O que passa pelos meus fones #138 - Metallica

Primeiramente é bom esclarecer a tolice pela 55256ª vez de que o Metallica voltará às raízes. Não, ninguém volta atrás no que é e nem a própria banda prometendo isso será 100% verdadeiro, pois o máximo que conseguirão fazer é pegar influências daquela época, no caso dos anos 80, e aplicar ao que estão fazendo hoje em dia. Somos assim e é estupidez obrigar alguém a ser dessa forma, me fazendo acreditar que o preconceito é gerado pela expectativa não atendida dos chorões trevosos.

Cada música lançada do Metallica causa essa discussão chata e furada que me faz ouvir fãs dizendo que tal música é sem graça porque "falta isso ou aquilo" como se o nome Metallica fosse uma maldição. A verdade é que "Moth Into Flame" (como a anterior "Hardwired"), baseada no parágrafo passado, é sim uma volta às raízes, mas como continuação natural do que seria "...and Justice For All" misturado com "Reload" num movimento que me parece mais natural do que a raiva fabricada que vimos em "Death Magnetic" e isso pra mim significa muito mais... sinceridade.

É paulada neles e paulada do Metallica na orelha!

Resenha Filme: O Show de Truman


Truman Burbank (Jim Carrey) é um homem que tem sua vida filmada 24 horas por dia e 7 dias por semana interruptamente desde o início da sua vida. Acontece que ele foi o "sorteado" entre cinco recém-nascidos para um reality show colossal que se propôs a ser o "primeiro show real" da história. E para a ideia de Christof (Ed Harris) de reprodução da era moderna funcionar, foi construído um gigantesco estúdio cinematográfico do mundo, a ilha chamada Seaheaven (que ao lado da Muralha da China são as únicas construções vistas da Lua) com toda a concepção de mundo real. Casas, ruas, sol, mar. Tudo ali é "fabricado" artificialmente da forma mais crível possível para simular uma vida real que Truman se sinta confortável para ser fadado a viver e não querer sair disso. É um mundo dentro de outro mundo com uma verossimilhança assustadora com cerca de 5 mil câmeras espalhadas ao seu redor e milhares de figurantes que interagem com Truman dentro de um roteiro pré estabelecido e podem ir e vir de acordo com sua necessidade, menos Truman, claro, que é a estrela do show.

Transmitido de forma ininterrupta, o show tem sua publicidade veiculada de uma forma inovadora dentro do próprio programa, em que rigorosamente tudo que está ali está a venda, desde produtos alimentícios, a roupas, carros utilizados e até as casas que compõem o cenário. Tendo uma vida miserável portanto, Truman tem seus dias reproduzidos rigorosamente da mesma forma, dando "um bom dia, uma boa tarde e uma boa noite" como ele diz à seus vizinhos felizes, e trabalhando em uma empresa corretora que também faz parte do sistema de negócios do show. 

O filme começa no dia 10.909 da vida Truman e entre os flashbacks que explicam um pouco da história do personagem e porque ele acaba sendo fadado a permanecer nesta inércia, ao mesmo tempo em que nos questionamentos porque ele simplesmente "não resolve sair dali", Christof numa entrevista deixa claro: "aceitamos a realidade que nos é apresentada". E isso passa não só por Truman, mas creio que por cada figurante e cada telespectador que acompanha de forma ininterrupta a vida de alheia sem se importar minimamente com a sua própria. 

