Resenha Série: Castlevania

terça-feira, julho 11, 2017


O que logo chama a atenção na animação de Castlevania - além de sua curtíssima duração - é que não vemos um antagonista, quer dizer, o "preto no branco" no popular. Por motivos óbvios, Drácula nos games era aquele inimigo claro, mas na animação há nuances e ela serve para contrabalancear a disputa entre crença x ciência que perdurava no século XV e na região da Wallachia (existe e é uma província da Romênia).

Era o auge da Idade Média. Cercados pela bela arquitetura gótica com suas altas torres que tentavam alcançar os céus, a época é conhecida como a idade das trevas, aonde o conhecimento era criminalizado em favor da vontade de Deus, logo, a Igreja tinha a autoridade de Estado e era a responsável por ditar o certo e errado.

Com o acesso ao conhecimento sufocado pela religião, Drácula é pintado no início da série até como "mocinho", mesmo sendo o responsável por liberar o mal sobre o mundo tomando ao longo dos episódios como sendo no final o inimigo a ser combatido. A morte de sua esposa Lisa por causa de seus métodos científicos desencadeou todo o ódio de Drácula sobre a Wallachia porque ele julgava que a superstição religiosa era na verdade a responsável direta por desencadear todo o mal no mundo, não ele.

Desmedida e até caricata como em toda animação, o conceito da violência sintetiza a discussão da série como um todo. A frase dita por um dos personagens após ser salvo pela Igreja, "Usar de violência não era necessário, senhor. Mas eu gostei.", atesta de que a natureza do ser humano é irrevogável e só a luz do conhecimento é capaz de alterar essa visão de naturalidade sobre isso. Contando com um Trevor Belmont que teve sua família caçadora de vampiros perseguida e excomungada da Wallachia após ser acusada de incitar a magia negra, não é de se surpreender que no fundo ele não se importe com ninguém.


Escrita por Warren Ellis e com apenas 4 episódios com cerca de 25 minutos de duração, a animação deixa um gostinho de quero mais, principalmente em quem a esperava com a duração tradicional de séries da própria Netflix com doze ou catorze episódios. No entanto, animações são caras de fazer, e com essa nova política da Netflix que resolveu gastar seu dinheiro de forma menos desenfreada não é de se surpreender que a série animada de Castlevania tenha apenas essa quantidade episódios, linha que a já anunciada série animada de Assassin's Creed creio que também seguirá.

Com toda certeza há muito potencial nesse mundo animado a ser explorado e a Netflix está "molhando os pés" para ver a reação do público. Tendo um retorno positivo de audiência (e terá, pois Castlevania foi capaz de manter sua essência ao mesmo tempo em que engloba aquele cara que não acompanhou a história nos games), com toda certeza projetos como esse se expandirão para outras tantas franquias, tanto que já citei AC e Castlevania terá outra temporada em 2018. Resta aguardar até lá, já que com a aparição de Alucard no último episódio deixou aquela sensação de coito interrompido. Mas tá, a gente entende. =)

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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