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Resenha Cinema: Um Lugar Silencioso

terça-feira, maio 08, 2018


O que te vem a cabeça quando eu te digo: "espetáculo audiovisual". Explosões? Cores? Efeitos especiais? Bom, sem querer dar aquela de nerd (já sendo), é sempre bom recorrer ao dicionário quando queremos buscar por definições exatas. E lá "audiovisual" é a palavra que define o uso simultâneo de sons e imagem na transmissão de mensagens, mas sobretudo, é o que se destina a ou visa estimular os sentidos da audição e da visão simultaneamente. Talvez essa segunda parte se enquadre no "espetáculo". Então partindo deste ponto, a estimulação de sentidos e como a "cor" branca, ou a ausência de cor; portanto, a estimulação vem também da ausência de sons.

Filmado em "in media res", quer dizer, no andamento da história, o que nos marca no filme é justamente a ausência de começo, meio e fim. A estreia de John Krasinski na direção é marcada por uma angústia sem fim, onde o que MAIS importa é a jornada.

No começo do longa somos apresentados a uma família que se comunica por linguagem de sinais e fazem o possível para não fazer nenhum tipo de som, e é a partir daí que a angústia se faz e curiosamente se cria uma conexão impressionante e instantânea com aquela família. Afinal, porque tudo aquilo? O que aconteceu com a Terra? Estamos no meio de (mais) um apocalipse zumbi? Na saída a resposta em um jornal surge: "o som é a resposta".


Nós adoramos padrões e teorias. Somos curiosos por natureza e ainda mais por boas histórias, tanto que nós as dividimos em três partes; precisamos ver, precisamos tocar, cheirar se possível; precisamos saber e transmitir essa sabedoria de alguma forma. E estar em um lugar aonde a nossa maior habilidade é subitamente cerceada, só pode causar um terror profundo e angustiante.

Essa é a chave de "Um Lugar Silencioso": o som. E se você tivesse que entrar em um lugar sem fazer barulho? Aquela sensação de "cu não mão" é a personificação do terror, e ele se faz em um drama que por pouco mais de 90 minutos acabamos sentindo que se soltarmos a respiração atrapalharemos na sobrevivência daquela família. Ofegantes por um pai que nem consegue mais dizer que ama sua esposa.

Lee (John Krasinki), Evelyn (Emily Blunt, sua esposa na vida real) e filhos Beau (Cade Woodward) e Regan (Millicent Simmonds) sabem que a ameaça está em todo lugar e ela é letal, tanto que logo no começo o filho caçula Beau morre por causa dela. Uma tosse que seja pode custar a vida, aliás é justamente isso que o pôster nos passa.

Redondinho, "Um Lugar Silencioso" é um exemplo de um terror (ou suspense) criativo e bem executado onde a tensão é mais valorizada que os sustos, mostrando que a tão "esgotada" Hollywood, quando quer, consegue entregar trabalhos dignos todos os elogios.

É como a vovó diria: é fazer bem feito né?

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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