Resenha Cinema: Dunkirk

segunda-feira, agosto 07, 2017


Dando um breve panorama, com Churchill ainda recém-empossado como primeiro ministro, ele contrapunha pessoas próximas e a França ao se negar a cogitar a ideia de negociações de paz com Hitler pois para ele nações que caiam em pé poderiam triunfar, não aquelas que se rendiam dócilmente. Porém, dia após dia, as notícias vindas da Força Expedicionária Inglesa eram desalentadoras, e com isso o nacionalista e conservador Churchill foi obrigado a retirar-se. Ele ficou conhecido com a frase de que "retiradas não ganham guerras", porém com o acontecido em Dunquerque ele se viu obrigado a prestar uma profunda reflexão.

Em maio de 1940 se escreveu talvez a página mais bonita, tensa e decisiva da Segunda Guerra.

Naquela altura, Hitler varria a Europa tal qual uma "faca quente na manteiga". Pelo ar e pela terra 500 mil soldados alemães vindos do Mar do Norte varriam a França de De Gaulle, ilusoriamente protegida pela falha na construção da "Linha Maginot" empurrando franceses, belgas e ingleses para Dunquerque.


Com a invasão Hitler literalmente rasgava o Tratado de Versailles e era questão de tempo para a Inglaterra cair. Porém, enterrado pelo tempo, ninguém saberá afirmar o porquê Hitler mandou, a contragosto de alguns, as suas tropas descansarem apenas à 18km da praia de Dunquerque. Há várias teorias, uns falam sobre cansaço das tropas alemãs após um avanço tão rápido e surpreendente, outros dizem que Hitler vislumbrava um trunfo ter a França na mão nas negociações com a Inglaterra, ou simplesmente apontam um surto de magnanimidade do Führer que já se achava deus. Talvez as três possibilidades façam sentido.

A questão é que se não houvesse o milagre de Dunquerque, talvez o mundo que conhecemos seria completamente outro; afinal, com o domínio alemão na Europa aonde os EUA iriam se enfiar contra um Eixo que seria poderosíssimo, sendo que o país só foi para a guerra depois que Churchill os convencera.


Desesperador. Tenso. Urgente. "Dunkirk" faz suas quase duas horas passarem depressa. No ar e na terra, pedaços narrativos se contrapõem a idealização heroica da guerra. Estava salvo pela cadeira, mas sobrevivia juntamente com os soldados, corajosos e covardes, que no meio do mais puro silêncio nadavam e corriam de tiros e bombas dependendo de barcos civis de todos os tipos para terem suas vidas salvas. Um milagre da Operação Dínamo, pois Churchill inicialmente queria pelo menos 30 mil no final de maio, a Força Expedicionária esperava 150 mil. Foram mais de 300 mil soldados resgatados até os primeiros dias de junho, que foram surpreendentemente aplaudidos na volta pra casa apesar da derrota.

Churchill ali definitivamente unia a Inglaterra contra Hitler.


"Dirkirk" reafirma Nolan a aquela categoria dos diretores que são autorais com carta branca para fazerem o que quiserem, pois são capazes de unir pessoas como eu que adoram história a aquelas pessoas que mal vão no cinema.

Num gênero tão desgastado como a guerra aonde sempre acompanhamos a história fictícia ou real de alguém que acabou fazendo história, "Dunkirk" ignora todas as fórmulas utilizadas anteriormente e entrega o que há de melhor no cinema de Christopher Nolan: o realismo, o que por exemplo o fez gastar 5 milhões de dólares em aviões simplesmente para explodi-los.

Graças a Nolan que nos deixa no centro da ação e a trilha certeira de Hans Zimmer que faz um avião passar por cima de nossas cabeças, me sentia dentro daquele caos, onde após refletia que aquela experiência valia muito mais que qualquer 3D mequetrefe que eu poderia pagar, e com um adendo, sem óculos!

"Dunkirk" é um filme para se ver no cinema e só ali, na maior tela possível no melhor cinema da cidade. Um espetáculo visual e sensorial construindo um verdadeiro espetáculo unindo o século XX ao XXI, provando que experiência do cinema é absolutamente insuperável.

Nas palavras de Ken Stordy, 97 anos, convidado para a sessão do filme e um dos sobreviventes de Dunquerque:

“Foi como se eu estivesse lá novamente”

Quem é você para dizer o contrário?

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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