O medo da morte: A filosofia por trás de Darth Vader

Apesar de praticamente todos os fãs de Star Wars, incluindo eu, não gostarem da nova trilogia seja pelo exagero de CGI (oi Yoda de plástico), seja pelo bicho esquisito dos três I's (idiota, irrelevante e insuportável) do Jar-Jar Binks, seja pela invenção dos mid-chlorians (que jogam na lata do lixo a mistificação dos Jedis), ou seja simplesmente por texto ruim mesmo; o fato é que essa nova trilogia era necessária para expandir o universo mais mexicano da galáxia ao se dedicar a contar a origem do maior vilão asmático samurai de todos os tempos: Darth Vader.

De onde ele veio? Como ele se tornou assim? Por que Obi-Wan vivia como eremita? Por que esse ódio tomou conta de Anakin? A nova trilogia serviu para esclarecer isso e deixar um pouco mais claro a divisão entre Jedis e Siths em nada mais do que a vida baseada no temor da morte. Em outras palavras, como Yoda alertou nós: o medo é uma passagem para o lado negro.

Salvo os defeitos, cá entre nós que foi justo cair mais uns milhões no bolso do tio Lucas né?

Esse vídeo muito bem feito do Wisecrack contando sobre a filosofia por trás de Darth Vader explica bem isso e vale o clique!

PS: Calma, se você não é versado no inglês, tem as legendas embutidas. Caso elas não saiam automaticamente, clique para ativá-las e logo após nas configurações do vídeo para selecionar o português. Entendido?

Tirinhas da Semana #304

Resenha Filme: Adeus, Lênin


No início do filme, é mostrado que a RDA (o lado socialista, ou oriental) está alcançando finalmente níveis de reconhecimento internacional, a nave (a SOJUS 31) é lançado do solo soviético e Sigmund Jahn é o primeiro cosmonauta da RDA, objeto de admiração da criança Alexander Kerner (Daniel Bruhl, ele mesmo do "Bastardos Inglórios") que assistia o acontecimento pela TV e sonhava maravilhado por ser "levado ao espaço com bravura" o sonho socialista, mostrando que sim, este era um progresso. Mas como todo sistema, nem tudo são flores e os tempos de prosperidade aos poucos iam sendo quebrados. Em 1989 com a comemoração dos 40 anos da RDA, a marcha da apresentação de armas em frente casa dos Kerner, contava com personalidades políticas do calibre de Mikhail Gorbatchov, e agora o jovem e mais maduro Alexander já não via mais com deslumbre o que acontecia, que pra ele, não passava de uma celebração de velhos sacanas sobre si mesmos, contrariando sua idealista mãe, Christiane (Katrin Saß), que era ferrenha defensora do modelo socialista e tinha esperança de dias melhores.

Neste ano o muro cai, começam as negociações para a reunificação e as reformas de Gorbatchov que comandava uma URSS forte, mas isolada e efervescente. A Alemanha Oriental neste ano de comemoração, tinha um povo insatisfeito e os protestos eram cada vez mais frequentes, A natural repressão dos militares tomavam conta das ruas e a mãe de Alexander, que se dirigia de táxi para as comemorações, vê seu filho sendo brutalmente preso e sofre um ataque cardíaco.

Entrando em coma durante oito meses, nesse meio tempo em que Christiane permaneceu no hospital o Muro de Berlim caiu e agora a Alemanha sofre profundas e aceleradas transformações políticas e sociais. Desperta do sono profundo, Christiane não sabe o que aconteceu e Alexander tem a recomendação dos médicos para que sua mão evite totalmente qualquer tipo de exaltação. Como ferrenha defensora socialista que é, Alexander agora se vê em uma encruzilhada e leva sua mãe para casa para protegê-la dessa realidade que se criou.

