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O crossover Crise na Terra-X é a Liga da Justiça que deu certo

segunda-feira, dezembro 04, 2017


Não sei se é uma sensação só minha, mas em todos os filmes da parceria DC/Warner no cinema eu sinto não estar apenas assistindo um filme com um personagem predileto, mas sim (salvo trocadilhos com o Flash) uma corrida contra o tempo.

Bom, creio que o fato de saber do esforço da DC para alcançar a Marvel no lance todo de universo cinematográfico naturalmente cria essa sensação, porém, se um "jogo" simplesmente começa por quem resolve apostar primeiro, a DC peca justamente pelo fato de não aceitar a sua derrota. Sim, eu sei que essa é uma palavra forte. Porém acho que seja justamente por ela que a DC deva começar a sua reflexão sobre seu lugar no cinema.

Foi a Marvel que moveu a primeira peça, então por mais que a onda seja criar universos compartilhados para fazer filmes sem fim (vide a Universal e sua tentativa de emplacar um dark universe) talvez seja a hora de a "Distinta Concorrência" aceitar que sua Liga da Justiça é sim menor que os Vingadores no cinema (reitero, no cinema) e que o Batman "Nolanizado" nunca terá que ser/será repetido; logo se libertando dessa auto-flagelação e simplesmente fazendo um filme que seja... bom. Como Mulher-Maravilha se prestou a ser e evidenciando que quando a Warner coloca a mão sai merda.

Na televisão é ao contrário, foi a DC que moveu a primeira peça e é a Marvel que está atrás. Difícil dizer quem está ganhando este jogo precisamente e é justo questionar que série A é melhor que a B devido aos tons abordados, mas por mais que o arrowverse da editora da televisão seja voltado para o público adolescente, temos que dar o braço a torcer que suas quatro séries, Supergirl, Arrow, Flash, e Legends Of Tomorrow, bem ou mal captam bem a essência dos personagens da editora e que o cinema se nega não consegue transmitir. Obviamente ao abordar esse conceito entramos no quesito de gosto pessoal e isso é particular a cada um, mas é curioso ver que o arrowverse da editora na televisão chegou a seu ápice coincidentemente no mesmo mês em que a Liga da Justiça estreou nos cinemas. 

Com ressalvas de roteiro que qualquer série tem, o pessoal conseguiu abordar um tom leve e divertido, como se você abrisse uma página de uma revista em quadrinhos; sem a todo momento tentar ser Christopher Nolan e seu Batman de crises existenciais como se o público quisesse ou esperasse somente isso da DC e seu catálogo de personagens.



De uma forma muito agradável, o crossover deste ano dividido por quatro partes uniu Supergirl, Arqueiro Verde, Flash e o "Legends of Tomorrow" (com foco maior no Nuclear) no casório/evento de Barry Allen e Iris West. Com a cerimônia interrompida por nazistas que vieram da 53ª Terra, a Terra X, querendo roubar um artefato que está em Central City para dominar a Terra 1 da mesma forma que a Terra deles, resta ao time colocar os nazistas pra fora. E é simples assim. 

Com altas doses de carisma de TODOS os personagens, em diversos momentos o crossover conseguiu despertar a nostalgia em mim da criança que assistia aos episódios dos desenhos de Batman, Homem-Aranha e X-Men só esperando que o herói somente salvasse o dia. Tudo o que Liga da Justiça acabou não sendo. 

Direto o suficiente, mas sem deixar de lado o fã que acompanha as séries mais a fundo, curiosamente esse tom mais jovem simplifica problemas que Liga da Justiça acabaria complicando. Fazendo aquele arroz com feijão ser bem temperado, o roteiro é hábil ao dar continuidade a história ao mesmo tempo que consegue ser independente, beneficiando aquele espectador de primeira viagem e servindo ao propósito de despertar a sua curiosidade para assistir as séries solo na semana seguinte. 

O roteiro fez todos os personagens secundários ou não terem a sua importância na tela contra uma vilania realmente RELEVANTE. Greg Berlanti deu voz à ação e potencializa as melhores características de cada personagem; por exemplo, no caso do Flash como sendo o conselheiro, da Supergirl como sendo a eterna otimista e do Arqueiro Verde ao ser o líder do grupo de certa forma. E não, você não está errado, eles lembram muito Mulher-Maravilha, Superman e Batman, e desta vez num longa metragem disfarçado de seriado que realmente funciona. 

Tratando de assuntos espinhosos como nazismo e preconceito com delicadeza, Berlanti construiu realmente o "grande evento" da DC no ano; talvez não aquele com grande visão da grande mídia, mas com toda justiça aquele que entregou a melhor reunião de heróis do ano. Fazendo a gente voltar a questionar por que não vemos simplesmente a roupa de couro do Flash na telona e por que a DC não pede conselhos pra esse pessoal que faz as suas séries. Bom, talvez muito dinheiro atrapalhe nesse caso.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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