Resenha Filme: Planeta dos Macacos - O Confronto

domingo, julho 09, 2017


Dez anos depois de "A Origem", em "O Confronto" vemos a humanidade tendo que se reconstruir após o vírus que dizimou grande parte da população mundial e agora humanos e macacos se dividem em dois lados distintos de pensamento. Parte dos humanos deve aos macacos às suas mazelas e parte dos macacos (personificada em Koba) tem no fundo um asco e um desejo de vingar aquilo que a humanidade os inflingiu.

A janela em "O Confronto" exemplifica bem a proposta do longa. Ao mesmo tempo em que a janela posta no quarto de Cesar (Andy Serkis) significa liberdade, tema já abordado em "A Origem", a janela aqui carrega a simbologia da transparência, da verdade e da dor.

Na história da Branca de Neve e a Madrasta conversa com seu espelho e ele diz o que ela quer ouvir, se substituíssemos o espelho pela janela, ela não teria alicerce algum para se apoiar e ela teria que lidar com a verdade de que ela não era aquilo que acreditava ser e que nem era o justo o que ela faz e fazia. Cesar meio que confronta isso em " A Origem".

Mas não, ele não é mau, ele só quer o que queria em "A Origem"; estabelecer seu canto e viver em comunhão com seus semelhantes. A janela que transparece o que ele sabe, seu passado com um bom homem e a dura realidade que os macacos tem exatamente o mesmo defeito dos humanos: a ambição.

Lidando com a causa e o efeito da realidade em que ele terá que lutar com a incapacidade de humanos e macacos em viver em comunhão, Cesar sabia que nem todos os humanos são ruins, mas a simbologia da janela e a sua escolha em visitar forçadamente a sua antiga casa em "A Origem" nos diz exatamente o que tudo o que aconteceu lhe ensinou sobre confiança, e como um líder que é cabia-lhe entender que a vida é muito mais que a sobrevivência de uma espécie, infelizmente.


A segunda parte da trilogia "Planeta dos Macacos" continua pisando no terreno firme que a primeira parte estabeleceu e com os mesmos defeitos vistos em "A Origem", se a parte dos macacos tem um aspecto humano e técnico absurdo, a parte humana carrega aqueles personagens clichês conhecidos nas mais simples histórias. Porém, a escolha do roteiro, como em "A Origem", foca sempre no outro lado, nos símios no caso. E se na primeira questiona sobre o prazer na supressão do semelhante, nessa segunda parte mostra até aonde o ódio pode ir nos levando a total extinção.

Com a realidade de guerras e confrontos que deixam dezenas e milhares de mortos, é mais que pertinente o questionamento de confrontar o semelhante independentemente se ele aparenta ou não com você. A diferença aqui não é ideológica ou a pele, são os pelos.

É preciso que sempre um dos lados pereça para acreditarmos que erros do passado simplesmente irão sumir?

Simples e direto, o roteiro de "O Confronto" nos diz como o confronto juntamente com a incapacidade de tolerância não nos leva a lugar nenhum, e isso vale para macacos e humanos, afinal, goste ou não somos separados apenas pela linha cognitiva e pela quantidade de pelos (exceto em Tony Ramos).

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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