Tirinhas da Semana #290

Um fan trailer para Kenobi: Uma História Star Wars

Um fan trailer para Kenobi: Uma História Star Wars
O mundo de Star Wars está de novo entre nós e os planos da Disney são: faturar o máximo possível disso. Mas o que soa capitalista, a realidade que se mostra pra quem realmente conhece o universo de Star Wars, é que essa saga tem muuuuita história pra ser contada e que vão bem além desses nove filmes, invadindo a literatura, HQs (aproveitando que a Marvel é também o braço da Disney) e animações. E "Rogue One" que se passa em algum momento antes do episódio IV: "Uma Nova Esperança" sobre o roubo dos planos de construção da primeira estrela da morte, dá a noção exata do que estou falando. Não haverão jedis na trama, algo que se mostra uma jogada bastante corajosa, ao mesmo tempo em que obrigatoriamente amplia o espectro de conhecimento daqueles que não conhecem tanto Star Wars assim ou daqueles baixinhos que estão tendo o primeiro contato com a saga só agora.

Falando agora da literatura, "Kenobi" de John Jackson Miller e que faz parte do universo expandido da saga, tem em sua história sediada na árida Tatooine, um Q de faroeste nos bares de Mos Eisley numa história de personagens simpáticos e cativantes, mostrando um pouco pra nós aquele tempo em que um sofrido isolamento fazia parte do agora último Jedi existente, após sua decepção como mestre de Anakin Skywalker no episódio III,

Agora que "Rogue One" está chegando aí e sabemos bem que essas histórias do universo expandido de Star Wars tem real potencial de serem transportadas para as telonas, a história de Obi-Wan em "Kenobi" assume um protagonismo a mais.

Ewan McGregor já manifestou seu interesse em interpretar o jedi mais de uma vez e a Lucas Film não declarou ter planos pra filmar a história de Obi-Wan. Mas nada como os fãs pra mudar essa história nesse teaser trailer imaginando o que poderia ser esse filme.


O Esquadrão Suicida de Tarantino

Na minha resenha do "Esquadrão Suicida" procurei deixar claro de que ele era sim um filme divertido apesar de seus inúmeros defeitos, e acho que um deles, motivado pela classificação indicativa direcionada ao público mais jovem e até infantil, era a ausência de violência. Claro, é compreensível pra mim, mas ao falarmos de heróis e não vilões, naturalmente acaba se esperando um direcionamento um pouco mais sério de uma Arlequina por exemplo, que no filme vivia um romance de conto de fadas com o Coringa muito mais focado na sua bunda do que no taco de beisebol que ela carregava. Mas enfim, são visões muito particulares do que queríamos e não queríamos.

E Quentin Tarantino? Que saudades desse cara que no começo do ano chutou a porta com "Os 8 Odiados". Cada filme do diretor é marcante pois traz personagens inesquecíveis sempre regados a muito sangue. Posso citar o macarrônico Aldo de "Bastardos Inglórios", o fodão Jules de "Pulp Fiction, as mortais The Bride e Gogo de "Kill Bill", e o mito Django de "Django Livre"...

Já que a DC reuniu sua equipe num filme pra chamar de seu, e se Tarantino resolvesse fazer a mesma coisa? Com certeza o relacionamento do Coringa e da Arlequina iria ganhar outro direcionamento em suas mãos! Talvez numa Terra 2 quem sabe. LOL

O pessoal da Loot Crate Studios ganhou meu respeito ao realizar esse sonho molhado.

O que passa pelos meus fones #136 - Metallica

O duplo (!) "Hardwired... To Self-Destruct" vem pra atender aos meus anseios que clamavam por um álbum novo de uma das bandas que mais demoram pra fazer isso. Porra, são quase dez anos desde o automático "Death Magnetic" e não chamava o Metallica de preguiçoso por um pouco. Só que vale aqui deixar a empolgação de lado e analisar friamente a música em questão. 

Além da bateria de Lars Ulrich finalmente estar nivelada corretamente com os volumes dos outros instrumentos numa mixagem profissional (algo que o Metallica não está acostumado), nessa música temos uma continuação natural do que vimos em "Death Magnetic", só que com um tesão maior aparente, justamente o que não sentia no álbum anterior. E isso é um puta elogio. 

Claro que por uma faixa não dá pra afirmar que o Metallica recuperou seu caminho (como se o tivesse perdido) e até por isso procuro analisar mais rapidamente, mas como na nossa vida em constante evolução, o Metallica deixa uma verdadeira porrada na orelha dos mais frescos, convenhamos.

Por um Coringa mais digno do que aquele que "Esquadrão Suicida" mostrou


O Coringa, o Jóker, o Paiaço é um personagem interessantíssimo. Por ser a personificação das inúmeras facetas do mal, ele se torna um vilão extremamente complexo de se interpretar justamente por isso, ao mesmo tempo que, no entanto, ele é confortável também pelo mesmo motivo. E talvez a alegoria mais perfeita do que estou pontuando, é marcada pela total insanidade do personagem que pede para ter sua face arrancada pelo Mestre dos Bonecos na sua estreia na série Novos 52, com um plano ainda mais doentio, arrancar a face de cada um dos membros da Bat-Família.

Dificilmente a interpretação de Heather Ledger e a caracterização feita por Christopher Nolan em "The Dark Knight" inspirada quase que puramente na HQ "A Piada Mortal", será superada nas próximas leituras do vilão no cinema, isso é fato, tal qual cada Coringa teve um motivo para ser lembrado. Ali víamos a pura maldade, sem passado e sem culpa, abraçando o caos enquanto bebia do cálice da anarquia.

Mas quando "Esquadrão Suicida" apareceu e foi anunciado que Jared Leto iria interpretar o palhaço do crime a expectativa subiu a níveis estratosféricos, claro, finalmente foi dada a oportunidade pra um puta ator carregar o fardo do Coringa. Após Heather Ledger ter imortalizado o personagem (salvo as piadas) se rendendo à loucura dele, significou de fato que a bola iria pra frente e mesmo com as críticas o pessoal se acostumou com o Coringa que via.

E talvez a minha decepção mais forte com o filme tenha sido justamente a de que não houve nenhum tempo hábil para avaliarmos o talento de Leto, que procurou se reinventar para fazer um dos papeis mais desafiador da carreira de qualquer ator. Claro, entre a desvalorização natural de seu raso roteiro e cortes que o próprio ator admitiu existirem, ficou difícil de avaliar o que vimos. É como disse na resenha do filme, ficou um gosto de quero mais como se a água caísse no chope, pois o obsessivo Coringa de Jared Leto e David Ayer tem tudo pra demarcar seu espaço na história dos atores que interpretaram o palhaço se bem trabalhado, claro.

De primeira há de se estranhar num Coringa de cabelos loiros e que é fundamentado numa mistura da frieza de HAL 9000 até a psicopatia de Hannibal Lecter, fortemente caracterizados na aparência que vimos no game Arkham Asylum, Mas "The Laughing Man", com a livre interpretação que o Coringa merece, é tudo aquilo que você gostaria de ver.

É como disse, o mal tem várias faces.

Tirinhas da Semana #289

Resenha Cinema: Esquadrão Suicida


No altamente duvidoso Batman vs Superman tínhamos diversos defeitos, mas como disse na resenha do filme, o seu grande mérito foi suscitar discussões. Não só sobre se o filme foi bom e ruim, mas para aqueles que buscam o algo a mais em qualquer história mesmo que tais motivos ideológicos tenham sido diminuídos no longa.

Sim, não vou ser moralista e dizer que a arte deve ir além do dinheiro, não, ele é fundamental pra pagar nossas contas e as contas da Warner; portanto é natural num estúdio que ainda está buscando sua cara para dar voz a heróis altamente poderosos na telona, que eles façam aprimoramentos afim de que eles busquem um melhor acordo com o público sobre o que vai ser visto. Mas em "Esquadrão Suicida" isso foi além do bom senso. Foi na cara dura que após o "fracasso" (é, menos de US$ 1bi é fracasso hoje em dia) de BvS que a Warner mudou muito do que tinha planejado para o filme e resolveu mudar o seu tom afim de deixar mais palatável ao grande público. Como disse, o dinheiro manda e deve mandar. Mas a principal pergunta é: "A Warner sabe o que está fazendo?". Bom, sabemos que houveram refilmagens, e sabemos dos cortes que o Jared Leto sofreu no filme, portanto é difícil não afirmar que houve uma mudança.

Se atente aos logos.

Pois é, certas coisas a gente pega no pulo.




Era o momento de bater o pé ou seguir outro caminho?

