Resenha Filme: Planeta dos Macacos - A Origem

quarta-feira, julho 05, 2017


A trama do filme é simples mas ela guarda muita coisa a se pensar. A parte "Origem" conta sobre a luta de Will Rodman (James Franco) em encontrar uma cura para o alzheimer (que sei pai é portador) numa indústria farmacêutica. Após vários estudos, o fracasso inicial com a AZ 112 e sua persistência sobre a cura, a melhora de seu pai com a nova versão AZ 113 é motivo para que o projeto seja reativado devido a ambição financeira do dono da marca. E após resultados satisfatórios em macacos, Will descobre que o remédio ao mesmo tempo que inicialmente é efetivo, aumenta a capacidade de cognição dos símios paralelamente ao fato de que é letal ao ser humano que entra em contato com o vírus, quer dizer, o efeito é curto e ele sofre uma neurogênese (formação de novos neurônios no cérebro).

O laço emocional do animal oprimido é o forte desse filme e Rupert Wyatt usa muito bem disso para puxar tantos outros questionamentos e críticas a sociedade moderna que a história originalmente trazia, tanto que é escancarada a nossa torcida aos macacos na (impressionante) batalha da Golden Gate para que finalmente eles encontrem seu lugar no mundo, tanto que o nome Cesar não é a toa, é o início da queda de um império como se desenrola no filme seguinte. 

Nós seres humanos não somos a espécie dominante do planeta por seremos mais evoluídos biologicamente, mas sim pela nossa inteligência. E a primeira parte humana guarda antipatia devido a arrogância e a ambição de um capitalismo selvagem que guardam processos violentos contra os símios como contra quaisquer outras especies inferiores, tanto fisicamente como psicologicamente, e uma cena emblemática disso é no início que a mãe de Cesar morre devido a falta de compreensão da biologia dela e do entendimento do que é um ser vivo morrendo apenas como mais uma. É da raiva de Cesar que nasce o motim.

Goste você da ideia ou não, descendemos dos macacos; e em virtude de nossa inteligência temos tanto a incrível capacidade de reinventarmos nosso espaço no mundo tão quanto de inferiorizar qualquer espécie que não seja como nós, e até a nós mesmos, se a cor ou orientação social são diferentes entre duas pessoas. 

Somos uma espécie criada através de nossas diferenças e que cultua o domínio justamente por elas. E baseado na obra de Pierre Boiulle, a nova versão cinematográfica de "Planeta dos Macacos" traz à tona a questão do que aconteceria se deixarmos de sermos únicos contando com uma outra espécie que iguale nossa inteligência, portanto, a nossa capacidade de dominar. 


A certa altura do filme Cesar num passeio no parque se depara com um casal com um cachorro e ele está na coleira como ele, provocando uma reflexão de seu lugar no mundo, afinal, do que adianta essa inteligência superior e a capacidade de ser o que os outros não são se ele não se sentia parte da sociedade que vivia, desprovido de liberdade simbolizada por essa coleira? Porque sou obrigado a me relegar? É desse sentimento de estranheza que gira grande parte da trama do prelúdio ao "Planeta dos Macacos" de 1968 que conhecemos, e ao contrário até desta versão e principalmente da versão teatral (e ruim) de Tim Burton estrelada pelo inexpressivo Mark Wahlberg em 2001, utiliza do emocional para vencer a barreira do que na palavra fria se julga como diferente.

Se James Franco e os outros atores não são capazes de dar intensidade a primeira parte do filme com uma atuação automática que faz até ter uma antipatia pelos humanos, felizmente na segunda parte que foca-se na ascensão de Cesar, Andy Serkis entrega o melhor trabalho de sua carreira. Nos sentimos oprimidos como os símios e a entrega de Serkis é fundamental nessa parte. Graças a magistral CGI empregada no filme e que não o deixa em nenhum momento datado mesmo seis anos depois, o trabalho de Andy Serkis ao personificar Cesar é simplesmente perfeito ao utilizar das expressões faciais e principalmente do olhar, para traduzir tudo aquilo que Cesar tem a dizer tornando esse prelúdio a história que conhecemos como o início de uma trilogia definitiva.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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