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Resenha Série: O Nevoeiro (1ª Temporada)

quinta-feira, setembro 07, 2017


Baseada em um conto de Stephen King dos anos 80, que posteriormente virou um filme em 2007 e agora uma série original da Netflix; "The Mist" ou "O Nevoeiro" não é necessariamente ruim se formos pensar que é uma adaptação, portanto, não sendo absolutamente fiel ao que foi escrito. Seu problema é como isso foi feito.

Na história estamos em uma cidadezinha no Maine nos EUA onde todo mundo se conhece.

O passado e o presente estão ali constantes na lembrança, e se numa cidade pequena há o conforto e a tranquilidade de se estar em um lugar aonde saiba exatamente aonde ir e com quem falar, em contrapartida há o peso constante do julgamento assombrando a cada esquina. E sobre isso, Eve foi aquela putona na adolescência que após a vida adulta chegar resolveu se casar com Kevin e ter a Alex. Até aí tudo bem. Mas nossa avó já dizia que o passado nos condena, e nesse aspecto Eve Copeland (Alyssa Sutherland, a Aslaug de Vikings) é a que mais sofre, logo, a sua família também.

Após ser demitida de uma escola aonde dava aulas de educação sexual sinceronas, a sua filha gamada em Jay - o bonitão jogador do time de futebol americano no colégio - resolve pedir à seus pais se pode ir em uma festa que ele convidou. Na discussão Eve ganha, mas seu marido Kevin (Morgan Spector) acaba ajudando a Alex (Gus Birney) a ir na festa escondida com a "supervisão" de seu melhor amigo Adrian (Russell Posner). Mas se bebida entra, bebida sai; então Alex passa mal, desmaia e é estuprada. Jay (Luke Cosgrove) se torna o principal suspeito. E enquanto os envolvidos são interrogados pela polícia sobre o ocorrido (chefiados pelo pai de Jay, Connor (Darren Pettie), para ajudar), um nevoeiro espesso ganha os céus da cidade e misteriosamente matando as pessoas sem explicação alguma e das formas mais bizarras possíveis.


A partir daí a série divide-se basicamente em dois núcleos, o da igreja e do shopping. De um lado é assistimos a caçada de Kevin por sua família que está no shopping; de outro, o núcleo da igreja tem por missão equilibrar a ação e tensão do nevoeiro demonstrando o desafio que a fé tem em explicar o que é inexplicável, deixando no ar com o desenrolar dos episódios o argumento de que não é preciso estar no meio do nevoeiro para a loucura invadir a si próprio. Talvez esteja aí o ponto central que diferencie conto de série, já que no original, a igreja não existia.

Se você já assistiu a qualquer filme de apocalipse do universo já vai saber onde tudo isso termina. Um grupo de pessoas estabelecem regras de sobrevivência e quando a porra fica séria, a ética some, incentivando as pessoas a fazerem a justiça com as próprias mãos. Todos são assassinos de alguma forma, a punição chegou e apenas um tem a salvação.

Mas essa repetição é normal, aliás a cultura pop é isso. Sendo assim, qualquer filme ou série com esse tema específico, só acaba sobrevivendo no imaginário de quem assiste graças à seu roteiro e dos seus atores. São os dois pilares da sétima arte, e um não sobrevive sem o outro. E se o roteiro ainda bebe de fontes óbvias e excelentes como "Stranger Things" e "Madrugada dos Mortos", os atores (à exceção de Nathalie (Frances Conroy) entregam atuações dignas das mais tediosas, como se o tal nevoeiro tivesse encobrido esse requisito básico.

"The Mist" tem 10 episódios bem arrastados e mal montados, é aquela série de fim de semana pra assistir com o "mozão", com alguns furos e sequências das mais absurdas, por exemplo como a da cirurgia das mais rápidas e simples feita via rádio por Kevin em seu irmão - será que o nevoeiro nos deixa formados em medicina também? Sem contar a inexplicável forçação de barra de um relacionamento gay em virtude da homossexualidade de Adrian que não tem encaixe algum na história.


Mas salvo os contratempos, eu não achei "The Mist" tão ruim quanto o público anda falando, porém não tão boa em apoiar a ideia de ter uma segunda temporada - o que irá acontecer devido à seu (bom) final (pensa em um conto longo). Só vamos ver se o showrunner Christian Torpe bola uma segunda temporada verdadeiramente interessante que eu não esqueça em uma semana. Potencial tem. Adaptações guardam esse poder, acredite você ou não.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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