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Resenha Série: Os Defensores (1ª Temporada)

domingo, agosto 20, 2017


Logo que foi anunciada a parceria com a Marvel estava claro o direcionamento que a editora queria para o seus personagens. Com o ambiente televisivo, era óbvio que o objetivo da Marvel era colocar seus personagens mais obscuros e urbanos (e desconhecidos exceto o Demolidor) em um ambiente onde eles poderiam ser mais bem desenvolvidos, sem a amarra que o cinema iria representar à sua natureza. Personagens humanos com dilemas ainda mais humanos, observando de binóculo o que aconteceu em Nova York na primeira reunião dos Vingadores, só que tentando sobreviver dia-a-dia.

A ameaça aqui é o Tentáculo, uma organização milenar mundialmente ligada ao crime organizado liderada por Alexandra (Sigourney Weaver), que tem como objetivo raptar e tentar extrair o poder que o Punho de Ferro adquiriu na sua estadia na mística cidade de K'um L'um para a sua própria cura, revivendo a Elektra (Elodie Young) para isso. Lembra a guerra da qual Stick (Scott Glenn) tanto alertava nas suas aparições na série solo do Demolidor? Pois bem, é isso.

Uma coisa que chama bastante atenção em Defensores são o uso das cores. Salvo algumas forçadas de barra, principalmente na reunião deles no restaurante chinês em que faz o lugar parecer uma boate, o artifício foi usado de forma esperta e criativa, dando aquele ar de reunião que a série representava. É importante observar que a série inicia-se colorida, mesclando o noir da Hell's Kitchen de Matt Murdock (Charlie Cox) e Jéssica Jones (Krysten Ritter) com o ambiente mais alegre de Danny Rand (Finn Jones) e a Harlem de Luke Cage (Mike Colter) e é após esse ponto do restaurante que ela termina mais sombria, com as cores mais discretas; como se quisessem representar a gravidade do desafio que os quatro tem de enfrentar com a Nova York e até consigo mesmos.

Matt tenta fazer seu mundo mais justo mas enfrenta diariamente o quão isso pode ser conflituoso com sua vida normal. Jéssica tem um passado da qual quer esquecer, sofreu um abuso mental e reluta diariamente em aceitar a si mesma. Luke convive com a injustiça de um Harlem subjulgado pela sua cor e classe social, e se ele usa seus poderes, é contra a seu gosto. Já Danny, o que tem a história mais batida, é aquele herdeiro de pais ricos e de conglomerado de empresas que foram mortos por uma organização; se ele sabe qual é seu objetivo, em sua série observamos que ele precisa domar a sua personalidade e encontrar um lar para recomeçar.


Tanto Matt, Jéssica, Luke e Danny tem similaridades claras entre si e cada um deles está buscando o seu norte de alguma forma. Pessoas extremamente diferentes com um objetivo em comum salvar a sua amada cidade. Os Defensores é uma série que vai direto ao ponto e a total falta de sinergia entre eles é o que ela guarda de melhor. Quer dizer, todos sabem o que estão lutando contra, mas dado a construção de cada um deles e dos milhares de percalços que cada um superou, a falta de confiança se torna latente, a sensação de urgência do problema ainda mais, e a ironia cínica (especialmente de Jéssica) acaba ganhando protagonismo; favorecendo assim a falta de inspiração nos diálogos que possamos interpretar.

Matei a série em um dia. Curta, com apenas oito episódios; a série se mostra um grande acerto em se provar extremamente dinâmica e sem a necessidade de ter assistido às séries solo de cada um dos personagens.

Com dois episódios logo dando na cara a necessidade da união dos quatro e a Claire Temple (Rosario Dawson) sendo a "cola" necessária pra que isso aconteça, a série se destaca através de como a produção conseguiu ter cuidado com as diferenças de seus personagens. Nesse ponto aliás, muitos criticam a "falta de inspiração" das cenas de lutas dos personagens, contudo, exceto Matt e Danny, tratamos sobre dois personagens que se destacam justamente pelo o que não querem fazer; o que injustifica qualquer queixa sobre e acaba em contrapartida validando a habilidade na montagem de coreografia e filmagem de tais cenas, seja em dupla ou não.

Cada um dos Defensores tem uma personalidade bem específica, e a medida em que a série solo de cada um foi saindo, fomos vemos o quão isso poderia ser interessante quando a série dos quatro reunidos acontecesse.

Tendo Demolidor como o seu personagem bem mais desenvolvido com duas temporadas, restava Jéssica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro equilibrar essa equação e manter o brilho equivalente ao Demolidor. E a Netflix cumpriu muito bem essa tarefa, salvo algumas ressalvas de roteiro e limitações de efeitos especiais que a própria gigante do streaming tem, com uma série enxuta e deliciosa que soube conversar com a personalidade de cada um dos atores e até conseguiu melhorar o que (nem) vimos em Punho de Ferro - apesar de não fazer milagres também.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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