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Resenha Série: Narcos (3ª Temporada)

domingo, setembro 10, 2017


Pablo Escobar foi capturado e morto em 1993. Contudo, sua imagem como mártir, uma espécie de um Robin Hood às avessas, ainda permanece intacta na mente quem pode até não concordar com a ação de um dos cartéis de cocaína mais sanguinários que se teve notícia, mas observa Escobar da lupa de Maquiavel onde os fins justificam os meios. Em Medellin, sua cidade natal, ele é visto até hoje como um homem querido, um pai de família e de bom trato com todos, muito mais presente e ativo que qualquer governante colombiano. Foi o que Narcos tentou passar nas duas temporadas que se dedicaram a esse personagem, deixando claro a sanguinária história do Cartel de Medellin mas como Escobar era somente mais um filho da corrupção.

Com a sua morte, claramente alguém teria que assumir o reinado no império da cocaína que ele ajudou a alavancar e o postulante a vaga era o Cartel de Cali. É assim que funciona. E como foi cantado, os já devidamente apresentados na temporada passada e liderados pelos irmãos Gilberto e Miguel Rodriguez (Damián Alcazar e Francisco Denis), Pacho Herrera (Alberto Ammann) e Chepe Santacruz (Pepe Rapazote) assumiram esse lugar e assim Narcos cresceu sem a "vilania" de Escobar como um ponto central e motivo para se ver a série.

Se antes tínhamos aquele antagonista perfeito, o vilão do Estado, o Cartel de Cali se identifica mais o que conhecemos de uma verdadeira organização criminosa. Aquela silenciosa e mortal, que joga com o sistema vigente, utilizando-se da lei e do empresariado em benefício próprio na sociedade como um todo ao literalmente comprar a paz em departamentos de polícia e no governo nos mais altos escalões. Tudo com o intuito de tentar desvincular-se de todas as formas à sua imagem com a do cartel de Escobar ao escolher a discrição e a corrupção com uma visão de negócios nada passional.


Na figura do policial Javier Peña (Pedro Pascal, o Oberyn de Game of Thrones) que conhecemos desde o início de Narcos e que assume agora o protagonismo da DEA mas sem roubar os holofotes pra si em momento algum, temos refletida a incredulidade da imagem do espectador perante a gigantesca corrupção sistêmica que fundamentam políticas de países e até diplomacias, onde carteis são os monstros indestrutíveis que nem a justiça poderá derrubar. Um bom exemplo disso é o episódio "A KGB de Cali" (S03E02) que conta como a Colômbia naquela época vivia uma paz silenciosa comandada por várias gangues que se degladiavam por informações e se separavam por apenas dezenas de quilômetros.

Assim Narcos também se aproxima ao que dizia o Capitão Nascimento de que "o sistema é foda". E nessa expansão natural, percebe-se como ela cresceu; ganhando em liberdade, dinamismo e em poder narrativo consequentemente utilizando-se de inserções documentais mais precisas e menos forçadas, o que ajudou no próprio tom didático da série.

Construindo uma clara ponte com o México e seus carteis (Juarez e El Chapo) para a temporada seguinte após o desmantelamento do Cartel de Cali (já planejado pelos seus quatro cavaleiros), a terceira temporada de Narcos foi uma das melhores coisas que foram lançadas em 2017 tornando-se sem dúvída uma das minhas séries prediletas e tal qual House of Cards, uma série indispensável para quem assina a Netflix.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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