Impossível não ligar isso à crítica voraz a sociedade calcada no entretenimento e o papel que a mídia tem na sociedade, esta sociedade humana que ao contrário de qualquer outro ser vivo constrói o habitat a seu redor, transformando assim a mídia como um fator regulamentador desta ordem. Os reality shows são cada vez mais frequentes na sociedade e numa mídia que se importa primeiramente com o lucro, ela se importa (e com razão) em aquilo que VOCÊ deseja ver, e a curiosidade da vida alheia fez despertar a sensação de ser vigiado o tempo inteiro, transformando em sonho um desejo por um prêmio, este o bife preso no anzol de uma vara de pescar, fazendo-os, tanto espectador como participante, ignorar completamente o estado de direito dele próprio (no caso do BBB, por exemplo) e de Truman à sua privacidade. Sim, a pessoa (não Truman, claro) abriu mão disso se quis participar de um programa assim e não tiro a razão dela, mas tais programas existem somente porque tem público mais do que suficiente para consumi-las, relacionando a ignorância social a preguiça de ficar em frente a televisão (o Brasil é o país que mais assiste televisão, ficando mais de 4 horas em média em frente dela).

Truman começa a questionar o mundo em que vive a partir do momento em que começa a perceber suas falhas, como a interferência da frequência do rádio do carro dele e por lembrança de pessoas que resolveram contar a verdade sobre a plasticidade do mundo inacreditável dele. Aí vem a maior inspiração do filme ao traçar um paralelo interessantíssimo com a Caverna de Platão.

Publicado em "A República", este mito fantástico trata-se do Homem, que acorrentado a uma caverna, sendo assim, obrigado a permanecer de frente para as sombras e de costas para a luz; mesmo que este escolhesse se libertar, acabaria escolhendo as sombras, pois o mundo que a luz o mostra é ofuscante, desconhecida e não faz sentido para ele; fazendo-o assim escolher as sombras pois isto lhe é mais confortável e afagador. Com a diferença que Truman é o único que está nessa caverna, pois todos os outros podem entrar e sair de acordo com sua vontade. 

Lembram do entrevista que citei a três parágrafos atrás? A pergunta do entrevistador a Christof era "porque Truman não questionava o mundo a seu redor?". Bom, a resposta já disse, e a fala vai de encontro justamente com a comparação de Christof com deus e a necessidade de busca as respostas para o sentido da nossa vida mesmo que isso nos iguale ao ridículo ao abrirmos mão de uma vida recomendada e pré-estabelecida. 

Há de termos a coragem de questionar e superar nossos medos, como o paralelo entre o castigo divino e o medo do mar que Truman adquiriu, por ter visto seu pai se afogar quando tinha somente 8 anos de idade e a coragem que este teve em quebrar sua rotina clamando pela imprevisibilidade que era necessária para superar seu medo da água. E é interessante notar que mesmo sendo fabricada a morte como um ato importantíssimo para prender ainda mais a audiência, ninguém que está assistindo questiona sua decisão, mesmo que isto arrisque a vida de Truman, o que não só transmite a ideia do senso de ridículo que cada um está apto a ver alguém sofrer, como eles necessitam desse entretenimento fútil que alegoricamente é demonstrado pelo cara que vive na banheira. 

É sensacional aí a comparação que cabe à quebra de rotina. Podemos não viver numa cúpula de fato e as leis garantem nossa garantia de ir e vir, mas ao mesmo tempo que a liberdade seja uma conquista garantida, ela mesmo é aprisionada pelo sistema em que acabamos vivendo e a rotina é a palavra que define isso. Nascemos, crescemos, trabalhamos e morremos. Somos pressionados a ter um sucesso e proporcionarmos a nós mesmos uma casa, um carro, um amor e um cachorro numa vida de sonhos; e como jovem que sou, sou diariamente pressionado pela a ideia da obrigação de uma vida acadêmica bem sucedida para que eu possa ter as coisas que me satisfaçam, como se a formação fosse digna de definir a capacidade de um homem. Quantos de nós fomos ignorados simplesmente por isso em seus empregos? 

