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Resenha Série: Stranger Things (2ª Temporada)

terça-feira, outubro 31, 2017


Passou-se quase um ano depois do acontecido, e enquanto todos pensam que Will Byers se perdeu na floresta, todos os envolvidos tem as cicatrizes ainda abertas. O que se passou em Hawkins não fora esquecido por eles e a sensação que a cidade em que não acontece nada nos transmite é que sempre algo de muito estranho existe, e Jane Byers (Winona Ryder) parece ser ao lado do xerife Hopper (Daivd Harbour) aquela que sente o aperto no peito de que nada daquele dia realmente acabou.

E nada acabou realmente, como se tornou maior. O telefone tocando parece ser o gatilho que dispara a série definitivamente. Os irmãos Duffer ampliaram o conceito do mundo invertido e a série se tornou mais madura juntamente com seus personagens. Duplas inesperadas como Dustin (Gaten Matarazzo) e Steve (Joe Keery) se formam e é devido à amizade que nosso conceito de herói em nossa mente cai por terra. Em "Stranger Things" a união faz a força. Hopper move a história, Jane representa nosso desespero, e os garotos o nosso destemor diante à forte amizade que permanece entre todos.

O mistério move a trama tanto no presente como em direção ao futuro, como no criticado episódio filler "The Lost Sister" (S02E07) de Eleven (Millie Bobby Brown). 

E não Onze Netflix!

Especificamente sobre esse episódio, penso que a sensação geral de ele ser "solto" na trama é correta, mas também entendo que é importante enxergar o lado de que ele foi propositalmente criado para dar a Eleven a carga dramática suficiente (e Mille dá um show de gente grande) para ela ter uma história própria, afinal, é bem óbvio que apesar de não ter a conveniência que incomode (como aconteceu em Game of Thrones), Eleven acabaria se tornando uma espécie de deus ex-machina permanente de Hawkins após se livrar das amarras de Brenner (Matthew Modine). Se esse episódio poderia ter sido jogado para outra temporada? Essa é uma boa discussão, mas a mim a decisão dos Duffer foi acertadíssima, já que esse gostinho (ruim ou bom) é um gostinho de quero mais apesar dos mimimis que possam surgir.

Mas é principalmente nas adições de "Mad Max" (Sadie Sink) e do canastrão do Billy (Dacre Montgomery), que a série demonstra sua principal força ao ter esse roteiro redondinho aonde nenhum personagem tem mais importância que o outro. E no caso deles, que provaram também ser parte de uma expansão da série como um todo, tanto pelo seu mistério, como pelo seu presente. 


Extremamente bem amarrada, "Stranger Things" tem uma quantidade de episódios enxuta que faz com que seu roteiro fique dinâmico, deixando que cada personagem mova a história a medida que se relacionam. Sem ter aquele velho esquema "causa e efeito", todos ali se movem de acordo com as suas decisões e nada parece ser previsível apesar de surpreendentemente ser. E é deliciosa a sensação ao refletir tal fato. A série que até muitos desconfiaram ser um algoritmo de tão certeira em seu universo e referências (e vive sem vergonha nenhuma por causa de tais características), olha fixa para os anos 80, porém em nenhum momento descuida de seus personagens esperando que tais referências carreguem o espectador.

Reafirmando o sucesso que muitos tinham dúvida se permaneceria o mesmo, a segunda temporada começa com o letreiro que faz questão de enfatizar o número 2. Essa "cara cinematográfica" que esse número dá ao logo, parece entregar a ideia de que os irmãos Duffer sabiam que "Stranger Things" precisava ser maior do que a primeira temporada, e bom, esse desafio se cumpriu perfeitamente. Em outras palavras, ao final de seus episódios, senti que "Stranger Things" deu um abraço apertado no coração de quem assistiu, construindo em torno de si um grandioso evento de fim de semana, sobretudo um universo que nos causa empatia.  

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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