A partir dai o filme se constrói em torno da bem humorada e absurdamente compreensível ideia de Alexander em, aproveitando da fragilidade da mãe, praticamente recria a RDA como era buscando uma tranquilidade para sua mãe em seus últimos meses de vida, mudando decoração, costumes, comidas e até programas televisivos criados pelo seu parceiro de trabalho Denis era um trabalho extremamente custoso.

A divisão da Alemanha que se iniciou ao final da Segunda Guerra, causou não só um choque político, mas principalmente da cultura dentro das famílias alemãs que agora eram obrigadas a conviver com parentes que não poderiam ver pois estavam do outro lado do muro; e esse talvez seja um dos principais motivos para Alexander ter pegado aversão a RDA. Abandonado por seu pai que preferiu a RFA (o lado capitalista, ou ocidental) quando ainda este ainda era criança, ele vê, agora mais maduro, um sistema que não prezou pelo social do nome, mas sim um país isolado que construiu um muro para delimitar ideologias ao invés de proporcionar mais direitos a aqueles que moravam em seu país, de qualquer um dos lados; impedindo Alex, por exemplo, de rever seu pai Robert (Burghart Klaußner). E essa queda da pátria socialista, que a medida do tempo foi contra aos pensamentos de igualdade em que ela mesmo propagava, assim, caindo esmagadoramente em um referendo popular para a reunificação do país, é a derrocada da principal personalidade que Alex admirava quando criança e que representava a ascensão da RDA diante ao mundo. Sigmund Jahn deixou de ser cosmonauta para virar motorista de táxi, o que consumava o fracassos dos projetos especiais e o desemprego que assolava o lado oriental.

Seguro e extremamente didático (e até atual se formos pensar em repressão e principalmente o que muros podem causar, oi Trump), o filme de Wolfgang Becker, se passa no período entra a Guerra Fria e a reunificação da Alemanha, sempre se baseando em fatos e justificando eles ao longo do filme, assim, não parecendo um documentário ou algo incompreensível para alguém que não vivenciou a época.

Sendo uma rica demonstração cultural e até uma fonte educacional, o filme alemão de 2003 "Adeus, Lênin" soa pelo nome politicamente carregado e até pedante - dado também nosso momento político em que nos afastamos de qualquer notícia sobre para não causar ainda mais náuseas. Contudo, este acaba sendo não só é uma mostra de como o choque da mudança do comunismo com o capitalismo afetou profunda e rapidamente a Alemanha (que se dividiu totalmente em 1959 após uma invasão Soviética dez anos antes), mas uma lição verdadeiramente bem humorada de como qualquer sistema é irrelevante se muros são construídos em volta dele.

Tendo um outro ataque cardiaco após revelar um segredo referente à seu marido e um tanto confusa por ter saído do quarto e visto a transformação que o país dela sofreu, Christiane volta ao hospital e Alex para finalizar o "conto de fadas" que criou ao refazer a Alemanha socialista para a sua mãe, pede à seu amigo Denis para gravar um derradeiro vídeo encaixando a queda do muro ao sonho socialista de sua mãe, proporcionando assim a ela uma morte mais feliz.


E após lançar as cinzas de Christiane aos céus, Alex nas suas palavras derradeiras diz: “o país que minha mãe deixou era um país no qual ela acreditava e que nós mantivemos vivo até o último segundo dela. Um país que de fato nunca existiu desta maneira. Um país que na minha memória estará sempre conectado à minha mãe”.

A lição dos Vikings para os mortos vivos


Ontem foi ao ar o S04E16 de Vikings e lembrei de The Walking Dead.

Calma, os vikings em questão não se transformaram nos mortos-vivos, mas é justamente na inevitável comparação entre uma série a outra que pude mais uma vez perceber o quanto The Walking Dead é uma experiência que acaba sendo frustrante e que ao mesmo tempo traz um grande pesar por poder ser muito mais do que entrega.

No S04E15 All His Angels, Vikings matou seu principal personagem, aquele que simplesmente moveu a série por quatro temporadas e que tem um peso histórico inestimável: o rei Ragnar Lothbrock. Mas como uma série pode sobreviver sem seu principal personagem?

Para quem acompanha a série, a um certo tempo e principalmente a partir do primeiro episódio da quarta temporada iniciada no dia 30 de novembro do ano maléfico de 2016, víamos um Ragnar amargurado. O peso de ser rei, o peso de ter visto seu irmão Rollo ter traído o seu povo, o peso de ver seu melhor amigo matar Athelstan simplesmente porque "foi um chamado dos deuses", o peso de ter seu mito quebrado pela derrota sofrida na França e por ver seus principais sonhos de prover a expansão de seu povo arruinados e brutalmente massacrados nas terras inglesas, inevitavelmente provocou a Ragnar uma reflexão e isolamento.

A S04E10 The Last Ship em seu final arrepiante com a já emblemática frase "who wants to be a king?" foi um episódio decisivo em demonstrar o quanto o poder pode arruinar psicologicamente uma pessoa e o quanto somos condenados pelo mesmo. Ragnar não queria mais esse título, ele foi quebrado por causa dele. Ele não era um mito, era uma pessoa; muito esperta por sinal, mas uma pessoa. Ser um rei era um peso muito grande a carregar e seus louros de glória foram apagados por uma derrota e pelos seus erros em confiar em quem não podia. Ao desenrolar dos episódios seguintes vimos sua derrocada, sua saudade dos tempos mais simples de fazendeiro e sonhador. O desafio de Ragnar era agora desafiar os deuses e ir para Valhalla porque era uma decisão dele, e não do destino de uma batalha. Para ele que teve tirado seu melhor amigo Athelstan, agora a vida espiritual, seja em que lugar, seja qual o deus cristão ou pagão, era em cumprir um objetivo.

Em um roteiro muito bem amarrado e seguro desde o começo, Vikings premia o espectador com uma série sempre eletrizante e sem episódios somente feitos para o entretenimento mais barato, mesmo agora tendo sendo estendida sua temporada de 10 para 20 episódios - o que me causou um medo, mas tenho me render à competência de Micheal Hirst.

Obviamente a morte de Ragnar escondeu um propósito de sacrifício talvez por algo maior, mas não cabe aqui comentar isso. A questão é que sua morte foi sobretudo para mover a história para frente, sem frescuras. Desenrolando um fim de uma era e passando para outra, onde Ivar, Bjorn e Lagaertha assumiriam seu nome e sua glória. O roteiro entregou um Ragnar genial e genioso, fez dele sua principal força, mas com uma agilidade invejável desenvolveu tantas outras histórias paralelas e fortes o suficiente para segurar a série durante muitas temporadas ainda. A série se inspira de forma muito competente em fatos históricos para saber quais são os próximos passos, no caso, a já revelada jornada pelas águas do mediterrâneo até a Espanha muçulmana. Mas para onde mais Bjorn pode ir? Sabemos que os Vikings chegaram a América, mais especificamente em terras canadenses. A história é riquíssima para nos deleitarmos.

E The Walking Dead? Ragnar foi morto em Vikings pois era um personagem suficientemente forte para balançar as certezas que tínhamos sobre a série e movimentar o destino dos outros personagens. Para onde ele vai agora, o que ela vai fazer? The Walking Dead enrola para revelar a já cantada morte de Glenn até a outra temporada, e é incapaz de deixar claro seu próprio intuito de sobrevivência. Em um mundo pós apocalíptico a noção de perigo a qualquer momento é naturalmente altíssima, mas o clã formado por Rick, Michonne, Carol e Darl é supostamente invencível.

Não prego a morte de Rick, mas bem que a série podia apelar pra mortes significativas e para um roteiro mais ágil em desenvolver seus núcleos de forma paralela, e não isoladamente em cada episódio. Mas enfim, essa é uma contínua frustração ao longo das sete temporadas, de uma série que é capaz de entregar momentos simplesmente épicos e uma dezena de episódios frustrantes, ficando cada vez mais longe de uma qualidade que tantas e tantas outras séries tem mostrado ter. Talvez caiba uma reflexão para Greg Nicotero, como Ragnar Lothbrock teve a sua sobre mortalidade.