Cristof tem o papel de deus, mas também tem o papel máximo de senhor da lei da vida de Truman ao controlá-lo fazendo-o ser exatamente o que ele quer que ele seja. Ele diz a Truman que ele pode ir a qualquer momento, como a Constituição diz a nós, mas como o filme deixa claro, não é assim. Precisamos do imponderável pra viver e só ele faz Truman acordar e ir atrás do seu sonho independentemente da vida que lhe é dada, que é sem preocupações e sem risco. E mesmo que o seu amor adolescente tenha sido calado pela revelação da verdade e mandado a Fiji (justamente uma ilha), como se alguém contasse a um desentendido que deus não existe ou que o sistema não presta, a irracionalidade desse sentimento acaba fazendo Truman e acredito que cada um de nós a acreditar no imponderável que nos faça encarar o mundo, não só viajando, mas escolhendo aonde nos sentimos encaixados. 

Acredito que um dos papéis da arte seja expandir a mente sensorial do ser humano para níveis antes inexplorados, ao criticar a zona de conforto comum à todos e provocando a disseminação de ideias para que aquele homem comum conheça o desconhecido, compreendendo e passando essa sua sabedoria a frente. É isso que faz essa obras serem atemporais proporcionando essa percepção fundamental na construção de um caráter, e o filme dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol lá de 1998, é fantástico ao repassar diversas reflexões da forma mais sensível e simples, entrelaçando o questionamento de temas atuais, como a responsabilidade midiática perante a construção social, a coragem em quebrar nossa rotina dando voz ao imponderável, e ao próprio deus que construímos e adoramos.

Resenha Série: Mr. Robot (2ª Temporada)


Num panorama rápido sobre Mr. Robot, a organização fictícia Fun Society configurou-se em uma grupo secreto de hackers anarquistas que queriam derrubar o maior conglomerado do planeta chamado E Corp (ou Evil Corp, como queira), que é mais ou menos aquela organização financeira controla até o que você come - numa "distopia" não muito distante de se a Apple resolvesse comprar todos os bancos que a gente conhece. O objetivo era derrubar o conglomerado e provocar uma crise financeira mundial liquidando as dívidas de todos os cidadãos que se sentiam presos ao sistema capitalista que vivemos, de nascer, crescer, trabalhar, aposentar, trabalhar, morrer e após a morte, quem sabe continuar pagando pela nossa estadia nesse planetinha. Lúdico não é mesmo?

Porém o que poderia ser uma série simples em se portar como mais uma voz à aqueles que querem realmente que uma mudança de sistema aconteça, em um plot twist desgraçado que ampliou totalmente seu espectro dramático, a série se revelou uma história de um filho que não superou a morte de seu pai e que finalmente juntou a persona Mr. Robot (Christian Slater) a Elliot Alderson (Rami Malek). Mas o charme de Mr. Robot se dá durante todos os episódios que compuseram a série até sua maior revelação, compondo um ambiente de mistério suficientemente bom para até nos entregar o que iria acontecer sem que dessemos importância a isso. Chega a ser risível tão quanto fantástico. E de novo temos isso nessa temporada na alegoria fantástica da prisão em que Elliot foi parar, mas por quê? O que ele fez?

A segunda temporada deixou de lado os múltiplos personagens para se focar quase que exclusivamente na mente de Elliot numa viagem simultânea que enlouquecia tanto Elliot como quem estava assistindo, e essa ambiguidade deu uma liberdade de roteiro absurda a Sam Esmail que soube explorar muito bem essa vantagem do real e não real pra si.

Sem medo de errar, Mr. Robot, entregou episódios misturando passeando nos mais variados gêneros, drama, terror, suspense e até comédia (S02E06 eps2.4_m4ster-s1ave.aes), sempre se aproveitando muito bem da mente conflituosa de Elliot como na cena do S02E10 eps2.8_h1dden-pr0cess.axx em que Elliot enquanto comprava equipamentos e dispositivos ao vislumbrar Mr. Robot enquanto este desaparecia quando o celular de Elliot tocava. Será que ele será fadado a conviver com este inferno para sempre? Em todos os doze episódios da segunda temporada Sam Esmail deixou claro que Elliot era o garoto que mal sabia o que estava acontecendo, o protagonista que é os olhos do espectador, que se perguntava também o que raios estava acontecendo naquele momento e quem era afinal aquela pessoa que apareceu para ele.

Artifícios esses, que junto aos enquadramentos característicos que por exemplo cercavam o mistério de cada momento em que a misteriosa White Rose (BD Wong) aparecia com sua filosofia do tempo, ou de qualquer silêncio entre dois personagens na série, só deixam Mr. Robot sensacional por ser tão detalhista em seus planos que não revelam quase que nada. Afinal, o que é esse tal de plano 2? O que é essa tal de Dark Army? O que a E Corp quer com a China? Elliot está tão confuso sobre si mesmo como nós.

Esse mistério é ao mesmo tempo cercado por questões pertinentes e realistas acerca da tecnologia, como a casa inteligente e assustadora do S02E08 eps2.6_succ3ss0r.p12 nos lembrando do futuro extremamente conectado do 5G e sobre as consequências que o romantismo desenfreado de qualquer organização social ou hacker, que a fsociety é baseada, trouxe a todos: grande desemprego e empobrecimento do povo, causando um caos social de saques e apagões nos mostrando que o capitalismo - assim como acredito que qualquer sistema - não só é um complemento a sociedade, mas aquele que nos faz ter um norte para sobreviver dignamente. Sistema esse sendo ao mesmo tempo algo tão enraizado a cultura do poder que ele se torna inquebrável justamente por causa daqueles 1% do 1% que Elliot tanto tinha medo e ainda tem desde a primeira temporada, dando também as claras de que esse golpe hacker, talvez tenha sido uma colaboração nefasta da E Corp para introduzir um novo tipo de moeda que veremos muito no século XXI: os BitCoins - teoria essa que o chefão da E Corp, Phillip Price, dá a entender.

Somos regrados por três lemas: poder, poder e poder. e talvez Elliot tinha noção disso, ciente que deveria dar de ombros ao romantismo indo mais além. Essa segunda temporada mostra um pedaço disso. Mostra que Esmail fez questão de aumentar a aura de mistério e deixou claro que ninguém ali se revelou o que é completamente, nem Elliot, nem o ressurgido Tyrell Wellick (Martin Wallstrom) e sua ambiciosa mulher Joanna (Joanna Olafson), nem a supostamente inocente Angela Moss (Portia Doubleday) e nem a própria agente do FBI Dominique "Dom" Di Pierro (Grace Gummer).

Mas talvez essa segunda temporada de Mr. Robot possa decepcionar alguém mais impaciente justamente por isso: ela não entrega nada e traz um monte de perguntas. E parece que Sam Esmail levou a sério o slogan que diz que "o controle é uma ilusão" transferindo isso também para nós resolvendo nos entregar menos ainda que qualquer um esperava, deixando de lado aquela história mais hermética que vimos na primeira temporada, logo, não combinando muito com o esquema semanal justamente por isso. Talvez o esquema Netflix de entregar todos os episódios de uma vez seria mais adequado à complexidade da série.

Bom, recentemente ele revelou que Mr. Robot terá "quatro ou cinco temporadas", sendo assim, fico ansioso pra saber o que há por vir imaginando que Esmail tenha já pensado em uma história que se alongasse durante todas as suas temporadas e não resolvendo algumas durante uma apenas, algo que podemos sentir na investigação feita pela agente do FBI que há muito mais a revelar e principalmente sobre papel de Angela nesse rolo todo. Nem sei mais se Elliot é o "mocinho"...

Resenha Literatura: A Revolução dos Bichos (George Orwell)


A premissa é simples, os animais da fazenda estavam cansados de trabalhar por anos a fio para o Sr. Jones sem ganhar nada a mais por isso. Então sedentos por um sonho de liberdade em que eles mesmos se governavam, aproveitaram o estopim que Sr. Jones "acendeu" ao esquecer de alimentar os animais, fazendo estes se rebelarem pra tomar o controle da fazenda. Após a magnífica vitória foi proclamada Fazendo dos Bichos aproveitando as infladas ideias do Major que lhes ensinou uma canção chamada "Beasts of England" que louvava os os princípios básicos da fraternidade do Animalismo dias antes de falecer, os então elevados à sua posição de liderança, os porcos Bola-de-Neve e Napoleão, tomaram a frente de comandar os próximos passos da revolução que acabara de acontecer. Para isso proclamaram sete princípios básicos:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum
 animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.