A premissa é simples e se relaciona diretamente com a "ameaça Superman" debatida em BvS. E se ele se virar contra nós, quem irá nos defender? O Chapolin Colorado não se candidata, então quem será? Numa cidade que encoraja uma justiça feita por criminosos - como no rigor da lei o Batman é -, como ela irá se defender contra um mano que a rigor, nem humano é? Para isso Amanda Waller (Viola Davies) simplesmente convoca os piores criminosos da cidade com o intuito de defender ela mesma contra o próximo Superman, afinal, supostamente ele está morto.

A ideia de sacrificar em missões suicidas quem pode ser sacrificado é realmente uma saída. Genial? Nem tanto. Não faz sentido algum você jogar a Arlequina e seu pobre taco de beisebol contra um cara que usa a cueca por cima das calças. Mas enfim.

O projeto Força Tarefa X é botado em prática antes do previsto, já que uma das recrutadas, a arqueóloga June Moore que é possuída pelo espírito da bruxa Magia escapou e libertou o seu irmão planejando retomar o controle da humanidade perdido a milhares de anos. No cenário do ataque à Midway City, Amanda coloca "na pista" a ex-psiquiatra Harley Quinzel ou a doidona Arlequina (Margot Robbie), o ladrão Floyd Layton mais conhecido como Pistoleiro (Will Smith), o "piromaníaco" El Diablo (Chato Santana), o Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e o Capitão Bumerangue (Jai Courtney), todos comandados pelo agente braço direito de Waller, Rick Flag (Joel Kinnamann) para combater a dupla ameaça meta-humana. Lembrando que posteriormente, ainda é adicionada a presença de Katana (Tatsou Yamashiro) ao Esquadrão de Waller para controlar essa galera.

No cinema lembrei diretamente de outra equipe chamada "Guardiões da Galáxia", talvez o filme mais surpreendente de 2014. Ele foi um filme que fora construído exatamente com o mesmo intuito que "Esquadrão Suicida", tendo até várias referências que deram certo sendo copiadas pela rival (como a trilha sonora simpática aos ouvidos), mas com uma diferença crucial em qualquer filme de equipe: o equilíbrio.

Em diversos momentos no filme me perguntei o que tal personagem estava fazendo ali naquele momento, algo que não aconteceu em nenhum momento em "Guardiões da Galáxia" que tinha em Star Lord o seu comandante, mas que deu também o protagonismo necessário a cada um dos membros em momentos diferentes do filme e sem se descuidar da história. Já em "Esquadrão Suicida" temos vários exemplos da falta de sincronia que se teve entre os personagens, apesar de eles em si estarem numa vibe ótima durante o filme. Como a Katana que é aquela típica japonesa mortal que tem... uma Katana e de tão misteriosamente legal, fica desnecessária sua existência, o Croc que a gente só percebe que está ali quando abre a boca, o Capitão Bumerangue que, autenticamente como um ladrão vagabundo e sacana, foge quando tem a oportunidade mas misteriosamente acaba voltando do nada no final e sem explicação, e o grande Amarra (Adam Beach) que após três falas morre para servir tão e como somente prova do quanto Waller e Flag não estão de brincadeira - mas na boa, da onde esse cara saiu? Qual sua habilidade ao certo? Todos esses personagens que citei sofrem do mesmo mal de serem apenas coadjuvantes de luxo, muitos mal são apresentados, outros são inúteis mesmo, outros aparecem somente no final como um Bruce Banner libertando seu monstro dentro de si quando a coisa aperta, sim El Diablo, estou falando de você.

Então apesar de ser um Esquadrão, logo, uma equipe, esse filme acaba sendo essencialmente da Arlequina e do Pistoleiro. A Arlequina é a personificação do "foda-se". Não precisa de muito para se simpatizar com ela (talvez a duração do tamanho do short), para ela todo esse lance de Esquadrão é uma piada mas uma boa chance pra ver seu pudinzinho, aliás ela é a principal ligação com o Coringa e neles temos o lado amoroso do filme - visão que é completamente errada, já que a relação dela com o Coringa sempre foi abusiva e não romântica,..