A solidão de Travis em Taxi Driver


Filmes que são rompem a barreira do tempo são aqueles que se renovam a cada vez que o vemos, quer dizer, que para cada um esse tem uma interpretação diferente. E talvez um dos filmes que mais bem exemplifique bem essa dualidade seja Taxi Driver. Scorsese na sua obra máxima fez um filme em que o roteiro só dá andamento ao mesmo, com começo, meio e final; e o que você tira dele é o que acaba importando no final das contas.

"Ele é um homem solitário desesperado em provar que está vivo".

É só olhar para o famoso pôster de Robert de Niro com as mãos nos bolsos andando cabisbaixo meio que sem rumo, para entendermos do que se trata e qual é a reflexão que o roteiro tenta nos passar: até que ponto a solidão de um homem pode quebrá-lo?

Travis é um ex-combatente do Vietnã (suposto, vou explicar o porquê) que talvez envolvido num choque pós traumático, sofre com uma insônia violenta e constante. Para curar sua insônia ou não, Travis escolhe arrumar um emprego como taxista em Nova Iorque, claro, no período noturno. Putas, bebida, fumaça de cigarro, crimes, sujeira. A limpeza moral está cada vez mais distante e Travis só observa tudo rodando pela cidade. 

“Um dia uma chuva de verdade virá e levará toda essa escória para fora da rua“

Mas eis que nessa direção sem rumo adentra uma passageira, se trata de uma prostituta de apenas 12 anos, Iris (Jodie Foster). Como proceder? Talvez pela moralidade que lhe resta e ainda mais inconformado no que a noite é capaz de oferecer, Travis se torna obcecado em "salvar" a criança daquilo tudo pois ela representava o que era mais podre de toda essa decadência - mesmo que ela relutasse a tal julgando que seu cafetão era sim uma boa pessoa. 

Enquanto Iris (Jodie Foster) fica intrigada com Travis, em contrapartida ele se envolve com Betsy (Cybill Shepherd) e identificados pela solidão que lhe cercam de formas diferentes os dois acabam se aproximando e esta aceita sair. Travis leva Betsy para um cinema, mas para ver um filme pornô. Inadequado? Não para a inocência quase que absurda de Travis em apresentar para ela a única parte do mundo que conhece. A solidão mostra a inabilidade principalmente de Travis em parecer... humano. 

Há dois tipos de solidão, a emocional e a espiritual. A física é aquela necessária, é quando precisamos de um tempo para respirar sozinhos e ficarmos com os nossos pensamentos; a emocional é aquela que nos "quebra", que quase como um vírus se alastra e transforma a sociedade e a perda de alguém em uma bolha que sem querer nos faz querer se isolar cada vez mais de tudo o que nos cerca. Esse tipo de solidão nos faz sentir que não nos encaixamos em nada mais fora dessa bolha e a partir daí é um pulo pra decidir o que presta pra nós ou não, trocando a aceitação pela comparação.

Isso constantemente fazemos por causa do amor, quebrado ou não correspondido, leva um tempo para nos recuperarmos. Mas a sociedade adoentou Travis, a régua moral que ele impõe depois do isolamento é sobre certo e errado, em princípios morais de verdade. Assim ele se revolta contra essa solidão, tenta fazer algo por ele e por alguém como se aquilo desse sentido para a sua vida agora. É essa a régua moral, errada, mas certa para ele. Ele se revolta por não entender mais o sentimento alheio, se revolta contra a sociedade que o adoentou dessa forma. 

