Netflix diz: Brasileiro prefere série dublada!

quinta-feira, agosto 03, 2017


Ontem a Netflix resolveu medir essa briga pela primeira vez na história desse país e constatou o óbvio de quem percebeu que o acesso maciço da classe média na tv a cabo massificou o conteúdo dublado pelos canais: brasileiro curte mesmo é conteúdo dublado. No entanto, é importante perceber que isso varia de série pra série, logo, de público pra público.

Segundo o VP de  produtos da empresa, Todd Welling, Enquanto em "13 Reasons Why" mais de 80% dos assinantes preferiram ver o conteúdo dublado, em contrapartida em "House of Cards" cerca de 50% preferiu assistir ela em seu idioma original.

No que isso é relevante? Em muita coisa meu caro amigo. Se antes não tínhamos opção como poderíamos consumir o conteúdo da nossa preferência, hoje temos e a Netflix pela primeira vez mostrou uma medição dessa brincadeira. Tanto que a empresa divulgou que a recente série "Ozark" de Jason Bateman contando legendas e dublagens chegou em 25 idiomas, com potencial pra atingir 28.

A discussão é eterna e mais antiga que o nascimento do Silvio Santos. Dublado ou legendado? Um lado acusa o outro de ser metido a intelectual e o outro acusa um botando a culpa "na nação que não gosta de ler porque dá sono".

Não estou aqui pra desmentir isso também, até porque já ouvi tal coisa. Somos um dos países que menos lê livros no mundo (além daquele que odeia ciência) e isso vai muito além do suposto misto de acomodação e preguiça natural do ser que aprendeu a ficar calado em frente a televisão, é uma questão cultural, tal qual a própria televisão se tornou um fator educacional pra calar a criança birrenta enquanto a mãe trabalha. Contudo, essa não é a discussão aqui. O fato é que a dublagem brasileira é excelente e fácil uma das melhores do mundo, com grandes profissionais como Guilherme Briggs, Wendel Bezerra, Cecília Lemes, Orlando Drummond, Nelson Machado, Márcio Seixas e Flávia Saddy só para citar alguns.

Pelos nomes talvez a gente não reconheça, então é melhor dizer Superman, Goku, Chiquinha, Darth Sidious, Seu Sirigueijo, Leslie Nielsen e a Mulher-Maravilha da cremosa Gal Gadot. Nos identificamos com os personagens, crescemos e vimos a filmes maravilhosos juntamente a eles, ou alguém imagina o Bruce Willis com outra voz a não ser de Newton da Matta? Ou pense no Micheal Kyle (Paulo Vignolo) e no Charlie Harper (Marco Ribeiro) e compare o idioma original com suas dublagens excelentes. Quase não há diferença.

A dublagem brasileira é um verdadeiro patrimônio que funciona como as legendas .srt que a gente baixa e é fundamental reconhecer isso apesar da sua preferência pessoal. E creio que pelos personagens citados, você tenha o mínimo de bom senso antes de dizer o mantra que a "dublagem brasileira é um lixo e que por isso prefere ver filme legendado".

Não tem certo e nem errado nessa história, vale ficarmos felizes pelo o que consumimos. E eu? Bom, prefiro sempre ver meus filmes e séries em seu idioma original. Preferência? Sim. Repulsa? Absolutamente não. Na minha cabeça poucos, pra não dizer nenhum dublador, conseguirá transmitir a mesma emoção contida na voz do ator ou atriz. É algo insubstituível e por mais que a dublagem seja competente, pra mim é inegável que o peso da interpretação de um ator acabe sendo perdido nesse processo, assim como interpretações e figuras de linguagens são perdidas em um processo de tradução.

Contudo, isso é preferência, passa longe de convencimento. A pesquisa da Netflix é um ponto curioso, mas serve pra ela, para as tvs tradicionais e pra você perceber como é importante o processo de poder escolher como a gente que ver o que a gente quer ver. Sorte a nossa e estupidez de quem fica com birra.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários