post Resenha Filme: Bright - DescafeinadoBlog

Resenha Filme: Bright

terça-feira, fevereiro 06, 2018


A Netflix precisa atrair todo tipo de público não só na produção de séries, mas também de filmes. Para isso chamou Will Smith, Joel Edgerton, e o diretor David Ayer (daquele de "Esquadrão Suicida") que apresentou uma proposta ousada e interessante: mesclar "Senhor dos Aneis" a "Dia de Treinamento".

Se inspirando naquela tensa Los Angeles de 1992 onde diversos conflitos raciais eclodiram após abuso policial (fato esse fundamental do julgamento de O.J. Simpson posteriormente, e que abordei mais a fundo aqui), a ideia para emular essa situação era reunir humanos e criaturas fantásticas convivendo "harmoniosamente". Entre aspas porque você sabe onde isso vai dar.

Scott Ward (Will Smith) e Nick Jakoby (Joel Edgerton) carregam o filme nas costas e consequentemente suas críticas. Como em 1992 que um negro fora covardemente agredido por policiais, naquela época a LAPD resolveu adotar o sistema de cotas na corporação afim de que mais negros e latinos fossem admitidos como policiais, então o filme reproduz isso na figura de Jakoby, que é o primeiro orc ao entrar para a polícia de Los Angeles e jogado pra escanteio por todos restando ao policial mais odiado de lá (Scott) aceitá-lo como parceiro. 

Na sua primeira curta metade, "Bright" chama a atenção até por conseguirmos traçar paralelos com a história, como consegui acima. Porém, com o pouco tempo de tela e talvez com uma exagerada ânsia por ser diferente, ele se enrola recorrendo a esteriótipos preguiçosos de elfos e orcs e explicações convenientes entre idiomas e poderes, ora utilizáveis, ora esquecíveis, em um roteiro extremamente previsível, em que sabemos contra quem cada um vai lutar - inclusive nossos dedos contra a tela do celular.


Uma verdadeira salada, compreensível por outro lado, já que em meio a tantas ideias de roteiro, o filme se rende e já se apresenta limitado a ser uma ação pipoca entre explosões, porradas, piadas e bombas, restando a mim e ao espectador a tarefa de se me identificar minimamente ao "escolhido" da vez (Will Smith), o que claramente não acontece. Melhor que "Esquadrão Suicida" (até porque não tive que sair de casa), mas também me fazendo pensar que é por isso que lembrei de escrever sobre esse filme só em 2018...

Com uma proposta ousada, e difícil na minha concepção, de em 112 minutos encaixar um thriller de ação policial com crítica social em um universo fantasioso, David Ayer até constrói um filme de boas ideias, mas apresentadas de forma tão apressada que não conseguem se estabelecer em nenhum momento na mente do espectador. O resultado? Aquele infeliz gosto amargo de comentar com o amigo ou namorada(o) ao lado: 

- Esse é o mesmo cara que fez "Esquadrão Suicida"?
- Sim
- Então é por isso...

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários