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Tripa e bunda pra todo lado na divertidíssima Ash vs Evil Dead!

segunda-feira, janeiro 22, 2018


Creio que todo admirador de filmes de terror já tenha assistido a "Evil Dead", e entendido que ali, naquele ponto, a visão geral desse gênero de filme tenha sido alterada pra sempre. Bom, pelo menos a minha foi.

Naquele filme de 1981 e PRINCIPALMENTE no segundo de 1987, a receita do "bom e barato" foi estabelecida, e graças à mente de Sam Raimi (sim, aquele lá do Homem-Aranha do Tobey Maguire) a sanguinolência, o nojo e a aflição não foram levadas mais a sério. E essa acho que foi a grande sacada. Em um filme de roteiro inteligente que não se levava a sério quando tentava ser com todas as forças, o segredo estava no ritmo frenético e nas velhas receitas. O "terrir" ali se criou pra mim e a tosquice se tornou um charme indispensável que me cativa sempre. Sendo até hoje a receita certinha pra se divertir com a galera e que parece que somente Sam Raimi é capaz de levar adiante.

E bom, acredito que na cabeça dele, Ash Williams (Bruce Campbell) seja um super-herói; ou melhor, tenha se tornado. Oras, é só observar como ele encaixa o braço na motosserra e tira a boa e velha shotgun do chão do trailer...

Toda a idiotice de um personagem propositalmente caricato e esteriotipado com os piores trejeitos possíveis se desenvolveu numa forma heroica ao longo dos três filmes e de uma forma até clássica, mas na altura do "despirocado" terceiro filme, com Ash entendemos pela milésima vez que ele tinha uma missão que ele não queria ter, e que ele era o único salvador contra o mal e ninguém sabia o porquê; mas sobretudo que ELE era bom para caralho nisso e ele sabia e gostava!

35 anos depois de expurgar o mal para sempre, Ash é aquele típico tipo de velho anacrônico americano que se recusa a envelhecer. Cheirando agora a tinta de cabelo, mulherengo e preconceituoso, Ash é fracassado como... a 35 anos atrás. Morando em um trailer e trabalhando em uma lojinha de departamentos, ele curte encher a cara numa festa (se tiver baseado melhor), dá em cima de quem tiver peitos e tem sempre uma piada guardada na manga pra sempre dar um jeitinho pra tudo. Enfim, é numa "reuniãozinha" dessas com uma garota no seu fétido trailer que a merda se dá; após tomar e fumar algumas, para impressioná-la ele recita os "poemas" do Necronomicon - porque ele não sabia nenhum mesmo - e aí os deadites se libertam.

Obviamente, o ritmo de uma série é completamente diferente de um filme por mais que os dois estilos sejam semelhantes, então se Ash se sustentava em três filmes de 1h30 praticamente sozinho, na série ele precisa de mais gente pra não só contracenar junto mas que também ampliassem o próprio Ash como personagem.

Na companhia de seus colegas de trabalho, Pablo (Ray Santiago) imigrante hondurenho que tem um tio brujo e introduz a figura do El Jefe na mitologia de Evil Dead, e Kelly (Dana DeLorenzo) que... só quer chutar umas boas bundas maléficas, ele ganha dois sidekicks de respeito; e na figura de Ruby (Lucy Lawless) (que ganha um papel muito importante na segunda temporada) e de Baal (Joel Tobecki) verdadeiras ameaças que puta que pariu, fazem a série ser o maior expoente do terror dos últimos tempos, sem exagero ALGUM e sem levar a sério.*

*Desculpe o momento fã, mas...


Contando com somente 10 episódios de aproximadamente 30 minutos em suas duas primeiras temporadas, é curiosamente nessa decisão que só colabora pro espírito de "Evil Dead" ser fortalecido a cada cabeça decepada nesse tempinho tão curto, mas tão produtivo.

O "pé no acelerador" só auxilia pro roteiro redondinho e non sense lotado de criatividade a cada cena escatológica na série de Ash, que na segunda temporada vai a níveis absurdos e até ganha contornos dramáticos e "um pouco" mais sérios em certos momentos quando Ash e sua galera visitam o seu pai Brock (Lee Majors), dão de cara com sua affair Linda (Michelle Hurd) e o parça Chat (Ted Raimi) na sua cidade natal. Temporada esta que também rende momentos inesquecíveis ao ponto de vermos uma clara homenagem ao carro Christine de Stephen King e uma pelúcia Ashy Slashy que se o mundo fosse mais bondoso seria vendido nas esquinas.

Estreando no Halloween de 2015 eu me pergunto porque não vi essa série antes...

Misturando de forma brilhante elementos fortes de todos os filmes com a modernidade da refilmagem "A Morte do Demônio", o design e a produção da série atualiza o que precisa naturalmente ser atualizado (como a maquiagem) e dá mais charme a "ruindade" embebida de litros e litros de sangue de guache. E o fato de tudo estar devidamente em seu lugar, não só reapresenta Ash, que, muito antes desse heroísmo todo no cinema personalizava o tipo personagem aka o ator, além do "terror B" a uma geração que não vivenciou os anos 80, cria no fã, como eu, a sensação de estar na sala de casa (e da cabana na segunda temporada) recebendo um velho e querido amigo.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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