Resenha Série: Blindspot (1ª e 2ª Temporadas)

quarta-feira, julho 19, 2017


Quando Jane Doe (Jamie Alexander, um desrespeito de tão linda) é encontrada dentro de uma mala no meio da Times Square completamente tatuada e sem memória pelo agente do FBI não tão carismático Kurt Weller (Sullivan Stapleton), a gente fica tão perdido quanto Jane. Quem apagou sua memória? Por que das tatuagens? Da onde ela veio? Por que o nome de Kurt estão escrito nas costas de Jane? O que ele tem a ver com tudo isso?

No esquema de caso da semana, a série criada por Martin Gero prende muito bem o espectador nessa curiosidade constante de mais dúvidas que certezas, fundamentais em qualquer história policial e de mistério, que através das tatuagens e das memórias recuperadas de Jane revelam uma intricada trama conspiratória com crimes que envolvem FBI, CIA e o alto escalão do Governo americano mexendo com aquele misto de imaginação e dúvida que todo cidadão tem com o Estado: até aonde ele vai para nos proteger, e se realmente ele nos protege? Aliás, quanto custa nossa liberdade?

Na primeira temporada graças às tatuagens de Jane, "Blindspot" mantém um ritmo alucinante e não perde o fôlego, isso dura até os primeiros dez episódios da segunda temporada com a revelação da Sandstorm. Curiosamente pelo mesmo motivo ela se perde.

Não que a sensação de urgência e tensão tenham sumido, mas devido a necessária ampliação no elenco, "Blindspot" se polarizou, criando as famigeradas "barrigas" que séries televisivas carregam. Concentrando-se por vez em tramas paralelas como a de Patterson (Ashley Johnson) e a de Edgar Reade (Rob Brown), usando de clichês absurdos simplesmente para continuar a caçada e resolvendo tudo nos três episódios finais, a série assumiu um clima de "novelão" estabelecendo de vez dois lados distintos, Sandstorm x FBI, perdendo assim (pra mim) um pouco da complexidade que o assunto tinha na temporada anterior em que a série não taxava o vilão como vilão, preferindo deixar para o espectador discutir consigo mesmo o papel o certo e errado de cada um dos lados.


Séries policiais são meio que "engolidas" no cenário atual das séries devido a tantas opções e excelentes opções por sinal, então não só tais séries precisam de boas histórias, mas histórias que prendam quem assiste o tempo suficiente por longos e cansativos 23 episódios.

Já reclamei disso aqui, mais de uma vez e por menos episódios (The Walking Dead), mas o formato "novelístico" que a TV aberta norte-americana (NBC) utiliza com episódios que percorrem boa parte do ano cansa as próprias séries que poderiam poupar paciência e ter histórias bem mais condensadas, logo, melhores.

Sim, entendo o formato, pois são para um público diferente do que consumiria um "The Leftovers", mas faça um exercício, imagine "Game of Thrones" (não assisti, me julgue), a "The Leftovers" que citei ou as séries da Netflix com essa quantidade de episódios. Provavelmente elas sobreviveriam. Possivelmente com os mesmos índices de audiência. Mas convenhamos, grande parte da excelência da HBO no assunto se deve a esse pacote fechado que transformam séries em eventos, sem uma fall-season ou o uso de ganchos baratos pra aguçar a curiosidade do espectador e creio que "The Walking Dead" por exemplo vive uma encruzilhada justamente por isso e a anos.

"Blindspot" é uma grata surpresa com uma história que conseguiu prender minha atenção sem me cansar tanto (ouviu The Flash?). Apesar de "barrigas" que ficam evidentes na sua segunda temporada, causando a natural queda de audiência e por consequência a ameaça de cancelamento que ameaça séries que adotam esse formato, a série de Martin Gero segura a bola pra uma terceira (prevista para outubro desse ano) deixando a pergunta: com o suposto "fim" da Sandstorm "Blindspot" irá para que caminho? Ou ela "renova" história ou se torna mais uma "The Following" que teve uma primeira temporada boa e outras duas desastrosas, com Roman (Luke Mitchell) simplesmente assumindo o lugar da sua mãe Shephard (Michelle Hurd).

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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