Como se vê são preceitos simples, porém criticáveis, já que não abrem possibilidade para o "porém"; seria certo julgar todo e qualquer humano como inimigo? Bom, talvez os porcos tivessem também pensado por esse lado, mas a simplificação tinha como alvo os animais "mais desprovidos de inteligência" (as ovelhas por exemplo), que passaram a repetir esse mantra incessantemente ajudando a fortalecer o estado que ali se formava. 

Não demorou muito para os laços de companheirismo entre os animais se fortalecerem, mas também nem um pouco para surgirem as primeiras fagulhas de desconfiança. E assim Napoleão depois de uma sangrenta batalha contra o Sr. Jones e outros fazendeiros que tentavam retomar a fazenda, expulsou Bola-de-Neve alegando sérias restrições contra o antes amigo, que entre outras coisas foi acusado de conspirar com os humanos.

Pouco-a-pouco o socialismo idealizado é lentamente suprimido devido às ideias autoritárias de Napoleão que vê sua liderança como não só uma oportunidade de manter a ordem, mas também expandir o controle da recém formada fazenda diante as vizinhas. E assim, além de ordenar a construção de um moinho de vento (ideia originalmente de Bola-de-Neve) este fez algumas alterações nos preceitos antes postos além de proibir os animais de cantarem a canção antes ensinada pelo Major. 

O livro me lembrou demais as questões políticas atuais brasileiras e a bagunça que o povo insiste em se meter, sedentos por ter a verdade nas mãos e que automaticamente os cega para uma visão mais ampla sobre o cenário em que se apresenta. No fundo, não interessa se houve golpe ou não e tão pouco clamar por uma liberdade inexistente, o câncer da corrupção está muito mais enraizado do que a massa corrida que pavimentou o congresso e a mudança do sistema vigente só seria uma questão política, já que este em si, está profundamente enraizado na organização social em que vivemos. Uma real nova organização é aquela que não existe e a anarquia seria rapidamente engolida pela sede do poder que nos faz humanos.

Então entre a polarização exacerbada digna dos povos mais apaixonados e enlouquecidos que tem acontecido ultimamente, a acusação mais comum do "povo de direita" é que o PT estava trazendo pouco a pouco o comunismo aqui para o Brasil e que eles e sua roubalheira precisavam ir para a puta que pariu. Mas será que esse é mesmo o problema? Para isso vale a leitura do livro de George Orwell.

Há algumas interpretações acerca de "A Revolução dos Bichos" e até por isso ele é um livro tão bom, suficientemente pra o ler algumas vezes ao longo da vida com o intuito de achar semelhanças que antes passaram desapercebidas, mas o que torna ele tão especial além do fato de ele condensar questões políticas e sociais em uma obra simplista e gostosa de se ler, é a sua crítica óbvia a URSS Stalinista e a organização social como um todo, onde qualquer ser, porco ou humano, sedento pelo poder seria corrompido inevitavelmente.

"A Revolução dos Bichos" de George Orwell não é um guia político (por mais que é passível de enfurecer um mortadela e em contraponto ser usado por um coxinha em seus discursos inflamados), a fábula criada por Orwell se trata somente de uma sátira política, mas sobretudo é uma crítica escancarada a forma de a humanidade SE governar e a corrupção intrínseca ao ser.

