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Resenha Cinema: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

segunda-feira, agosto 14, 2017


"Valerian" transborda referências e fãs de Star Wars logo irão percebê-las quando as criaturas de diversas formas e cores tomarem conta da tela na sequência no mercado, onde o clima desértico do planeta se alterna com a outra dimensão povoada e caótica vista somente colocando um óculos; ou mesmo logo no início quando são mostrados os Pearls no seu planeta natal Mül em um clima praiano e extremamente colorido que lembra Avatar. Lembra Mos Eisley. Não é a toa, "Valerian et Laurelline" é uma HQ francesa criada pela dupla Pierre Christin (roteiro) e Jean-Claude Mézières (desenhos) nos anos 70 e o início do que conhecemos da space opera que conhecemos de Star Wars. Só por aí já empolga, e como fiquei sabendo disso depois na pesquisa que fiz pra fazer essa resenha que você lê, me decepciono profundamente com o potencial desperdiçado. 

A premissa é boa. No ano de 2740, como disse, a nave Alpha é liberada da órbita da Terra devido a seu tamanho ter alcançado níveis gigantescos. Criada a décadas atrás, a base espacial serviu como ponto, como a Estação Espacial serviria hoje, para a colonização de outros planetas e ganhou também o mérito de integrar outras civilizações do Universo. É como um bela pousada só que com a diferença que as mais de 8 mil espécies extraterrestres não estão ali para passar férias e sim para criar um bem comum, resumindo. a base Alpha tem como intuito diplomático sobre a troca de informações, tanto científico como filosófico, entre os seres e a história deixa isso bem claro.

O Major Valerian (Dana de Haan) e a Sargento Laurelline (Cara Delevigne) são dois agentes espaço-temporais que a bordo de sua nave Intruder cruzam o espaço para realizar as missões que lhe são confiadas pelo Governo dos Territórios Humanos. Bom, se Valerian é um tipo de Han Solo - a Intruder lembra bastante a Millenium Falcon - Laurelline estaria para uma Chewbacca com a Princesa Léia. Mas lembra do lindo planeta Mül? Claro que os humanos fizeram merda devido a seu Comandante (Clive Owen) com o nível de babaquice à la Trump, e aí os dois moleques tem que desfazer isso de alguma forma ao mesmo tempo em que os Pearls dão a lição de perdão e amor, aliás eles roubam a cena, não só pelo seu visual e características próprias, mas sobretudo pela empatia que o casal de protagonistas não tem em nenhum momento; algo que Chewie e Han Solo entregam a cada segundo.

Enquanto o início com trilha do clássico "Space Oddity" do David Bowie ao fundo enquanto um satélite surge na tela ainda quadrada e esta se amplia a medida em que as décadas vão se passando para contar como uma estação espacial construída pelos humanos ganha vida com o contato de seres de outros planetas, Luc Besson dá uma aula de como introduzir "Valerian" de forma simples e concisa de uma forma singela.  A proporção de tela une passado e futuro, e a trilha dá toda a sensação de prosperidade contando sem nenhuma palavra tudo que era necessário para você se situar na história. O universo ali chega a seu ápice quando a estação é liberada da órbita terrestre para viajar no espaço infinito. 

Luc Besson sabe como criar visuais fantásticos, "O Quinto Elemento" tá aí pra comprovar, e em "Valerian" não é diferente. É só ver o trecho em que Valerian atravessa paredes passando por diversos ecossistemas e demonstrando a riqueza visual das civilizações da nave Alpha para se empolgar com a experiência gamer. Lembra de "Sucker Punch"? Tipo isso. 

Seu roteiro se torna sofrível a partir do ponto em que este se força o relacionamento amoroso entre os protagonistas, que até poderia existir, mas se Luc na parte de "Space Oddity" nos introduziu bem ao universo de "Valerian" ele parece que esqueceu de introduzir os dois, pulando da parte da canastrice do Major Valerian para "você quer casar comigo?". 

Luc aqui pareceu escolher o amor pela HQ e seu visual ao invés de desenvolver um pouco mais seu casal de protagonistas além do início do filme, restando assim as caras de bocas no caso de Laurelline e a arrogância de Valerian, curiosamente restando aos dez minutos da Rihanna o carisma que faltou para os dois. Portanto, o que poderia se tornar um filme com algo a mais, mesmo que este não revolucionasse o gênero, acabou por ser aquele filme apressado e pipoca da Sessão da Tarde. Aquele "filme nada" com um pôster de cabeças flutuantes, mais um filme que você acaba esquecendo no dia seguinte.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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