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Resenha Série: The Sinner (1ª Temporada)

sexta-feira, dezembro 01, 2017


A partir do momento em que Cora Tanetti (Jessica Biel) esfaqueia a sangue frio um desconhecido no meio da praia, de cara observei que "The Sinner" é uma série diferente, por esse aspecto e pelo simples fato de a trama não se desenrolar em cima de quem é o assassino e sim do porque essa moça aparentemente normal fez isso. 

Enfim, nada é tão simples quanto aparenta e é justo observar os problemas da psique humana dessa forma. Soa até como lição a quem tenta simplificar tudo e até os outros, numa especie de julgamento social que é realizado em favor de seu próprio conforto. É assim para a chefe da investigação de Nova York que se aproveita do limbo da memória de Cora para prendê-la rapidamente, que bem ou mal, faz o papel da justiça que julga e também dá satisfação, algo que Cora já está conformada. 

Só que para Harry Ambrose (Bill Pullman), Cora não esfaqueou tal desconhecido simplesmente porque deu vontade. Aliás, logo no segundo episódio já entendemos que o buraco é bem mais embaixo. Ela não é uma assassina e não houve traço algum de psicopatia ou distúrbio em exames e testes, então por que caralhos ela tomou essa atitude perturbadora?! Nem tudo é preto no branco e ele não deixa o assunto de lado de jeito nenhum. 

A frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem criada pelo que achamos que deveríamos ter sido... o sentimento de culpa nada mais é do que o sofrimento obtido após termos tido um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo. Traduzindo para o português, sinner é culpa, e em cima desse sentimento que Freud e outros diversos psicoterapeutas tanto estudaram que a série transita, no caso, o passado de Cora que se revela um buraco sem fim e realmente perturbador. 


Tá na cara que a série terá uma segunda temporada (ao contrário do anunciado pelo canal) ambientada no passado agora de Ambrose, que de forma meio "jogada" revela por cima um investigador problemático e com sérios problemas no concílio entre família (no caso esposa) e trabalho, sentindo-se um pecador por causa disso e buscando prazer sadomasoquista pago e no seu vício em desvendar problemas. Por isso ele "entende" Cora até mesmo indo contra a moral mais simples. 

Mas aí é que, sendo redundante, reside o problema de "The Sinner". Ela é uma série fechada e tem Cora como destaque principal, e se prosseguir para uma segunda temporada fatalmente a boa série SOFRERÁ do mesmo mal que "The Following", que perdurou por três anos repetindo a trama no desespero de "não deixar a ideia morrer". Portanto, "The Sinner" sobrevive só se mudar o esquema de construção de roteiro que poderia partir para uma linha mais episódica. 

No geral, a série produzida pela USA Network (mesmo canal da primorosa Mr. Robot) contém a isca suficiente pra fisgar quem curte thrillers do gênero e trabalha bem em cima dela, utilizando-se de forma competente os oito episódios para desvendar as causas e consequências de Cora e "compreendermos" o porquê dela ter feito o que fez, entre aspas, pois o roteiro mostra pessoas totalmente benevolentes com o caso indo BEM contra a maré do mundo real (exceto no Brasil, que com 1/6 da pena ela estaria livre para ver o marido e o filhinho). Chega a ser até fantasioso se tratando do que conhecemos do país do Tio Sam, porém como disse anteriormente, isso soa também como uma reflexão aos julgadores/justiceiros de plantão.

"The Sinner" é feita para se maratonar e empacotada para a Netflix, pra "matar" num fim de semana com amigos(as) ou a(o) sua namorada(o). E bom, por mais que o roteiro contenha alguns buracos, como a teimosia de Harry Ambrose (Bill Pullman) em contar todos buracos que tem no queijo ou no simples fato de a família de Cora não ter procurado nem ela e nem a irmã na fatídica noite que deu origem a merda toda. É de se pensar, mas não é incômodo ao observar a trama, que em geral que agrada e é satisfatória.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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