PS: Vale acrescentar que para o máximo aproveitamento do livro é muito importante que você tenha prestado atenção as aulas de história. a Revolução Russa e a Inglesa estão presentes. =)

Resenha Filme: Bonequinha de Luxo


Holly Golightly (Audrey Hepburn) é uma acompanhante de luxo, uma garota meiga e sonhadora de Nova York que quer se tornar uma atriz em Hollywood e que nas suas andanças pela loja Tiffany's tinha um objetivo bem claro: conhecer e casar com um milionário. Mas essa suposta futilidade de Holly começa a mudar quando um escritor frustrado chamado Paul Varjak (George Peppard) se muda para o apartamento ao lado e revela a Holly que vive graças ao dinheiro oferecido pela amante rica em encontros casuais, num contraponto interessante da história, já que Holly enquanto não encontra um ricaço, vive ás custas do mafioso Sally Tomato que a paga para encontrá-lo na prisão de Sing Sing todas as quintas-feiras.

Só por esse parágrafo já dá para perceber claramente a mudança de paradigma que tem-se sobre o filme. As fábulas por si só existem graças a literatura e o cinema deu imagens a esses sonhos, mas a fábula que "Bonequinha de Luxo" parecia ser "cai por terra" se mostrando ser justamente o contraponto ao nos mostrar uma realidade suficientemente factível e triste, mas de uma forma absurdamente leve e graciosa, como a apaixonante Hepburn é através de cada olhar que desnuda o espectador de qualquer tipo de maldade que uma garota de programa poderia transmitir - aliás isso é algo que eu nem me lembrei enquanto via o filme.

E essa impressão que tive sobre "Bonequinha de Luxo" é exatamente aquela que "Clube da Luta" teve em mim e que fez o filme ser um fracasso de bilheteria, em que por vezes o título esconde quase que completamente o que o filme se mostra ser, esse no caso, um thriller psicológico e inquietante sobre a sociedade moderna. Então antes de ver uma história, precisamos entendê-la pois há filmes que são só mais que uma breve interpretação de texto, e isso significa que sobretudo precisamos entender a mensagem que a história acaba nos passando. Lembra de "não julgar um livro só pela capa"?

Diria que não somente precisamos existir, mas sermos; e mais do que sermos, precisamos pertencer a algo. Mas essa ideia de pertencimento, principalmente no começo do século, era facilmente confundida com posse em relação às mulheres. E o drama literário de Truman Capote, escondido debaixo das risadas e da leveza da linda e jovem Hepburn na versão transportada para o cinema de Blake Edwards, deixa bem claro a crueza urbana do pertencimento atrelada ao dinheiro que existia na época e existe até hoje.

Essa "futilidade" de Holly facilmente confundida com seu jeito extremamente dócil, esconde um sentimento de eterna fuga de um sofrido passado em que foi obrigada a se casar muito cedo com um homem que tem a idade para ser seu pai, sentimento de frustração simbolizado na figura de seu gato chamado somente de Gato. Para ela, dar-lhe um nome seria tomar posse dele e por ela sentir que não pertence à aquele lugar não acha justo fazer isso com ele; então o que Holly e seu Gato acabam passando é a ideia de que não pertencemos a ninguém.

E o lado romântico do drama acontece nesse momento, pois a figura de Paul se torna fundamental na mudança de Holly que ao ver um homem se sentir totalmente indiferente à sua presença e sem desejo carnal algum, confia sua amizade sincera a ele. Algo que o frustrado Paul também procurava tendo uma vida tão quanto fútil a dela, como se ele recém vindo de algum lugar, fosse o que Holly exatamente imagina para se afirmar, ele vindo e ela indo. E nessa forma leve de contar a história, o drama simplesmente mostra duas pessoas que somente querem vencer na vida.

Vencer na vida é algo que todos queremos mas que não fazemos a mínima ideia do que significa. A sociedade nos mostra que vencer na vida é ter um bom emprego, uma boa casa e uma boa família, mas penso que "vencer" é muito mais do que um sonho idealizado e arranjado. Só que a mesma vida ensina por A + B que quanto maior o sonho, maior a queda; faz a ideia do sonho por si só ilusória mostrando que a ideia do tão temido fracasso é uma constante difícil de engolir, mas que temos que suportar. E ter amadurecido é finalmente ter reconhecido o valor disso.

