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Dark Tourist matou as saudades que tinha da TV a cabo

quarta-feira, agosto 01, 2018


Quando assisto qualquer canal de YouTube sobre responsabilidade financeira, lógico, eu presto atenção. Mas entre dicas realmente pertinentes e a famosa frase "nada é impossível", eu me relembro de Earn, da série Atlanta, que a certa altura diz a um amigo que "permanece pobre por estar muito ocupado em tentar não ser pobre". Oras, é um círculo vicioso que é praticamente impossível de se desprender. Em grande parte o conto meritocrático do capitalismo é demagógico. Por mais que sejamos partidários da ideia que é preciso investir para garantir o dia seguinte, corremos forte (eu pelo menos) quando ouvimos o termo "alto risco". Risco. Dinheiro. Futuro. Presente. Deu pra entender o dilema né? Temos que trabalhar pra sobreviver até a aposentadoria, e da aposentadoria continuar sobrevivendo - quem sabe até trabalhando nesse processo. É foda viajar. Uma hora falta grana, outra o tempo.

Enfim, também sem muito alto risco, eu aposto que você siga um blog, Instagram ou pelo menos curta assistir um documentário (os influenciadores do passado) em que o dono esteja visitando um lugar pelo mundo. E aposto que tem pelo menos um dos que diz que está visitando tal lugar porque "largou tudo ou simplesmente conseguiu poupar seu primeiro milhão (parodiando a Nathalia Arcuri)". Claro, diversos fatores colaboram pro fato de ele conseguir estar lá, mas não podemos negar que conseguir poupar dinheiro assim ou ter largado seu emprego pra viajar são sonhos molhados de qualquer pessoa. Quem não gostaria de viajar? E a tarefa de qualquer uma dessas mídias é trazer esses sonhos até você.

Não assino TV a cabo a muitos anos justamente por causa da Netflix, mas me lembro que na infinidade de documentários disponíveis nos canais Discovery de lá, um dia estava assistindo a um sobre colecionadores de aspiradores de pó. É bizarro e até idiota, mas pra cada um que coleciona selos (zzzz), tem outro que curte colecionar objetos nazistas. Portanto, dentre dessa dicotomia, não podemos negar a gigantesca diversidade cultural do nosso planeta e a atração magnética que ela nos provoca. Afinal: o estranho está nos olhos de quem vê.

Viajar pra praia, trilhas ou monumentos é uma tarefa fácil; e se a história e cultura exala de todos os lugares, é de esperar que exista alguém afim da tarefa PECULIAR de conhecer lugares que ninguém gostaria de conhecer. Essa é a tarefa do jornalista David Farrier, que a Netflix arranca do conforto da Nova Zelândia para trazer o pesadelo até você, contando histórias macabras do mundo e visitando lugares que não tem o mínimo de saneamento básico.

São 8 episódios em que ele se dispõe a atravessar a fronteira do México com os EUA, conhecer o narcoturismo guiado pelo próprio sicário do Pablo Escobar, falar com admiradores do Charles Manson, e se enturmar com praticantes de vudu em Mali, entre outros. E nenhum desses destinos são simples reportagens jornalísticas. São todas visitas guiadas, como o trajeto do assassinato de JFK em Dallas e a Zona Fechada do Japão. Todas experiências que são direcionadas a turistas que tratam culturas e histórias como "fetiches" e acham que não há nenhuma emoção em tirar foto com a Torre Eiffel.

Com certeza você tem um site favorito dedicado a notícias no mínimo curiosas. Pode ser uma Superinteressante da vida. O mundo é bizarro mesmo e somos atraídos por QUALQUER coisa que nos tire da realidade. Histórias são histórias, e diariamente a realidade nos conta alguma. E a principal tarefa dos documentários é nos contar tudo isso enquanto agradecemos por estarmos seguros em nossos sofás.

É interessante observar como a Netflix acerta em cheio nos documentários, não tem um ruim que eu vi. Se o selo Original Netflix hoje em dia (infelizmente) é sinônimo de lixão de Hollywood (o vídeo-cassete digital), a série documental "Dark Tourist" é entretenimento de primeira para quem está com saudade de perder horas e horas em frente a TV a cabo observando malucos que colecionam aspiradores de pó. Eu mesmo estava. Então corre pra ver como é a distopia do Turcomenistão por dentro!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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