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Resenha Série: Chef's Table (1ª Temporada)

terça-feira, setembro 19, 2017


Eu abordei na resenha que fiz da série documental "Cooked", também disponível na Netflix, como o ato de cozinhar se tornou um espetáculo. E uma das coisas que a série baseada no best-seller de Micheal Pollan também aborda, é o fato de adorarmos tanto ver os outros cozinhando mas em contrapartida odiarmos fazer isso devido muito à vida moderna que levamos.

Ao longo dos seis episódios da primeira temporada, nós entendemos porque verdadeiramente se cozinha e como ela é feita acima de tudo por paixão. É traçando um paralelo com a comida e as nossas próprias vidas que a série constrói o seu grande diferencial, escolhendo apostar o seu roteiro na total humanização dos chefs, que são acompanhados por uma fotografia fantástica em cada montagem de seus pratos, com closes de câmera servindo para enfatizar o fato que o trabalho gastronômico é também uma obra de arte das mais democráticas.


David Geib busca quebrar um pouco do preconceito que a profissão ainda enfrenta (mesmo com todos os Masterchefs da vida) por pessoas que julgam a comida como simplesmente o fato de se alimentarem e não também aguçarem os sentidos, julgando tal como frescura desnecessária.

Em "Chef's Table" entendemos as diferenças na forma em que cada um cozinha e diferentes tratamentos sobre a comida, mas sobretudo na forma de como todos eles são unidos pelo mesmo amor pela gastronomia e nos pequenos detalhes defini-la como uma arte de exercitar o próprio espírito no que se refere a construção de caráter, seja apegado com a sua cultura de Modena como Massimo Bottura, ou justamente o contrário, como Francis Mallmann, que exalta o espírito livre; colaborando assim para que a série nunca caia na monotonia ou pedantismo trazendo lições que são aplicáveis às nossas próprias realidades, como o forte exemplo de Niki Nakayama que enfrentou à sua família e o preconceito alheio que sofreu em Los Angeles ao se apresentar como chef.

Ao final da temporada se entende que entrar em um restaurante desses não é só para comer, é para sentir. É como a arte, aonde questionar a sua validade é justamente se contradizer sobre o própria compreensão tem-se sobre a liberdade humana. A comida, o alimento, é a manifestação dessa liberdade e do esforço em busca da perfeição e da perseverança, também se relacionando diretamente com "Cooked" quando Micheal Pollan nos diz que a comida é uma manifestação de carinho e de respeito.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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