É o momento em que como se aquela frase do Rocky Balboa finalmente começasse a fazer o real sentido, já que aquelas lutas pelo pertencimento adolescente aventureiro que eu e você tivemos, agora simplesmente não fazem o mínimo sentido de acontecer novamente. Leva-se um tempo indefinido para entendemos que não devemos pertencer a nada e nem a ninguém, mas sim que constantemente devemos agraciar os outros com o desejo de pertencimento. E na leveza de "Bonequinha de Luxo", Holly e Paul acabam nos mostrando isso na leveza de sua amizade entre a contrastante vida real dos dois, onde eles acabam encontrando um no outro o que precisavam para sentirem que venceram na vida. Achando finamente o lugar em que deviam pertencer.

Metallica e Heráclito: Breve história do tempo


Esses dias tava conversando com alguém que me soltou a opinião de que hoje em dia as bandas de rock não tem o mesmo o brilho das do passado.

Bom, é mais velho do que andar para trás a geração atual (minha) falar "que no tempo dela era melhor" e é mais fácil cair nessa máxima do que andar para frente enquanto a velhice chega e repetimos isso cada vez mais. Porém, entendo a nostalgia extrema e constante que torna tudo aquilo que tínhamos e não tínhamos mais saborosos num misto de saudade por a vida ser mais simples com a prepotência de dizer "ah, eu vivia muito bem sem Netflix", como se antes disso a vida era melhor. Isso não nos deixa gostarmos plenamente do que há hoje, sobretudo no mundo da música e no texto falo do rock especificamente (senão a discussão iria se alongar demais).

O brilho das bandas do passado é ofuscante e intenso não só pelo talento delas, mas porque elas foram precursoras da vertente ajudando a simplesmente construir tudo o que eu gosto em relação ao gênero, portanto é uma tarefa ingrata e injusta exigirmos que as bandas atuais revivam esse passado constantemente ou simplesmente sejam cobradas pra serem a salvação do rock, como se esse, precisasse ser salvo. É como alguém falar que a lâmpada de Thomas Edison é melhor, isso e ele são insuperáveis e inigualáveis até o final dos tempos como qualquer invenção que revolucionou ou aprimorou o que não se tinha, algo que o criticado Steve Jobs entendeu muito bem, por exemplo: temos que sempre aprimorar o que temos, e é assim também com o rock e com o nosso pensamento.

Há muita coisa boa e pulsante por aí e nem preciso ir incessantemente atrás do presente para perceber isso, é meio triste que novas bandas como Mastodon, Ghost, Royal Blood e bandas veteranas como Machine Head e Alter Bridge infelizmente sejam ainda pouco reconhecidas aqui no Brasil num jogo de causa e efeito causado justamente pela teimosia de fãs que procuram a "salvação do rock" e pedem o mesmo Iron Maiden e Metallica de sempre, além de cobrá-las a tarefa injusta de que eles permaneçam as mesmas que eram a 20 anos atrás.

Não caro, não tenho nada contra ao passado, tenho pavor a pessoas que só olham para o passado. Não sendo só capazes de apoiar e olhar para o futuro do gênero, mas também de perceber que as bandas que eles amam também não são obrigadas a fazer a mesma música para sempre.

Se não me engano, Heráclito dizia que um barco não é capaz de navegar das mesma forma mais uma vez no mesmo rio. Infelizmente a nostalgia tão boa, se torna nociva quando não nos damos conta da real compreensão dessa frase,

O que passa pelos meus fones #137 - Anthrax

Um Anthrax menos raivoso mas nem por isso pior, é assim que posso definir "For All Kings", o 11º e último trabalho lançado em janeiro deste ano. Recentemente a banda disponibilizou em seu canal no YouTube o clipe da faixa "Monster at the End", que na minha opinião é uma das melhores músicas de "For All Kings" e reitera aquilo que penso, de que ao lado do Megadeth, esse é um dos braços do Big 4 mais talentosos e criativos.