Lembra que questionei se ele era um ex-combatente do Vietnã? Há vários indícios, passando pelo seu físico de pombo até a justificativa sempre vaga sobre o que ele passou na guerra, então seria um personagem criado a partir de sua solidão? Tanto que ao final se preparou para uma guerra que talvez ele nunca tenha participado, a famosa parte "you talkin' to me?". A desilusão a respeito de todos lhe afeta ferozmente, e alegar ser um ex-combatente meio que dá um sentido mais prático a essa decadência moral que ele vê, tanto política quanto social. Como se poupasse o trabalho de ter que usar muitas palavras. 

Travis tem insônia porque não vê sentido em nada do que vê, trazendo junto sempre um sentimento de não pertencimento. Travis era alguém que procurava algo, ou simplesmente desistiu disso. Creio que ele cansou de ver o tempo passar numa dimensão linear. E é justamente por isso que torna Taxi Driver um filme atemporal, intacto; cabendo a cada um uma interpretação pessoal sobre a jornada de Travis Bickle e do o porquê ele faz o que fez.

"Em toda rua há ninguém que sonha em se tornar alguém". 

A solidão é algo permanente, como a escuridão; essa inexistente sendo apenas uma ausência de luz. Solidão, como a escuridão de nós mesmos, é permanente e inexistente; essa apenas uma ausência de companhia. O norte, o motivo, é o que nos faz tornar vivos. Travis não tinha nada disso e se perdeu.

Tirinhas da Semana #303

Puta que pariu! Finalmente passamos por um 2016 um tanto mortífero e interminável, recheado com aquele calor do inferno e um sabor de crise de ter que parcelar aquele Magnum maroto em 2x.

Mas 2017 tá aí, um novo ano e uma renovação. Além de um ano cheio de realizações e que consigamos realizar alguma meta de vida que nós temos, desejo sobretudo que esse novo ano para nós, como todos os novos e velhos anos, sejam cercados de felicidade, de pessoas inesquecíveis e de bons momentos que possamos lembrar com carinho.

E segue o jogo e o Descafeinado!













Resenha Série: The OA (1ª Temporada)


Para muitos, os sonhos são apenas vislumbres às nossas lembranças mais recentes, para outros é uma manifestação intensa dos nossos desejos mais profundos, e para outros ainda é uma fonte poderosa de premonições. Independentemente do que você acredita, os sonhos e seu significado são ainda cercados de mistério e o único consenso existente é da paz que eles são capazes de trazerem.

Cercados dessa rotina cada vez mais estafante, são nas horas de sono que encontramos a tranquilidade que despertos não conseguimos sequer chegar perto de encontrar. É talvez aí que o constante desejo de fuga do próprio ser seja mais aflorado.

Nessa estranha série "The OA" (OA = Original Angel), Prairie Johnson (Brit Marling) é a personagem que confronta essa dor de não pertencimento à realidade em que vive ao mesmo tempo que é nos seus sonhos que acredita ter algo melhor a esperando, em uma outra realidade.

Nina Azarov/Prairie Johnson/OA é uma garota filha de um magnata russo que após um acidente, por questões misteriosas, tem sua visão totalmente perdida e nos EUA é adotada pelo casal Abel (Scott Wilson) e Nancy Johnson (Alice Krige) e em busca de seu amado pai biológico vislumbrado através de seus sonhos, acaba desaparecendo por longos sete anos, e volta agora, por questões ainda mais misteriosas, enxergando. Há muita resistência da moça em contar o que realmente lhe aconteceu e porque desapareceu por tanto tempo. E "The OA" gira em torno disso.

A estranha garota com cicatrizes horríveis nas costas acaba reunindo cinco discípulos - Steve Winchell (Patrick Gibson), traficante de drogas e bully da escola local, Alfonso “French” Sosa (Brandon Perea), um garoto que luta para cuidar da mãe e ao mesmo tempo destacar-se nos estudos, Buck Vu (Ian Alexander), um menino transgênero, Jesse (Brendan Meyer), um jovem sem perspectivas e Elizabeth Broderick-Allen (Phyllis Smith), uma professora que acabara de perder o irmão gêmeo – que acreditem piamente nela e nós temos que seguir esse mesmo caminho. E nesse "senta que lá vem história" todo, somos convidados assim como eles a mergulharem nessa história, hora acreditando piamente, oras servindo de apoio a nós, questionando se aquilo tudo tem alguma veracidade.

