Resenha Filme: Café Society

sexta-feira, agosto 11, 2017


Com mais de quarenta produções no currículo (e contando). Woody Allen tem uma filmografia vasta, tanto que somos obrigados a visitar links de listas na internet pra saber qual o próximo filme do cineasta judeu a ver. 

No entanto, convenhamos. Salvo algumas exceções, ele é um belo exemplo de cineasta de caixinha, tipo o AC/DC que faz a mesma música. O que não é ruim pois vai bem além de uma simples característica - como Micheal Bay e suas explosões - sendo um modo de pensar e refletir sobre a vida. Por isso ele é tão "ame e odeie" entre o público (e faço parte do primeiro grupo) sendo o confronto entre PT e PSDB do século passado. 

Os esquemas de seus filmes costumam serem os mesmos e o amor do homem comum e mundano toma conta da tela, a recorrência à filosofia esclarecendo a pura noção - trágica na maioria do tempo - de que a vida continua e, parafraseando um de seus melhores filmes, de que tudo pode dar certo. Transparecendo muito do que Woody vive ou viveu - sendo ainda mais hilário quando ELE mesmo era esse homem na tela - e ganhando aquele significado comum de o que o cineasta faz, mesmo abaixo da sua média, é muito acima da média do que os outros fazem. O de que de tempos em tempos retornando a ideias tão apaixonantes e simples, mesclando atores tão improváveis que ainda assim acaba dando certo, como o comediante Steve Carrell, a insossa Kristen Stewart (até que ela tá legalzinha aqui rapaz), e o bobão Jesse Eisenberg, e deixando aquela sensação em mim de que o Woody Allen sempre será um dos melhores cineastas da atualidade.


A estrutura de "Café Society" contém a mais linda fotografia que pude ver em um filme nos últimos tempos. Ambientado na década de 30, a trama gira em torno de Bobby Dorfman (Jesse Eisenberg) que sai de Nova York para Hollywood a mando da família tipicamente judia, pra trabalhar com seu tio desconhecido e que nem faz ideia de quem ele é, o produtor de cinema Phill Stern (Steve Carrell). 

Envoltos pelo clássico espírito american way of life que permeava a América na primeira metade de século passado com personagens bem característicos da época, a família judia e o gângster de um lado, e os nobres e endinheirados com a luxúria e a frescura da glamourosa Hollywood aproximados meramente por ser gente de bem, humanos, separados entre bem-sucedidos e fracassados. Duas sociedades separadas, dois sonhos a serem atingidos. Assim os dois viviam a excitação de uma Hollywood cheia de brilho, cada um a sua maneira e a sua velocidade. Mas tudo muda quando Vonnie (Kristen Stewart) a secretária de seu tio Phill aparece. 

Logo Bobby se apaixona perdidamente por ela a medida que eles sempre saem juntos e tem a desilusão na mesma velocidade em que ele descobre que na verdade ela é amante de seu tio, voltando para Nova York para colocar em prática tudo o que "aprendeu". "Café Society" reflete sobre a dor da escolha, a de Vonnie, que amando duas pessoas de formas diferentes escolhe a mais bem sucedida, a segura em contraponto da incerta.

É aí que "Café Society" começa a ter seu verdadeiro desenho como comédia de desilusão amorosa. Além de nomear o Café que Bobby gerencia, por detrás de todo sucesso e todos os sonhos, o filme revela que tanto para Phill e Bobby há a dor de que algo falta, Vonnie. Aquela que a fotografia faz questão de iluminar, e que para Vonnie falta tudo. Sobra arrependimento, sobra certezas.

Na mesa de jantar a família de Bobby proclama que o amor simplesmente acontece, e sim, é isso. Allen demonstra pelo seu Café que a vida acaba continuando para todo mundo, e que para Vonnie e Bobby, os sonhos são apenas sonhos. 

Como Platão disse e Woody Allen replicou: "Uma vida não examinada, não merece ser vivida."

E o filme termina assim, com olhares distantes.

(...)

Outras críticas dos filmes do Woody que já fiz aqui pro Descafeinado:

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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