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Resenha Série: The Good Place (2ª Temporada)

quinta-feira, fevereiro 08, 2018


"The Good Place" gira em torno da recompensa moral. Quem nunca já ouviu as histórias de céu e de inferno, e pra onde iria se algo fosse feito ou se envolvesse com tal pessoa? Se ser mau parece claro, então o que é realmente ser bom? Convenhamos que isso parece um dos questionamentos morais de Chidi que o afligem duramente durante a série (hilário o episódio do bonde), mas é justamente aí que "The Good Place" faz história como comédia ao nos fazer rir dos nossos problemas, desse gigantesco problema.

"Tudo não está bom demais para ser verdade"? Bom, a vida é torta demais pra não crermos em tal máxima, mas a morte não, a gente acredita que ela PRECISA ser algo mais e esse algo a mais por consequência é a menos. Menos dor, menos aflição, menos desafios. Afinal, é o que julgamos merecer após duras penas.

O formato de "The Good Place" é bem definido, são 13 episódios curtos e deliciosos de apenas 20 minutos (pouco mais do que um filme), um drops que nos faz pensar e refletir sobre nós mesmos ao rir das nossas inerentes tragédias que infligimos a nós mesmos.

Eleanor (Kristen Bell), Jason - antigo Jianyu (Manny Jacinto), Chidi (William Jackson Harper) e Tahani (Jameela Jamil) foram os recompensados. Era o que eles acreditavam até descobrirem que Michael (Ted Danson) na verdade estava os aprisionando no "Bad Place". É a partir desse momento que a série ganha outra faceta, até mais complexa; e ironicamente é estando nesse "lugar ruim" que os quatro encontram a real motivação do que é necessário para, não mudar, mas entender melhor o impacto que suas decisões tiveram na vida alheia.


No ritmo de desconstrução, tentativa e erro (que a segunda temporada se baseia em sua primeira metade), que Micheal Schür demonstra mais uma vez em "The Good Place" uma metáfora pra nossa vida.

O crescimento e amadurecimento dos quatro, acabam indo de encontro aos seguidos fracassos de Michael em reconstruir o que lhe foi designado pelo seu chefe Shawn (Marc Evan Jackson). Enquanto a assistente-robô Janet (D'Arcy Carden), provavelmente por ser uma simpática e amável I.A., tem naturalmente uma curva de desenvolvimento maior na temporada ao fazer parecer fácil ser uma "bad Janet", Michael e a gangue se aproximam a medida que suas motivações se revelam as mesmas; porém nunca deixando de lado as suas personalidades que os tornam tão empáticos ao espectador. Todos querem escapar de uma tortura. Sempre aprendendo ou sempre ensinando, não são só nos leves tropeços que eles aprendem, mas na imprevisibilidade das situações que compõem a sua busca por serem pessoas melhores, ou no próprio questionamento de que ser menos pior talvez seja o melhor.

Daí voltamos a pergunta: o que é ser bom? Eleanor é o fio condutor, e a ela é lhe dado uma segunda chance pra demonstrar em vida o que aprendeu para trilhar o caminho da verdadeira recompensa. Só que não é fácil, como "salvar o planeta" não é fácil. "The Good Place" utiliza de mais um plot pra dizer que ser bom não é uma simplesmente uma tarefa a ser cumprida. Outra tortura inevitável, mas não maior que viver no "medium place", convenhamos...

Bom, se o foco da primeira temporada foi dizer que a perfeição do paraíso personificada no frozen yogurt (que não é sorvete e nem iogurte) e reproduzida por atores é a verdadeira tortura, na segunda temporada Michael Schür revira a história novamente para nos dizer que é na vida que devemos nos concentrar. Quer dizer, é na vida que podemos aprender realmente a ser bons a partir do momento em que deixamos de nos preocupar em ser isso. Ser bom, como ser ruim, faz parte do que somos, e a definição dos lados acaba sendo um mero detalhe diante a linha tênue que os separa.

A partir daí já dá pra ver um pouco do que a terceira temporada pode ser a partir do novo plot que deu-os uma "segunda chance", mas sem esquecer do detalhe que isso não significa muita coisa se tratando dessa série que subverte nossas expectativas a todo momento.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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