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Resenha CD: Ghost - Prequelle

quinta-feira, junho 07, 2018


Nem lembrava, mas já resenhei um álbum deles chamado "Meliora", leia aqui.

Quando o sueco Ghost surgiu em 2010 no cenário, logo eu rotulei como "mais uma banda que bebe da fonte dos anos 70", e de certa forma, com toda qualidade, vamos convir de que a impressão era essa mesmo; contudo, ao prestar mais atenção, logo eu também notei que a banda carregava uma originalidade pouco vista no cenário heavy metal - longe dessas "salvações", como se o gênero precisasse disso.

Dá pra dizer que o Ghost não é popular aqui no Brasil entre a grande massa, o que não me surpreende, já que justamente atrás dessa "salvação" muitos "metaleiros" metalúrgicos se prendem a base clássica ao ponto de ignorar excelentes trabalhos atuais de antigas bandas, e educadamente  solicitando com palavrões o Iron Maiden e o Metallica em todos os festivais possíveis como se somente essas bandas prestassem.

Por uma inspiração divina e transcendental do senhor Roberto Medina, a banda chegou a vir aqui no Brasil para o Rock In Rio de 2015, e como eu esperava, foi vaiada (que banda nova não é vaiada lá?) com sua mistura de ocultismo, satanismo (quem disse que metaleiro gostava disso?), peso e pop (palavra essa que causa calafrios em qualquer "rockeiro"). Nada mais do que uma abreviação, pop significa popular, e popular cabe a interpretação de cada um, como qualquer arte. É o que é agradável aos nossos ouvidos, como "Enter Sandman", "Paranoid" e "Number of the Beast". Agora pare e faça um breve exercício sobre esses refrões, descolando o pop da Taylor Swift na sua cabeça.

Ok? Voltamos.


Uma das características mais fortes do rock e do metal são as "letras grudentas". Muito mais que o instrumental ser bem feito, eu penso que é muito mais valoroso quando a experiência de um bom refrão acompanha os riffs de uma guitarra. E o Ghost sempre nos entregou justamente isso durante sua trajetória, em maior ou menor grau, passando pelo seu ótimo debut "Opus Enonymous", pelo o experimental "Infestissuman", pelo excelente "Meliora", e pelo EP "Popestar" de 2016 - este um bom indício do que viria neste álbum; mas é no aguardadíssimo "Prequelle" que entendo que a banda chegou em seu auge nos entregando um tracklist mais redondo e coeso, por assim dizer.

Uma demonstração desse poder foi a morte do seu alter ego Papa Emeritus para dar lugar ao teatral Cardinal Copia (Tobias Forge), simbolizando o estabelecimento definitivo de uma fase mais direcionada ao pop e mais distante do heavy metal setentista, que devido ao seu debut, todos esperavam que o Ghost permanecesse.

Mantendo a temática forte e sendo dançante em várias de suas faixas oitentistas, como "Rats", "Faith" e "Dance Macabre", que são figurinhas certas nos seus shows, "Prequelle" alterna nos instrumentais aprimorados e deliciosos que rendem até um muito bem encaixado solo de saxofone na grandiosa "Miasma" (!) e num piano arrepiante na bela "Pro Memoria". E pra provar como o Ghost é bem relacionado com a nata do heavy metal atual, há uma participação de Mikeal Akerfeldt do Opeth na guitarra acústica em "Helvetesfonster".

Para encerrar, falo tão pouco de álbuns atualmente escolhendo dar um destaque maior a filmes e séries, mas "Prequelle" é um álbum tão fora da casinha que dá gosto de falar e fica melhor a cada vez que se escuta.

PS: Se você torceu o nariz na primeira vez que o escutou, como eu, dê mais uma chance. Vá por mim.

Tracklist:

01. Ashes
02. Rats
03. Faith
04. See The Light
05. Miasma
06. Dance Macabre
07. Pro Memoria
08. Witch Image
09. Helvetesfönster
10. Life Eternal

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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