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Resenha CD: Foo Fighters - Concrete and Gold

domingo, setembro 24, 2017


Quando "Sonic Highways" foi lançado, muita gente criticou o desvio desse caminho mais "rebelde" pelo qual a banda ficou famosa devido ao experimentalismo e a pretensão que o álbum tinha de soar mais que o Foo Fighters era, porém, nisso eu também enxerguei que a banda naquele momento tinha o objetivo - e cumpriu bem - de mostrar ser uma banda madura, acima de uma formula pronta do rock. Aliás, foi ali que eu vi a consagração final através de algumas faixas como a "Congregation", por exemplo.

"Concrete and Gold" segue por este mesmo caminho. Contudo, aqui ficou a impressão de que eles são bons mesmo fazendo o "arroz com feijão" e de que esse gostinho se perdeu aqui; como se o fundo do arroz tivesse queimado na panela e o feijão tivesse apimentado demais.

Mas rapaz, falar de música é muito complicado, até por isso deixei bem de lado as postagens resenhando álbuns, pois vi que era de certa forma construída por uma análise deveras automática demais em suas resenhas e eu entendo que a música não é feita disso, portanto, resolvi falar de alguns álbuns pontuais. Bom, apesar de eu entender o caminho musical que o Foo Fighters resolveu trilhar, o sentimento que "Concrete and Gold" deixou em mim foi de uma exagerada pretensão.


Na minha concepção, quando intitulamos uma banda como "madura", é por justamente ser perceptível o bom tato de serem capazes de transitar entre as vertentes do rock (no caso) sem precisar provocar uma mudança radical no som pelo qual ficaram consagrados e a um bom tempo o Foo Fighters embarcou nessa trilha; mas em "Concrete and Gold" ficou a sensação de ouvir uma banda perdida e desesperada por transitar entre os estilos tal qual como se fizesse uma espécie de best of do rock do novo milênio.

O que não é ruim, pelo contrário, vai agradar em cheio o pessoal mais jovem e alternativo. Digo que há sim sons bons por ai e até dá uma sensação gostosa de ouvir o álbum, mas não é inesquecível e com a cara da banda. A vontade de dar repeat em uma faixa inexiste e a sensação que ficou é de 'Concrete and Gold" ser um álbum "nada" ao seu final apesar de boas faixas. Como por exemplo, o verdadeiro bate-cabeça de "Run"; da moldada para os estádios "Sky is a Neighborhood" e de "Laa Dee Da" que demonstram um Foo Fighters ainda diferente, porém reconhecível; e na "Dirty Water" que parece querer recuperar a alma de "Big Me", mas sem o mesmo carisma.

O Foo Fighters continua uma das minhas bandas prediletas e o Dave Grohl continua sendo o Lemmy Kilmister da nossa década, contudo, é superestimada demais e ele não é o Lemmy e o Lemmy não é ele. Então apesar de ele ser o cara legalzudo que empunha a bandeira da "salvação do rock", Dave e sua banda são tão passíveis de críticas quanto qualquer outra banda.

Agora é aguardar a visita da banda no Brasil.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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