post Resenha Animação: Batman Ninja - DescafeinadoBlog

Resenha Animação: Batman Ninja

quarta-feira, junho 20, 2018


A primeira coisa que salta aos olhos na nova animação da DC é a junção das palavras "Batman" e "Ninja" no mesmo título, então logo que fiquei sabendo da sua produção, suspendi a descrença e abracei a galhofa, afinal, Batman e o Japão Feudal em NADA tem a ver. E creio que essa vontade tenha sido preponderante para assistir e entender "Batman Ninja" por completo.

O roteiro não é lá criativo, o Cavaleiro das Trevas é transportado para o Japão Feudal graças a uma maquina do tempo construída pelo vilão Gorilla Grodd, depois de uma investida do herói para tentar impedir que o macacão enviasse os vilões de Gotham para várias partes do mundo. Obviamente que nessa "trapalhada" todo mundo sem distinção vai para na terra do sol nascente, com um certo intervalo de chegada.

Qualquer roteirista que tem que cuidar de tantos personagens ao mesmo tempo em 99% das vezes faz um trabalho de decente pra ruim, e vamos convir de que descontadas as megalomanias, essa é uma tarefa pra lá de ingrata; só lembrar de exemplos malfadados como "Homem-Aranha 3" e "X-Men: O Confronto Final". No entanto, o roteiro assinado por Kazuki Nakashima trabalha com a premissa da viagem no tempo de uma forma no mínimo interessante ao dividir os mocinhos e vilões em clãs, o que por consequência proporciona uma divisão interessante de tempo de tela a cada um, também colaborando diretamente para a proposta de insanidade da animação - que usa e abusa da estética de um JoJo's Bizarre Adventure ou qualquer anime de traços dinâmicos e bem feitos.

Mas como quase tudo tem um mas, é a partir da metade final que a animação tem a sua. Quando passamos da parte quase onírica em que o Batman e o Capuz Vermelho interrogam um casal de agricultores (momento que nos encanta e engana absurdamente), a animação cai naquele senso comum japonês com explosões e megazords que povoam o final ao ponto de, mesmo compreendendo a proposta do anime desde o começo, incomoda até o mais desprendido e mente aberta. O troço é tão doido que parece que a narrativa foi idealizada pelo ponto de vista de um Coringa (dublado, na versão em inglês, por um Tony Hale absurdo de bom). Ou será que alguém não se incomodou com os morcegões formando o Morcegão?!

Resumindo, "Batman Ninja" polariza opiniões na mesma medida que empolgou ao seu anúncio. A ideia de unir o mais icônico e adorado (muito mais que o Superman, vá lá) da Distinta Concorrência à cultura japonesa soou charmosa, simplesmente pela ideia de colocar o morcegão e o Coringa degladiando em um ambiente tão incomum. A verdade que a DC nas animações (claro) sobe ainda mais no meu conceito, pela coragem de propor uma narrativa tão ousada e pelo ótimo desenvolvimento tanto estético como de narrativa - até certo ponto.

Pra mim podem fazer o Batman para até na civilização inca.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários