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Resenha Série: The Alienist (1ª Temporada)

segunda-feira, agosto 06, 2018


Ambientada no final do século XIX, a primeira temporada da série logo abre mostrando um corpo encontrado na ponte do Brooklin em 1896. As características chamam a atenção da polícia: a crueldade do assassinato e o fato de a vítima ser um prostituto. Um jovem vestido com roupas femininas que teve os olhos e genitais arrancados.

O século XIX teve como característica principal as consequências do desenvolvimento provocado pela Revolução Industrial, gradativamente causando um grande êxodo de pessoas que em busca de riqueza da burguesia, iam atrás de uma vida melhor - o proletariado. Esse roteiro todos conhecem, e a expansão das cidades trouxe também algo que até ali era conhecido, mas debaixo dos panos: a criminalidade.

Até aquele tempo os métodos criminais eram julgados em cima de uma régua mais dicotômica; porém, um crime como este não poderia ser medido dessa forma. Como acompanhamos em "Mindhunter" e em "Manhunt", o nascimento de técnicas forenses para tentar "adentrar" na mente dos assassinos sempre foi um terreno espinhoso e que requeria um investimento de tempo que a polícia como instrumento social, por si só não tinha, e no fundo, nem queria passar a admitir uma impotência.

Então nesse beco sem saída, a NYPD carregando consigo a descrença da opinião pública, não vê outra alternativa a não ser recorrer aos "alienistas" (como psicólogos e psiquiatras eram chamados na época) para tentar trazer algum resultado mais consistente. Aí entra o personagem Laszlo Kreizler (Daniel Brühl), o alienista do título, que atento ao crime acima, entende que o assassinato é obra de um serial killer e que é necessário entender primeiro as motivações do assassino para captura-lo mais rapidamente.

Reunindo uma dupla de sidekicks no mínimo inusitada, no caso o ilustrador da NYT John Moore (Luke Evans), e Sara Howard (Dakota Fanning) a primeira mulher a trabalhar na NYPD, são dez episódios de um mistério à la Sherlock Holmes, que claro, conta com um protagonista extremamente perspicaz e antipático, dono de um passado misterioso.


Adaptação do livro homônimo de Caleb Carr, a limited series da TNT (e agora Original Netflix) "The Alienist" ao seu final, ironicamente apresenta uma dualidade que a psicologia aplicada por Laszlo diante do assassino tenta compreender. Por trás de uma ambientação belíssima, o thriller em si infelizmente apresenta por ora momentos inspirados e por ora momentos muito vagarosos de dar sono, algo que para uma série de apenas 10 episódios não esperamos que aconteça.

Todas as séries de investigações criminais seguem uma métrica simples: corpo-método-investigação-psicologia-descoberta, e, como você vê acima, "The Alienist" não foge da regra para a felicidade daqueles que adoram histórias investigativas. Portanto, era mais do que necessário que esse arroz com feijão seja bem temporado para não passar batido. Mas não é isso o que acontece.

Em contraponto, se a resolução do crime chega a ser anti-climática ao ser resolvida de uma forma tão simples (não só óbvia), os personagens carregam consigo fatores positivos que são capazes de envolver o espectador ate o final. Um deles pra mim é o fato de o mesmo não cair no clichê romântico. Sara se apresenta como uma mulher transgressora e além de seu tempo, que é capaz de protagonizar várias discussões ótimas com Kreizler. Outra é a sua coerência dramatúrgica. Kreizler tem um arco muito bem construído que mostra a paixão pelo seu trabalho e a sua obsessão na análise da mente criminosa.

Concluindo, o roteiro de "The Alienist" não tem nada de novo a oferecer, mas sustenta a curiosidade do espectador apresentando uma ambientação histórica de uma NY fria e chuvosa do século XIX que beira a perfeição. Então há qualidades, falamos aqui de uma série interessante e atraente, mas que ao seu final deixa claro de que não é capaz apresenta uma trama que consiga se sustentar além dessa temporada (a não ser que Kreizler seja um tipo de Robert Langdon). E por ser uma limited series, imagino que não vá.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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