"Existir é sobreviver a escolhas injustas."

Em comum, todos tem a fuga dentro de si, desejando ir para fora do seu ser numa crença às vezes cega e esperançosa de que a sua mera existência não seja só aquilo e que algo a mais deva ser reservado a eles; não por suposto merecimento mas pela perda de sentido se suas vidas, ou pela perda de alguém amado ou pelo desgosto sobre a humanidade. É na busca esperançosa e cega de Prairie pela tal dimensão, que naquela casa, ironicamente, se abriu uma outra, aonde eles se encontraram numa empatia quase que inigualável e que finalmente, em torno de algo que eles nem sabem o que é, puderam se sentir finalmente ligados a alguém. Demonstrando que a conexão emocional, muito mais que a física, é uma questão de sobrevivência; assim como pra Prairie mesmo.

Confrontando ciência com misticismo e espiritualidade, "The OA" fomenta as discussões filosófico-transcendentais através da abusiva pesquisa de Hap (Jason Isaacs) sobre a EQM (experiência de quase-morte) de uma forma direta e crua. Afinal, a ciência é para pisarmos mais firme onde estamos ou para voarmos ainda mais alto, descobrindo coisas que fogem ao alcance do entendimento da própria ciência? Aliás no que Hap crê? A verdade é que talvez por mais que haja ciência e explicações, talvez nunca entendamos nossa mera existência. E no seu antagonismo residido no universo bem particular de Prairie, na sua obsessão quase apaixonadamente doentia por descobrir algo que o fascina, é aonde a série se sustenta e acaba funcionando tão bem. 

Num ritmo sempre cadenciado que tropeça às vezes no limiar da prolixidade (principalmente na primeira metade), a série acaba roubando totalmente a nossa atenção. Apresentando oito episódios e produzida por Brit Marling (sim, a Prairie) e Zal Batmanglij e que teve sua estreia no último dia 16 exclusivamente pela Netflix, "The OA" tem uma lógica invertida que logo de cara nos coloca sob os olhos da personagem. Guardando um começo e um final que gera críticas automáticas, que eu mesmo me peguei em diversos momentos no momento WTF?, é dentro de sua estrutura que a história faz todo sentido nos levando a caminhos corajosos, questionando nossas próprias crenças e desafiando o espectador a pensar "fora da caixinha".

Resenha Cinema: Rogue One - Uma História Star Wars


Quando a Disney comprou a LucasFilm ficou evidente que a única e maior franquia da produtora seria explorada o máximo possível. Como somos catastrofistas e reis e rainhas do drama, algo que se atreve a mexer com a nossa nostalgia e principalmente com uma franquia tão sagrada entre os nerds de plantão seria naturalmente encarado como uma afronta, com a frase tipicamente bradada, com espada e escudo na mão: "Mickey aqui não! É golpe!". Não pera.

Exageros a parte, a compra da Pixar pela mesma Disney anos atrás provou tudo e mais um pouco sobre a Disney não ser burra com suas propriedades, entendendo perfeitamente que a liberdade de criação nunca deveria ser invadida simplesmente deixando lá seu dinheiro render como uma poupança bem lucrativa (vide Marvel). E tem sido assim. Portanto, o anunciado spin off não me preocupou em nenhum momento; e dado a quantidade imensa de material em cima dessa franquia, eu sabia que a expansão de Star Wars seria muito bem aproveitada e bem sucedida. História não falta, e "Rogue One" é o primeiro movimento dessa empreitada, tentando interligar apenas um dos vácuos que o cânone deixou.

