em que ele num universo crê que é agora um membro dos Vingadores depois do grito de Stark na Guerra Civil. E é isso.

Ele roubou o escudo do Capitão América, é um estudante do subúrbio, fez merda, está ali aprendendo, faz mais merda. É só observar que tudo no filme acontece rodeando suas decisões e más decisões, mas puras como de alguém que só quer salvar o dia e provar seu valor. Ironicamente, o personagem mais incorreto da Marvel, Tony Stark, é o responsável por frear o ímpeto do rapaz e dar conselhos muitas vezes sem nenhum sentido, responsáveis por aquele facepalm e conseguindo ensinar o ponto principal de como é ser um herói: ter limites, mas acreditar sempre em si mesmo.

Sendo o calcanhar de Aquiles de qualquer produção da Marvel, "De Volta ao Lar" conta com o melhor vilão da sua história cinematográfica. Recolhendo lixo alienígena Chitauri  temos um Abutre que tem realmente uma motivação crível para percorrer seu caminho e você entende o porquê de sua revolta e o porquê de ele buscar os meios que busca. aliás, sempre há algo maior e muitas vezes injusto, tanto para Adrian Toomes (Micheal Keaton) como para Peter Parker. Aqui, herói e vilão se diferem nas decisões tomadas e na visão de mundo do que se quer ser e o que quer fazer.

Tendo Ned Leeds (Jacob Batalon) como seu inseparável amigo que fica tão deslumbrado quanto ficaríamos se descobríssemos que nosso melhor amigo escala paredes, a ambientação da onde Parker vive acabou sendo perfeita.

O seu mundo é ainda muito pequeno, é cheio de limites como os de um adolescente de 15 anos e a realidade que ele precisa aprender a lidar é a realidade que é um moleque que ainda tem que resgatar o gato da árvore. Ele é o amigão da vizinhança que sai correndo pelos jardins alheios, ele não sai na frente de casa e dá de cara com Manhattan. Sua escola é digna de subúrbio e você acaba acreditando realmente que aquilo é verdade e se insere naquele mundo; é garotada, e mesmo com Tom Holland tendo seus 21 anos, ele e o roteiro captam a essência do herói que ainda não é herói e principalmente do que é aquele Peter Parker adolescente que tanto queríamos ver e que tão pouco foi explorado.


Resumindo, "De Volta ao Lar" não irá lhe causar aquele assombro de um verdadeiro blockbuster de super-heróis cheio de ação e a caralhada toda, até confesso que sai do cinema com a impressão de que o primeiro do Sam Raimi continuava a ser o melhor pois era o Homem-Aranha que eu conhecia com a MJ e a Tia May que conheço. Porém, heróis precisam carregar bandeiras do que são e isso vai muito além de rostos, e ao pensar nisso "De Volta ao Lar" fica cada vez melhor,

Contendo camadas que não vimos em outros filmes da Marvel, ela tornou realidade aquela nossa expectativa de que agora o Aranha "estaria em boas mãos". Ele é "gente como a gente", de um pessoal que dá vontade de abraçar (menos você Flash), essa é a essência de um Homem-Aranha que se aproxima de verdade ao espectador, a personificação do nerd que lida com SEUS dramas que você lida ou lidou, o que não cabe em outros heróis; e que como eles, no futuro irá aprender a lidar com muitos conflitos. Esse é o começo de tudo e de uma história em que quase não há fronteiras a serem inexploradas, de um Homem-Aranha high-tech na medida certa, conectado precisamente ao Tony Stark, e que não se afasta do herói que de verdade se aproxima do espectador de qualquer idade.

Carregando o frescor dos anos 80, esse reinício do cabeça-de-teia nos cinemas é certeiro a uma geração que ainda não conheceu aquele Peter Parker para se guardar no coração, logo, a nostalgia e a essência aqui se fazem presentes o suficiente para se tornar naquele filme que você irá guardar com carinho na memória.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários