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A 25 anos atrás os dinossauros dominavam a Terra

sexta-feira, junho 15, 2018


Vou começar esse texto dando espaço a um relato pessoal: entrei muito tarde nisto que chamamos de "cultura pop". 

Claro, essa frase já soa absurdamente vaga se formos parar pra pensar, já que cultura, pop, e "tarde", substancialmente, pouco significam algo. A vida por si só não é uma ciência exata. Contudo, há cartilhinhas, tanto que confesso que ao entrar no mundo do heavy metal lá pelos meus distantes 15 anos, comecei escutando os álbuns justamente das "bandas de cartilha" Metallica e Iron Maiden para depois gostar mais de outras bandas atualmente do que destas. Chamamos isso de "porta de entrada", e na cultura pop até Chaves tem seu espaço dentro do humor que facilmente encontra espaço na ironia de um Monty Phyton. 

Das laranjas vamos para as tangerinas, e como qualquer criança eu adorava dinossauros, só que quando esse tal de Jurassic Park estava na praça eu nem dei muita bola. Não fui de Barney para Tiranossauros - eles me assustavam. Não era tão ligado a isso de "cultura pop", na verdade eu só me preocupava em ser criança e brincar de carrinho com a minha imaginação; Caverna do Dragão e até Harry Potter muitos anos depois, passaram batido e na mesma proporção foram marcantes. 

Bom, nada como os anos para trazer aquela curiosidade e aquela vontade de OUVIR recomendações alheias. Assim na companhia quentinha de que gosta de curtir as mesmas coisas que eu, finalmente assisti a Harry Potter e Jurassic Park recentemente. Tirei o atraso em outras palavras. E em similar, essas duas obras, que em certo tempo na vida ignorei completamente na nossa filosofia do "mais um", tem em comum o sentimento de tempo perdido, por consequência trazendo consigo a importância de manter a mente aberta para certas idolatrias e/ou "modinhas", acima de tudo tentando entender a magia que envolve essas obras. E sobre Jurassic Park especificamente, entender porque durante todos esses 25 anos a magia dos dinossauros se manteve tão intacta.

Steven Spielberg: O maior contador de histórias do cinema

Creio que a fascinante história de Micheal Crichton, também responsável pelo filme de Westworld nos anos 70, só tem essa magia (não tirando uma grama do peso da história do livro) graças ao maior contador de histórias do século XX. George Lucas? Não, Steven fucking Spielberg.

Para muitos vivendo seu auge em 1993, ano do lançamento do brilhante "A Lista de Schindler", os dinos explicam uma GRANDE parcela do que faz Spielberg, inventor da palavra blockbuster com seu "Tubarão" de 1975 ser tão respeitado, sabendo capturar a essência do que faz uma boa história ser uma boa história. Contando uma história de aventura divertidíssima, mas sem esquecer da filosofia que faz aquele despretensioso parque ser tão pertinente.

Simples e direto, Jurassic Park é um filme de monstro, onde cientistas até bem intencionados (também capitalistas descerebrados) criam um desastre iminente típico do "vai dar merda", e nossos heróis tem que se virar nos 30 para sobreviver em uma ilha cheia de lagartos-ave de milhões de anos famintos e mortais.

Mas lembra a saudosa frase do Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum) de "que a vida dá um jeito"?

Ao final nossos heróis se dão bem, claro, mas é só ver a ação do Dr. Alan Grant (Sam Neill) quando vê no helicóptero de que o cinto do banco é composto por duas "fêmeas". Elas não se encaixam, mas ele amarra e... dá um jeito. Aliás, o parque é composto de fêmeas para não haver reprodução, mas a vida dá um jeito, e o parque de John Hammond (Richard Attenborough) criou vida naquela ilha da Costa Rica, ensinando mais uma vez o resultado de tentar controlar a natureza. Quem são os monstros nesta história? Pense no caso do cinto. Esse é o Spielberg elevando o entretenimento descaradamente, passando longe daquele cara "pipocão" que um nome como o dele pode parecer carregar.

Um bom CGI pode dar um jeito, um excelente stop motion também, e bom, atores vestidos de robôs mostram a dedicação de uma época onde a tecnologia engatinhava; mas penso que somente uma boa história é capaz de engrossar o caldo que contém efeitos especiais, dinossauros, bons atores em um filme capaz de alavancar a nostalgia de qualquer um que vê, ontem e hoje. Fazendo entender porque Jurassic World é uma continuação que sobrevive somente por causa da nostalgia de uma geração que viveu 1993, e vê em muitos aspectos a ética e certos conceitos mundanos permanecerem os mesmos durante esses 25 anos, sobre nossos deveres com o planeta, e para com a ciência em direção ao futuro.

Como será daqui a 25 anos ou por 65 milhões deles?

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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