Aliás vamos falar do Coringa. Achei que o Coringa de Jared Leto ficou ótimo como um Coringa verdadeiramente psicótico e doentio, mas tão horrivelmente subaproveitado que todas as vezes que ele aparece incomoda. Como disse, talvez o principal motivo da Arlequina estar ali, além da sua bunda, é sua ligação com o Coringa e todos os momentos em que esse aparece é para resgatar a Arlequina e só para isso. Sim, o Coringa fica entediado, mas parece que alguém que somente quer o caos, se preocupar tão e somente com isso é bem pouco para ele. E imagino que se o Esquadrão Suicida foi formado para combater missões supostamente suicidas, como na cidade que tem o Coringa à solta não acontece mais nada além do plano de dominação mundial da bruxa cosplay da Samara? Soa até como propaganda enganosa, já que a cara dele está em destaque nos principais pôsteres como se ele fosse membro do Esquadrão sendo que ele nem sabe que isso existe.

Já o Pistoleiro interpretado pelo Will Smith é a cara e o focinho de Will Smith, que além de ser um ótimo ator, de tão carismático nos faz comprar a ideia de qualquer filme que o cara faça. Encarregado por ser o guia moral do filme definindo o que é certo e errado ao lutar por quem se quer proteger (no caso a filha dele para quem ele quer mostrar que não é tão ruim assim), o Pistoleiro é aquele cara que faz todos entenderem (até a Arlequina) que todos ali tem algo em comum. Oia, eis o momento Martha no balcão do bar! Onde mais poderia ser?

A colcha de retalhos que fazem a participação do Coringa, do Batman (Ben Affleck) e do Flash (Ezra Miller) ficarem como se fossem pontas soltas e naturalmente destacáveis é frustrante, pois esse seu desespero para introduzir certos personagens repete o erro visto em BvS, deixou o segundo filme da DC após o anúncio do "universo compartilhado" com um potencial sabor agridoce, mas que ao contrário de BvS, não deu asas á discussão alguma do que o filme pode ou poderia ter sido. Quer dizer, "Esquadrão Suicida" em todos os momentos se define com um filme de entretenimento pipoca, um belo filme nada com a missão de jogar aos ventos mentais de todo mundo o universo que a DC planeja, mas ao ter um roteiro confuso que apresenta os personagens mais de uma vez, em nenhum momento ele tem a capacidade de ousar em ir além disso apesar de seu potencial.

Por ser óbvio demais procurando soluções simples durante todo o roteiro (até parece que a trilha sonora deu essa dica pra nós ao tacar "Sympathy For The Devil" na aparição de Amanda Waller), "Esquadrão Suicida" existe para trazer o espírito dos quadrinhos à telona, como se a DC procurasse terrenos mais calmos ao fazer um belo filme nada pra desligar o cérebro e assistir numa tarde descompromissada afim de ver a bunda da Arlequina. Nada mais. Felizmente ou infelizmente? Bom, bem ou mal, é um enorme avanço dado ao amor e ódio que viu-se em BvS...

Resenha CD: Gojira - Magma


Desde que eu conheço o Gojira entendo que essa banda francesa não é nada fácil de se rotular e até escutar, e isso é um grande elogio! Rompendo barreiras dentro do heavy metal, a banda soube absorver influências transformando seu som extremo em algo único suficiente palatável para qualquer um que curte o gênero.

"Magma" é o sexto álbum da banda comandada pelos irmãos Joe (responsável pelos vocais e pela guitarra) e Mario Duplantier (esse um verdadeiro monstro na bateria) e rompe mais uma vez com o que íamos nos acostumando a ouvir da banda, começando pelo excelente "The Way of All Flash" e terminando no seguinte "L'Enfant Sauvage" aonde o Gojira procurou um som mais coeso e com menos quebras de bateria que acompanha-se claramente "From Mars To Sirius". Bom, esqueça tudo isso, "Magma" rompe essas barreiras se baseando ainda nas guitarras características do Gojira mas agora se ambientando nas experimentações, como na faixa de abertura "The Shooting Star".

A grande estrela do Gojira pra mim são as letras que tratam sobre o meio ambiente e a proteção do ecossistema, vida, morte e em outras questões filosóficas; algo que em "Magma" tomou uma direção mais melancólica e profunda no lirismo do álbum devido a morte da mãe dos irmãos Duplantier, o que acredito também que tenha colaborado para a mudança da França para Nova York, deixando o processo de composição mais espontâneo como confessaram os membros.

Dentre faixas mais familiares como a destruidora "Silvera" e a pesadíssima "The Cell", temos em "Stranded" um single extremamente grudento e pesado com a cara do Gojira, guardando toda aquela introspecção para a faixa-título "Magma" e na espetacular "Pray".