Para começar é bom dizer aonde nos situamos. "Rogue One" é simplesmente aquele rodapé do quarto episódio "Uma Nova Esperança" (tá ligado aquelas letrinhas que passam no início do filme?) e portanto se situa na época de uma declarada Guerra Civil. Após os eventos do episódio III que contou sobre um Anakin sucumbido pelo lado negro, encontramos uma situação em que os Jedis estão virtualmente extintos juntamente com a queda da República. Logo, o Império agora governa a Galáxia com mãos de ferro e os agora Rebeldes tem como única e maior esperança o roubo dos planos de construção da Estrela da Morte. E é isso.

"Rogue One" não é nenhuma continuação e nem introduz algum mínimo aspecto para o vindouro episódio IX. E talvez esse seja o seu maior mérito, por não ser literalmente uma expansão de universo.

Gareth Edwards se limitou em apenas contar uma boa história de Star Wars de fã para fã; sobre o que aconteceu e sobre o porquê aquilo aconteceu. Fazendo um filme sem um mísero sabre de luz (exceto na hora que entra Darth Vader, porque ele pode tudo) funcionar como um digno Star Wars; Gareth abriu um leque maior de possibilidades de roteiro e encaixou o filme perfeitamente na sua proposta de "cola" ao explicar como os planos chegaram até Leia Organa e como, por exemplo, Luke Skywalker (o Rogue One de seu tempo) acertou aquele maldito buraco não por um golpe de sorte em cima de um erro de engenharia. Pois é, e eu xingando aqueles engenheiros a minha vida inteira...

"Rogue One" acaba se tornando mais divertido se você tiver assistido a todos os outros filmes e o fim naquela porta se liga perfeitamente a "Uma Nova Esperança". Você vai se esbaldar nas frases, nos personagens, e em diversos easter-eggs espalhados que fizeram meus olhos brilharem e momentos em que soltei um hell yeah bem dado. O famoso e nutritivo leite azul apareceu cara!

Com efeitos visuais perfeitos e sendo o Star Wars que foi mais longe na imaginação ao apresentar planetas simplesmente lindos, o defeito maior tenha sido a protagonista. Obviamente "Rogue One" é um filme com a missão bem clara de sair de um ponto A até um ponto B, sem continuação, sem mais, até sem até a música tradicional de abertura. "Rogue One" não se mistura, logo, Jyn Erso (Felicity Jones) e todos os outros personagens já tinham a sua missão como o verdadeiro esquadrão suicida. Nenhum deles faz parte do cânone e todos estariam condenados a um fim, contudo, a Jyn como protagonista não se mostra em nenhum momento carismática o suficiente para nos envolvermos diretamente com sua história e talvez nesse sentido o filme tenha sido pobre, até o supostamente secundário Cassian (Diego Luna) um desenvolvimento maior. Mas felizmente esse é o menor dos problemas. Funcionando bem sozinho como o Star Wars mais cru e visceral, "Rogue One" vai pro pau, como o melhor filme de guerra intergalactica que você pode assistir hoje.

Disseram que esse é o melhor Star Wars, mas discordo veementemente. Sem os outros filmes, este não funcionaria. Recomendo que você assista a uma, duas vezes. Sendo fã, você irá aplaudir em todas as oportunidades.

Como diria Érico Borgo do Omelete: "Eu quero fã e quero service!"

Você precisa assistir esse live action do Super Mario Maker

Sem dúvida a coisa mais legal da internet, na verdade da tecnologia em geral, é a possibilidade das pessoas fazerem por seus personagens prediletos o que a detentora do direito deles talvez nunca tivesse cogitado fazer com o intuito de divulgar o que ela tem de mais valioso, e dando a pessoas comuns e talentosas o aparato que só Spielberg tinha a 20 anos atrás. Claro que falamos de Mario e Nintendo.

Esse sensacional live action do Super Mario Maker feito pelo canal MyNameIsBanks é o vídeo mais legal que você poderá assistir hoje!


Bonus track porque eu sou bonzinho e isso é legal pra caralho também!: