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Resenha Filme: Atômica

terça-feira, novembro 14, 2017


Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente do MI6 (agência de espionagem inglesa) que fora enviada para a Alemanha pré-queda do Muro a fim de recuperar a lista de agentes duplos ingleses infiltrados, algo colocado em risco após a morte do agente a portava e que viraria totalmente o jogo para uma URSS totalmente enfraquecida politicamente. Chegando lá, Lorraine se depara em uma atmosfera de total incerteza, pois ela apesar de saber com que agente está a lista, ela não pode confiar em quem não conhece e como agente duplo muito bem pode ter trocado de lado.

Como se vê, a premissa segue a linha dos clássicos filmes de espionagem e dos livros de John Le Carrè. Dirigido e roteirizado por Kurt Johnstad e baseado na graphic novel Atômica: A Cidade Mais Fria (Coldest City), de Anthony Johnston e Sam Hart (confesso que não li a obra original, então não vou aqui ficar comparando se filme e HQ são próximas ou não), temos aqui um raríssimo exemplar de filme de espionagem com uma mulher como protagonista. Com uma história montada em formato de flashback, obviamente começamos a história pelo final e aí que está o seu principal problema. Para um filme de ação, "Atômica" é um filme que hesita, para e volta e continua como uma fita VHS em um vídeocassete e isso o faz muito arrastado em seu começo e esse roteiro não compartilha em quase nada da estética que Leitsch aplicou ao longa na segunda metade, fazendo com que o longa não converse e não seja totalmente o que se propõe ser: um filme de ação, porrada mesmo.

David é co-produtor do primeiro filme da franquia "De Volta ao Jogo" (que todo mundo DEVE conhecer por John Wick). Isso já explica grande parte do que podemos esperar de "Atômica".

Como disse, essa primeira parte é arrastada, porém, ela tem sua importância para que absorvemos o que Lorraine absorvia estando na parte oriental de Berlim que eclodia através de jovens revolucionários que não suportavam mais a ideia de uma URSS decadente, suja e escura. E entre o visual contrastando neons com muros sujos e ruas úmidas na dicotomia que se apresentava nos anos 80, é enquanto ouvimos George Micheal que somos apresentados ao que "Atômica" tem de maior e melhor: as cenas de luta.

Sem ter aquelas irritantes cenas de luta com planos de câmera fechados e tremidos que são presentes em 10 entre 10 filmes de ação hoje em dia desde a trilogia Bourne (e que esse vídeo feito pelo pessoal do Entre Planos explica muito bem o porquê), John Wick fez seu nome como filme de ação simples e direto justamente por se livrar deste vício usado pelos cineastas; e Leitch como parte desse processo quis ir além, ele não só se utilizou desse artifício como aumentou e tornou ainda mais visceral as lutas, tornando Charlize o expoente de atriz quando pensamos em um filme de ação que necessite de uma mulher protagonista, assim como Keanu Reeves desde Matrix.

A primeira temporada de Demolidor foi marcada por aquela cena do corredor, tática essa replicada na escadaria da segunda temporada. Para quem não viu (como assim?), nos dois trechos a técnica utilizava-se de uma câmera que acompanhava o ator, sem cortes, em um plano aberto que nos fazia entender completamente o perrengue que o protagonista estava passando. E em "Atômica", como disse, Leitch abusou desse processo com uma sequência que facilmente supera os 10 minutos com Charlize ficando totalmente exausta e surrada enquanto enfrentava capangas também surrados e exaustos como ela numa escadaria.


Isso joga muito a favor da personagem e é o que faz John Wick tão legal. E mais, tudo isso torna "Atômica" mais crível e singular como filme de ação, o que nos aproxima do filme como espectadores ao acreditar que aquilo que está acontecendo, realmente poderia acontecer, até passando a torcer para a Lorraine mesmo sabendo do resultado. Saca o Rocky Balboa no ringue contra o Ivan Drago? Mesma coisa. É uma segunda metade que tira o fôlego, enquanto ela deixa claro para nós e o MI6 que trabalha pra si mesma. Na verdade, ela é uma sobrevivente e compreendemos a importância disso graças a tal técnica.

Bom, para resumir "Atomic Blonde" ou simplesmente "Atômica" é um filme nada. Aquele típico filme que não vou lembrar depois, mas isso se olharmos para o seu roteiro confuso e que em diversos momentos não prende devido a sua não-linearidade. Agora se observarmos o visual de "Atômica" num todo, ele se torna um dos filmes mais divertidos do ano. Não só devido a trilha sonora nostálgica e suas sequências de luta que são praticamente uma reverência ao cinema de ação pastelão dos anos 80, mas também na caracterização de Charlize como a espiã Lorraine que só através de um olhar faz acreditar ela É a loira atômica do título, colaborando pra que o próprio filme acabe sendo bem diferente de outros do gênero mesmo que o roteiro não acompanhe tal dinâmica... ¯\_(ツ)_/¯

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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