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Resenha Animação: Aggretsuko (1ª Temporada)

quarta-feira, agosto 01, 2018

Segunda-feira / Sexta-feira

Independentemente do sistema político ou econômico que for, todos nós estamos presos ao mundo corporativo de alguma forma. Sabe, aquela coisa chamada rotina.

Acordar com o despertador tocando e colocar em modo soneca por mais 5 minutinhos - isso quando não desligamos ele sem querer. Levantar com preguiça, dar aquela espreguiçada boa, e caminhar para o banheiro pra fazer aquele xixi maroto - provavelmente esquecendo de lavar as mãos no processo. Se vestir com sono, ir escovar os dentes e deixar cair pasta de dente em alguma parte na roupa - às vezes sem perceber. Tomar transporte público pro trabalho, encarar o colega chato e fofoqueiro e o chefe escroto exigente, enquanto o cafézinho e as conversas aliviam a raiva. Quem nunca esteve em um emprego bosta simplesmente por subsistência? Pensar nisso e ir dormir para no dia seguinte reviver tudo em loop por que está muito cansado pra pensar de outra forma.

Retsuko é uma panda vermelha - não raposa e muito menos gata - que tem uma vida comum no sentido mais trágico da palavra. Toda descrita acima, de um chefe escroto à um metrô que não alivia em nada a situação. Uns descontam na bebida, outros na comida, outros na academia; Retsuko desconta o estresse nas horas passadas no karaokê cantando canções de Death Metal - um bom paralelo do quanto certos troços são tão irritantes que dá vontade de gritar, mas também uma absorção clara da cultura Kawaii Metal que vem tomando conta do Japão. A intenção é chocar, e causar boas risadas com o absurdo de duas características que não se relacionam em nossas cabeças.

Direcionada ao público infantil, a empresa Sanrio tem em sua maior franquia aquela gatinha sem boca do demônio Hello Kitty. Aggretsuko é o primeiro resultado da parceria com a Netflix, que traz com fofice e simplicidade todos os problemas da vida adulta, usando da antropomorfia pra dar pistas claras sobre o que a animação quer dizer e pra quem quer dizer. Não é por menos que a colega fofoqueira é uma cobra e o chefe escroto é um porco.

Tive uma sensação de repetição nos seus 10 episódios curtíssimos, mas pense: o mundo corporativo não é uma eterna repetição?




Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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