Maduro, inteligente e bem menos brutal se compararmos a "Terra Incognita" por exemplo, "Magma" tem na sua estrela as guitarras e os vocais de Joe Duplantier (que ganham cada vez mais força) ao invés da bateria destruidora de seu irmão. Pela suas diversas camadas sonoras, "Magma" força quem se dispõe a ouvir o álbum uma interpretação mais clara e que consequentemente acaba ganhando nuances diferentes a cada audição; algo que tornou não só o álbum de uma mais fácil compreensão e familiaridade para mim, mas que ao mesmo tempo o deixou complexo em si e fincado no terreno no metal progressivo.

Se você não conhece a banda. a hora é essa de conhecer. "Magma" é o marco-zero e talvez mostra a melhor forma do Gojira, sendo responsável direto por alavancar a banda, até para quem ainda tinha algum tipo de dúvida, a uma das grandes bandas do metal contemporâneo ao lado de Trivium, Lamb of God, Deftones, Killswitch Engage e Mastodon.

De cabeceira e uma das melhores coisas que escutei em 2016!

Tracklist:

1 The Shooting Star 5:42
2 Silvera 3:33
3 The Cell 3:18
4 Stranded 4:30
5 Yellow Stone 1:20
6 Magma 6:43
7 Pray 5:14
8 Only Pain 4:00
9 Low Lands 6:04
10 Liberation 3:35

Resenha CD: Paradise Lost - Symphony for the Lost


É quase um clichê (dos mais agradáveis). Quando a banda "ganha" o título de clássica ela ou faz um acústico ou toca com uma orquestra, e dado a melancolia do Paradise Lost eu sempre imaginei que a banda se encaixaria perfeitamente nessa proposta. Demorou, mas "Symphony For The Lost" atendeu a essa antiga proposta minha.

Gravado no teatro romano de Plovdiv na Bulgária, juntamente com a Orquestra de Ópera da cidade, a banda britânica dividiu o CD em dois sets, sendo que as primeiras oito músicas foram gravadas com a orquestra e as outras nove restantes, infelizmente não. Então o que poderia ter ganhado um tratamento épico no ao vivo acabou deixando aquele gostinho de quero mais.

A primeira parte é realmente épica com o tratamento que "Tragic Idol", "Over The Madness", "Last Regret" e a recente (e a melhor desse set) "Victims of the Past" ganharam, sendo que curiosamente essa última foi a única tocada do último trabalho "The Plague Within", o que acabou me decepcionando ainda mais, já que por ter curtido muito o último trabalho da banda esperava ansiosamente o tratamento que tais músicas ganhariam ao vivo, mesmo sem a orquestra - apesar que pra quem escutou "The Plague Within" e curtiu, sabe bem que a orquestra se encaixaria bem em quase todas as músicas do álbum. Bom, imagino eu que Nick Holmes não esteja muito a vontade para praticar os guturais das músicas ao vivo...

A segunda parte é recheada dos mesmos clássicos de outras apresentações ao vivo da banda, como "Erased", The Last Time" e "As I Die".

Não tem muito a falar de álbuns ao vivo a não ser que esses sejam extremamente ímpares como "Live & Shit" do Metallica, épicos como "Radio City Hall" do Heaven & Hell, marcantes como "Draconian Times" do próprio Paradise Lost, únicos como "Mothership" do Led Zeppelin ou com um diferencial como o "S&M" do Metallica; o que vale num ao vivo é deixar imortalizado em imagens a essência de uma banda.

Porém quando estes contam com um diferencial e/ou não se arriscam na setlist, a experiência se torna decepcionante pois acaba soando como um mais do mesmo (ainda mais se você foi no show desta banda como o que vos escreve). E apesar de "Symphony for the Lost" ter a primeira parte inesquecível, a segunda parte acaba deixando o lançamento aquém do que a banda merecia, ainda mais depois de um grande álbum com "The Plague Within". Pena.

Tracklist:

CD 1 (com orquestra):

01. Tragic Idol
02. Last Regret
03. Your Own Reality
04. Over The Madness
05. Joys Of Emptiness
06. Victim Of The Past
07. Soul Courageous
08. Gothic

CD 2 (sem orquestra):

01. The Enemy
02. Erased
03. Isolate
04. Faith Divides Us, Death Unites Us
05. As I Die
06. One Second
07. True Belief
08. Say Just Words
09. The Last Time