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Resenha Cinema: Vingadores: Guerra Infinita

sexta-feira, abril 27, 2018

"Desafiar os humanos é cortejar a morte"
Desde a primeira aparição de Thanos, no final do primeiro Vingadores em 2012, passaram-se longos 6 anos. Seis fucking anos de quando ela vendeu a ideia de que algo muito maior ameaçava os maiores heróis da Terra. E eu comprei esse ticket.

Além do fato de você perceber que está ficando velho e do quanto este Universo Cinematográfico da Marvel é ambicioso, em diversos acertos, vários tropeços, muito suor e (principalmente) aprendizado da Marvel, nós chegamos a este momento. Ela que durante essa trajetória infindável, construiu uma geração acostumada com esse hype em torno de um sonho, aonde os crossovers que víamos nas páginas dos quadrinhos, eram transpostos para a telona com o mesmo impacto e abalo emocional de quem via um desejo antigo molhado ser realizado.

Claro que essa tarefa por si só não é simples e convenhamos, nem continua sendo, mas isso aconteceu. A Marvel conseguiu realizar esse grande evento e construiu em torno de si uma aura inabalável, afinal, TUDO faria parte de algo maior. Sendo assim, precisamos imaginar seus filmes como uma série de... cinema, que tropeça em uma temporada e que esperamos que corrija seus erros na temporada seguinte. Seja lá o que for que aconteça, continuaremos a acompanhar o jogo, até porque é necessário que isso aconteça quase que por osmose. E esse é o maior mérito da Kevin Feige nesse UCM, ela transformou seus filmes em marcos no tempo criando a expectativa de, por mais dispensável a aventura, encontrarmos uma pecinha que poderia desvendar o mistério de Thanos.

Os filmes dos Vingadores em cada fase do Universo representaram o ponto de virada necessário, porém o que acompanhamos aqui em "Guerra Infinita" não é só a quebra de um ciclo, mas uma sensação de adeus. Esperado, não só porque muitos contratos se encerram no próximo filme, mas porque Thanos fora construído pra isso. 

As motivações são simples e todos sabem de cor, o grandão roxo de queixo de Cepacol está atrás das Joias do Infinito, e não medirá esforços pra consegui-las. Realmente. O parça é imparável, assim como nos quadrinhos.

Em grande parte isso deixa "Guerra Infinita" com aquela sensação de urgência nunca antes vista, colaborando pra que este Vingadores seja o real ponto de virada que os outros dois filmes alardearam com fáceis resoluções. Aqui realmente os Vingadores, separados em vários núcleos, "sentem o drama" e fraquejam a ponto de entendermos que nesta luta Thanos perde somente pra ele mesmo.

Tanto que ele consegue o que ele quer, isso já ficou evidente nos trailers (que aqui vale o reconhecimento de que eles entregaram apenas o necessário) e em toda expectativa criada. Então, "Guerra Infinita" não é um filme que funciona sozinho. Como disse, ele é a resolução de um grande evento e é necessário ver alguns filmes desse Universo (não todos) pra entender pontos-chave da trama, e claro, que especialmente o próximo filme que encerrará esse arco.

Convenhamos que dividir a tela entre quase vinte heróis é uma tarefa complicadíssima de se imaginar, porém, esse esforço hercúleo dos roteiristas traz uma sensação de recompensa enorme. Todos os núcleos divididos entre a Terra e o espaço, com Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), o Homem-Aranha (de Ferro) (Tom Holland) em Titã, planeta natal do queixudo, e a interação entre Thor e os Guardiões da Galáxia são muitos bem construídas; com alguns cumprindo seu dever (Drax/Dave Bautista), outros sendo aquele meio (Groot/Vin Diesel) e outros sendo o verdadeiro herói da bagaça (esse não vou dizer). Reconheço que o núcleo de Wakanda formado pelo Pantera Negra (Chadwick Boseman), Capitão América (Chris Evans) e Viúva Negra (Scarlett Johansson) tem um destaque menor, mas não fico com um cronômetro na mão esperando que meu herói predileto tenha o tempo adequado de tela né?

Só que acertadamente Thanos (John Brolin) é a grande estrela desse filme, tanto que é alardeado de que ele que retornará, não os Vingadores. 

Ao lado de Killmonger, que sem dúvidas ele é o melhor vilão da Marvel. Thanos é extremamente bem construído e muito bem feito em CGI, suas motivações fazem sentido e trazem um inesperável carisma e humanidade ao vilão. Acreditamos que o que ele faz não é bom, mas é necessário para ELE e entendemos o porquê. Claro que não significa que ficaremos ao lado dele. Não. Ele é um porco genocida e egocêntrico que sai pelo Universo exterminando metade da população dos planetas sendo uma espécie de Deus em uma missão digna, mas é uma ideia de equilíbrio que, de uma maneira ou outra (descontada a sede pelo poder), acaba se tornando compreensível ao conseguirmos identificar perfeitamente a sua motivação traçando um paralelo com o mundo real. Principalmente se formos comparar com os dois filmes que serviram de prelúdio a este, Thor: Ragnarok e Pantera Negra, que introduziram certas ideias de moral torta. 

Algo que atesta também como a Marvel nesses dez longos anos (2008) vem amadurecendo na construção de seus personagens e no equilíbrio que deve existir entre piadas e drama. Thor que o diga!


Espalhados e brigados, a iniciativa Vingadores "toma sova" diante do imparável Thanos, que agora é praticamente onipotente e onisciente. E nessa Guerra, os Irmãos Russo merecem aplausos de pé, por amarrarem pontas, passado (no caso de Gamora (Zoe Saldana), filha de Thanos) e até futuro, e por trazerem até surpresas (como a localização da Joia da Alma) que realmente fazem o espectador não desgrudar os olhos da tela. Tudo faz sentido, e a Guerra de Nova York é uma lembrança presente, com Stark sendo aquele elo que fora mostrado a nós em seus pesadelos. As duas horas e meia passam rápido. O ritmo é infinitamente alucinante, como deve ser, assim como a estrela desse show deveria ser Thanos. 

Em um exercício de dedução simples, até o ALTO preço a ser pago pelos heróis pode e vai ser revisto, resta saber se a Marvel terá culhão pra manter o status quo que ela estabeleceu nesse filme (por exemplo aquela cena do Stark não me convenceu não...). Afinal, cinema não é, e pra mim nem deve ser igual aos quadrinhos. Mas entre a expectativa enorme deixada para ano que vem, só sei que eu entendi a diferença principal entre Marvel, DC e o filme do Edir Macedo, pelo menos no cinema: 

Quando eu vejo um filme da Marvel eu saio feliz.

Tem cenas pós créditos? Sim.

Tem Stan Lee? Sim, e você vai gargalhar com a situação.

Quais filmes eu preciso ver? Segue a lista de acordo com o que acho:

Tem o Gavião Arqueiro? Não. Mas ele vai matar o Thanos com uma flechada aos 45 do segundo tempo em 2 de maio de 2019!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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