post Resenha Série: Mr. Robot (3ª Temporada) - DescafeinadoBlog

Resenha Série: Mr. Robot (3ª Temporada)

quarta-feira, dezembro 20, 2017


São três temporadas de Mr. Robot, e Sam Esmail constrói magistralmente a série até esse momento em três atos bem definidos. Se na primeira temporada vimos Elliot Alderson (Rami Malek) na luta romântica contra o sistema, a segunda foi plenamente dedicada a mergulhar em sua mente, logo, observando friamente as nefastas consequências da cruzada tecnológica da temporada anterior.

Na terceira temporada, a história "anda", saímos da mente de Elliot e encarando a realidade junto à ele, nela aprendemos que mensurar "o 1% do topo do 1%" é uma luta contra o próprio 1%. Quer dizer, a Evil Corp se revela como o mal necessário, aquela que é apenas uma peça menor fundamental pro funcionamento do todo.

O capitalismo é o único sistema que se auto-regula e não é o derrubando que as soluções magicamente surgirão, porém é claramente necessário mexer no vespeiro para ver que o poder sempre está intrinsecamente ligado a quem tem o poder, e quem o detém é o 1%. Elliot faz isso, e percebe que conglomerados como a Evil Corp na realidade fazem de tudo para sobreviver; e não, não é lá que reside o tal 1% do 1%. Aqueles que brincam de deus são os seus maiores financiadores e ao mesmo tempo os maiores beneficiados - leia-se a MISTERIOSA White Rose (B.D Wong) aqui, por exemplo, que faz o implacável Price (Micheal Christopher) virar poeira.

Ela é a personificação do antagonista perfeito, é o inimigo que Elliot sempre sonhou em derrubar. Fazer sangrar. Mas nós, como ele, não sabemos até aonde suas intenções irão. É só uma personificação quem sabe, é a parte do 1% que afetou a vida e revoltou Elliot, Darlene, Angela, e Tyrell (Martin Wallstrom) que parece inalcançável a medida em que os episódios destroem nossa lógica; como a detetive Dominique (Grace Gummer) teve a sua destruída pelos caminhos que a sua carreira levou. 

Porém, uma das coisas mais interessantes em Mr. Robot pra mim, são justamente os momentos geniais em que Elliot senta com o espectador em frente a sua psicóloga. 

Não é necessário um grande discurso, apenas o simbolismo contido naquele momento. É apenas o personagem no processo entre a negação e aceitação que reflete perfeitamente aquele homem que deseja sair de nós. Nossa noção de justiça que foi marcada pelo discurso de Elliot em "eps1.0_hellofriend.mov" (S01E01), e que nesta terceira temporada foi personificada em Angela (Portia Doubleday) tornando a ignorância uma bênção. 

Ela foi enganada, nós fomos também. É um enclausuramento sem fim, um verdadeiro tapa na cara ter que aceitar que o 1% é capaz de "fabricar" este 1%.

Para finalizar, Darlene (Carly Chaikin) é a força motriz da série e a responsável por conduzir a ação nesta terceira temporada. Fundamental para Elliot, ela é a única pessoa no mundo em que ele conta e realmente se importa. Darlene é a sua irmã e o braço que o segura na luta constante contra si mesmo e as lembranças que fabricou durante a vida. E o "eps3.9_shutdown-r" (S03E10) foi enfático nesse sentido, é a aonde Elliot aceita finalmente quem é. E com esse aliado mais forte que qualquer um, Ele mesmo, é que pode lutar contra todos porque Ele mesmo simplesmente é o melhor.

Agora teremos um hacker 100%, aceitando seus demônios para lutar contra o inferno; só que na condução brilhante de Sam Esmail, aprendemos que em Mr. Robot ele é o 1% do 1%. Aquele que brinca de deus e usa a série pra demonstrar que o que dita nossa vida de verdade é o que é invisível diante a nossos olhos.

Pertinente e genial, Mr. Robot é uma série necessária. É o entretenimento criticando o próprio entretenimento e dramatizando a vida, mostrando que o controle é apenas uma ilusão.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários